10 de junho de 2026

Massacre de Caarapó: cinco fazendeiros são levados ao Tribunal do Júri 

Comunidade Guarani Kaiowá na Fazenda Yvu foi atacada por bando armado articulado pelos cinco proprietários rurais denunciados
Enterro do agente de saúde indígena Clodiodi Aquileu Rodrigues de Souza, 23 anos, Reserva Te'ykue, Caarapó. Foto: Ana Mendes/Cimi

Cinco fazendeiros denunciados pelo Ministério Público Federal (MPF) no caso que ficou conhecido como Massacre de Caarapó, ocorrido há sete anos no Mato Grosso do Sul, serão julgados pelo Tribunal do Júri. 

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A decisão é da 1ª Vara da Justiça Federal em Dourados (MS) e acolhe o pedido do MPF apresentado em alegações finais em julho do ano passado. O fato ocorreu em 14 de julho de 2016 e resultou na morte de um indígena, deixando outros feridos por disparos de armas de fogo.

O MPF destacou que o conjunto probatório reunido durante as investigações demonstram, de forma inequívoca, a existência de crime doloso contra a vida e suficientes indícios de sua autoria para que os réus sejam levados a julgamento pelo Tribunal do Júri.

Na ocasião, a comunidade Guarani Kaiowá na Fazenda Yvu foi atacada por bando armado articulado pelos cinco proprietários rurais denunciados, que organizaram, promoveram e executaram o ataque à comunidade Tey Kuê.

Cerca de 40 caminhonetes, com o auxílio de três pás carregadeiras e mais de 100 pessoas, muitas delas armadas, retiraram à força um grupo de aproximadamente 40 indígenas Guarani Kaiowá da propriedade ocupada por eles. 

A morte de Clodiode

A ação dos fazendeiros resultou na morte do agente de saúde Clodiode Aquileu Rodrigues de Souza com um tiro no abdômen e outro no tórax. Outros seis indígenas, inclusive uma criança de 12 anos, foram atingidos por disparos e ficaram gravemente feridos. 

Dois índios sofreram lesões leves e a comunidade foi obrigada de forma violenta a deixar a área.

“Pelos depoimentos dos ofendidos, indícios, sinais demonstrativos do crime, fotografias, há indícios suficientes de autoria de que os réus se valeram de pás carregadeiras, fogos de artifícios, munições atiradas no raio de 360 graus em direção aos indígenas, impossibilitando suas defesas”, diz um dos trechos da decisão da 1ª Vara da Justiça Federal. 

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Renato Santana

Renato Santana é jornalista e escreve para o Jornal GGN desde maio de 2023. Tem passagem pelos portais Infoamazônia, Observatório da Mineração, Le Monde Diplomatique, Brasil de Fato, A Tribuna, além do jornal Porantim, sobre a questão indígena, entre outros. Em 2010, ganhou prêmio Vladimir Herzog por série de reportagens que investigou a atuação de grupos de extermínio em 2006, após ataques do PCC a postos policiais em São Paulo.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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