O surto de ebola que assola a República Democrática do Congo (RDC) ganhou contornos mais graves neste sábado (23). A Organização Mundial da Saúde (OMS) elevou de “alto” para “muito alto” o nível de risco do surto no país, enquanto Uganda confirmou mais três casos da doença, chegando a cinco no total.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, foi direto ao anunciar a mudança na avaliação de risco. “O surto de ebola da República Democrática do Congo está se espalhando rápido.” A revisão eleva o risco para muito alto no nível nacional e alto no nível regional, mantendo-o baixo em escala global.
Os números oficiais já registram 82 casos confirmados e sete mortes na RDC, mas Tedros alertou que a epidemia real é muito maior. Segundo ele, há quase 750 casos suspeitos e 177 mortes suspeitas no país, o que sugere que a dimensão do surto ainda está longe de ser totalmente mapeada.
A resposta ao surto também enfrenta obstáculos além da doença em si. Na última quinta-feira (21), um incidente de segurança na província de Ituri resultou no incêndio de tendas e suprimentos de saúde em um hospital da região. “Construir a confiança nessas comunidades é essencial para uma resposta bem-sucedida e é uma das nossas maiores prioridades”, disse Tedros.
Uganda
A Uganda reportou neste sábado três novos casos confirmados de ebola, elevando o total no país para cinco. Entre os infectados estão um profissional de saúde, um motorista e uma mulher congolesa.
O motorista havia transportado o primeiro caso confirmado da doença em Uganda e já se encontra em tratamento. O profissional de saúde foi exposto ao vírus ao atender esse mesmo paciente e também recebe cuidados médicos.
O caso da cidadã congolesa tem uma trajetória mais complexa. Moradora da RDC, ela entrou em Uganda apresentando sintomas abdominais leves, viajou em um voo fretado até a cidade de Entebbe e buscou atendimento médico em Kampala no dia 10 de maio. Recebeu alta em boas condições no dia 14 e retornou à RDC.
Segundo o Ministério da Saúde de Uganda, foi o piloto do voo quem alertou as autoridades posteriormente, o que levou a um acompanhamento mais aprofundado. Uma amostra coletada da paciente confirmou a infecção por ebola.
O ministério ugandense informou que todos os contatos vinculados aos casos identificados estão sendo monitorados de perto pelas equipes de resposta.
Resposta coordenada
Tedros ressaltou que a OMS atua em conjunto com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças africano e com parceiros tanto na RDC quanto em Uganda para conter o avanço do vírus. “Neste momento crítico da resposta ao surto, é vital que as autoridades mantenham alta vigilância para controlar a expansão do vírus”, afirmou.
A província de Ituri, no leste congolês, permanece como o epicentro do surto, e é justamente de lá que partem os casos com ligação a Uganda, o que aumenta a preocupação com a disseminação transfronteiriça da doença.
*Com informações da Agência Brasil.
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