10 de junho de 2026

OMS: Quase 40% dos casos de câncer no mundo poderiam ser prevenidos

Pesquisa global aponta tabaco, infecções, álcool, obesidade e poluição como principais fatores evitáveis associados à doença
Crédito: Reprodução/ TV Brasil

Um estudo inédito da Organização Mundial da Saúde (OMS) em parceria com a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) revela que quase quatro em cada dez casos de câncer registrados no mundo poderiam ser evitados com a redução de fatores de risco já conhecidos.

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Na prática, isso representa cerca de 7 milhões dos 18,7 milhões de novos diagnósticos de câncer registrados em 2022, associados a causas preveníveis como tabagismo, consumo de álcool, excesso de peso, infecções, poluição do ar e exposição excessiva ao sol.

Considerada a análise mais abrangente já realizada sobre o tema, a pesquisa avaliou 36 tipos de câncer em 185 países e, pela primeira vez, incluiu de forma sistemática nove infecções associadas ao desenvolvimento da doença, entre elas o HPV, o vírus da hepatite B e a bactéria Helicobacter pylori.

O estudo foi publicado na revista científica Nature Medicine e divulgado às vésperas do Dia Mundial do Câncer, celebrado em 4 de fevereiro.

“Esta é a primeira análise global a mostrar quanto do risco de câncer decorre de causas que podem ser prevenidas”, afirmou André Ilbawi, líder da equipe de Controle do Câncer da OMS e autor do estudo. Segundo ele, a análise de padrões entre países e grupos populacionais pode ajudar governos e indivíduos a adotar estratégias mais eficazes de prevenção.

Os pesquisadores estimam que 37,8% de todos os novos casos de câncer em 2022 podem ser atribuídos a 30 fatores de risco modificáveis, ou seja, relacionados ao estilo de vida, ao ambiente ou às condições de trabalho, fatores que podem ser reduzidos por meio de políticas públicas e mudanças de comportamento.

A proporção varia entre homens e mulheres. Entre os homens, 45,4% dos diagnósticos estão associados a fatores evitáveis, enquanto entre as mulheres o índice é de 29,7%.

O tabagismo permanece como o principal fator de risco prevenível no mundo, responsável por 15,1% dos novos casos de câncer, o equivalente a mais de 3,3 milhões de diagnósticos em um único ano. Em seguida aparecem as infecções, associadas a 10,2% dos casos (cerca de 2,3 milhões), e o consumo de álcool, ligado a 3,2% dos diagnósticos, aproximadamente 700 mil novos casos.

Também contribuem de forma significativa para o risco de câncer o excesso de peso, a inatividade física, a poluição do ar, a radiação ultravioleta e a exposição ocupacional a substâncias cancerígenas.

Tipos mais afetados

Três tipos de câncer concentram quase metade dos casos considerados evitáveis no mundo. O câncer de pulmão lidera a lista, com cerca de 1,8 milhão de casos atribuídos principalmente ao tabagismo. Entre os homens, mais de dois terços dos diagnósticos estão diretamente ligados ao cigarro. Já entre as mulheres, além do tabagismo, a poluição do ar responde por mais de um quarto dos casos evitáveis.

O câncer de estômago aparece em segundo lugar, com mais de 780 mil casos, em sua maioria associados à infecção pela bactéria Helicobacter pylori. Em seguida está o câncer do colo do útero, com cerca de 660 mil casos, dos quais mais de 90% são atribuídos ao HPV, vírus prevenível por meio da vacinação.

O estudo também destaca o impacto das infecções na carga global de câncer, especialmente em países de baixa e média renda. Em mulheres, as infecções são o principal fator de risco em 141 países, respondendo por mais de 30% dos casos na África Subsaariana. Já em regiões de maior renda, como América do Norte e Europa, predominam fatores ligados ao estilo de vida, como obesidade, sedentarismo, consumo de álcool e tabagismo.

Segundo os autores, as variações regionais refletem diferenças na exposição aos riscos e desigualdades no acesso à vacinação, ao saneamento básico, a ambientes de trabalho seguros e a políticas eficazes de prevenção.

“Enfrentar essas causas evitáveis é uma das formas mais eficazes de reduzir a carga global do câncer”, afirmou Isabelle Soerjomataram, vice-chefe da unidade de vigilância do câncer da IARC.

Além do tabaco e das infecções, o estudo alerta para o crescimento do impacto do excesso de peso e da inatividade física, especialmente em países de renda média e alta, onde esses fatores estão fortemente associados ao aumento de casos de câncer de mama e de útero. O consumo de álcool, por sua vez, segue como um dos principais responsáveis por cânceres de fígado, esôfago e intestino.

Para os pesquisadores, os resultados reforçam que os maiores avanços no combate ao câncer nas últimas décadas vieram mais da redução da exposição a fatores de risco do que do desenvolvimento de novos tratamentos. Ainda assim, eles alertam que, sem medidas mais efetivas, a carga global da doença deve continuar crescendo, impulsionada pelo envelhecimento da população e pela disseminação de hábitos pouco saudáveis.

*Com informações do g1.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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