4 de junho de 2026

A questão da barbárie e as condições sociais

Por Mario de Jesus Ferreira

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Comentário ao post “Para André Singer, Brasil ainda deve politizar casos brutais como linchamentos

A questão colocada “Por que o aumento da barbárie se houve uma significativa melhora nas condições sociais?” é, de fato, uma questão complexa que deve ser explorada por todos, principalmente pelos candidatos a cargos políticos. Em Primeiro lugar,  não  é  razoável aceitar essa vinculação direta entre barbárie/violência e condições sociais pois os casos “do casal Nardoni, da patricinha Richtofen, de uma médica em BH que esquartejou empresário num Ap da zona Sul”, como lembra o comentário de Silvio Torres, acima,  desautorizariam de imediato a associação. O Próprio caso do linchamento da dona de casa no Guarujá, embora tenha sido executado por membros de uma classe social menos favorecida, teve como “autor intelectual” os responsáveis por um blog que não se enquadram no perfil social dos executores.

Em segundo lugar,  se isolarmos das estatísticas os crimes cometidos pelo crime organizado, na guerra pelo controle do tráfico, os números da violência cairão significativamente e aí, talvez, esteja uma clara evidência de que já passou da hora de se perguntar: Será que a estratégia de criminalizar as drogas é a forma mais racional de enfrentar o problema? O exemplo do cigarro, cujo uso vem caindo significativamente com campanhas de informação, não oferece um caminho menos traumático para a sociedade?

Em terceiro lugar, e sem esgotar outras possíveis explicações, não seria hora de se avaliar criticamente e se perguntar qual é o papel da mídia no aumento dessa barbárie, visto que, numa busca alucinada por mais audiência, ela vem se tornando perigosamente sensacionalista a ponto de aumentar, exponencialmente, a sensação de insegurança, desencadeando, assim, mais violência? Ainda sobre o papel da mídia, qual é a influência que ela exerce sobre os “ânimos” e valores morais da sociedade ao assumir linhas editoriais que visam amplificar e distorcer denuncias de corrupção e de falta de bons serviços públicos, sempre focando nas exceções e na “parte vazia do copo”, com o objetivo de desgastar o governo e favorecer outros partidos politicos?  Esse ativismo partidário não termina por corromper o processo democrático  e leva a uma descrença no estado de direito que  estimula a barbárie, a violência e o  “vale tudo” dos individuos mais fanáticos?      

 

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15 Comentários
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  1. IV AVATAR

    12 de maio de 2014 2:44 pm

    A questão da barbárie, as condições sociais e o papel da imprens

    A questão da barbárie, as condições sociais e o papel da imprensa.

    Isso é fato. Mas há mais coisas ai nesse angú, me refiro a estes penduricalhos que, como apontou Marx, fazem parte da superestrutura capitalista; Judiciário, mídia, educação, familia, clero…Sem dúvida, a imprensa, como verbalidora tradutora dos fatos(vide a SheheAzeda) é a mola-mestra sim. Enquanto concessionárias de serviço publico, essas empresas que usam nossas frequências de rádio cedidas pelo Estado precisam de um marco regulatório, não podem agir ao arrepio da lei, não podem atuar como se o Brasil fosse uma terra sem lei. Ah, a SheheAzeda vem ai com direito a abrir o bocão de novo ao noticiar fatos do dia-a-dia, salve-se quem puder.

    1. Rafael Costa da Silva

      12 de maio de 2014 2:51 pm

      Citar Marx em seu comentário

      Citar Marx em seu comentário faz com que ele seja totalmente desconsiderado, pois já parte de uma premissa absolutamente equivocada: as ideias de Marx.

      1. André LB

        12 de maio de 2014 3:56 pm

          Essa não é a caixa de

          Essa não é a caixa de comentários do UOL, então sugiro que não escancare sua ignorância desse jeito porque, ao contrário de lá, aqui isso pega muito mal.

        1. Rafael Costa da Silva

          12 de maio de 2014 4:45 pm

          Se vc não sabe, todas as

          Se vc não sabe, todas as principais ideias de Marx já foram refutadas, inclusive a noção de “burguês” na  qual não há como apontar alguém como “burguês” a não ser pela autodeclaração.

          1. André Sousa Reis

            12 de maio de 2014 5:50 pm

            Se a existência do burguês foi refutada, o burguês não existe…

            Se a existência do burguês foi refutada, o burguês não existe……sei

          2. Rafael Costa da Silva

            12 de maio de 2014 7:50 pm

            Exatamente!
            Como a definição

            Exatamente!

            Como a definição de “burguês” de Marx é falsa, então o “burguês” não existe; a não ser que se crie outra definição (válida) para “burguês”.

             

          3. Joao Paulo C S

            12 de maio de 2014 8:17 pm

            Quem refutou? O Olavao de Carvalho? Kd suas fontes

            Quem refutou? O Olavao de Carvalho? Kd suas fontes

          4. André LB

            12 de maio de 2014 6:23 pm

              Pelamordedeus, pára de se

              Costa e Silva, pelamordedeus, pára de se afundar nisso, não insiste que já tá dando vergonha alheia…

              …faz um favor pra você mesmo: deixa de ler Pondé e outros quiromantes autodenominados filósofos e emprega seu tempo em livro de verdade. No começo você vai estranhar, mas não doi e com o tempo você aprende alguma coisa.

      2. Chico Nico Lelé

        12 de maio de 2014 4:19 pm

        Costa

        Vá Á LIVRARIA MAIS PRÓXIMA e compre, caro colega ultracapitalista, ou se não tiver capital sente naquele sofá atrás da pilastra que o gerente não vê e leia o ”Capital no século 21”.

      3. Avelino de Oliveira

        12 de maio de 2014 5:27 pm

        Caro Rafael 
        Não quero ser

        Caro Rafael 

        Não quero ser chato com você, você pode não acreditar em Marx, achar isso obsoleto. Mas seguramente, não é a mesma opinião da grande mídia, dos grandes empresários, entre muitos outros.

        Que vivem do e pelo marxismo, mas propangandeiam a não existência do mesmo.

        Faz parte do jogo.

        Saudações

         

      4. André Sousa Reis

        12 de maio de 2014 5:48 pm

        Marx não inventou, apenas apontou o que existe

         A sociedade é comparada a um edifício no qual as fundações, a infra-estrutura, seriam representadas pelas forças econômicas, enquanto o edifício em si, a superestrutura, representaria as idéias, costumes, instituições (políticas, religiosas, jurídicas, etc)

  2. JB Costa

    12 de maio de 2014 3:28 pm

    Nem a barbárie,  nem só mesmo

    Nem a barbárie,  nem só mesmo a criminalidade como um todo pode ser responsabilidade das alegadas “condições sociais”. É É essa percepção assimilada de forma a priori que de certa forma explica as ações violentas  feitas pelo aparato judicial contra favelados ou habitantes de periferia modo geral. 

  3. evandro condé de lima

    12 de maio de 2014 4:28 pm

    Acho que poderia citar também

    Acho que poderia citar também como nossos pequenos crimes estão se banalizando e nada acontece. A sensação que se pode cometer delitos e tudo ficar por isso mesmo impera. Depedração de bens particular ou público já está banal. E aproveitando, eu morro de rir em ver as casas de jogo de bicho operando como se fosse uma lotérica. 

  4. Anúbis.

    12 de maio de 2014 5:14 pm

    Tiros em Columbine.

    Nem sempre consensual, Michael Moore tem ao menos uma virtude que ninguém vai lhe negar.

    Faz algumas perguntas inquietantes.

    Assim como fez o comentarista.

    A parte mais intrigante do documentário-filme é a questão da indústria das armas e seu lobby, a NRA.

    Somos levados a crer que armas levam a violência (na época do filme os EUA tinham 11.000 mortos por arma de fogo/ano), ainda mais se toda uma cultura de seu uso está arraigada na sociedade.

    Não é tão óbvio. O Canadá tem 7 milhões de armas em 10 milhões de lares na mesma época, e não ostentava 500 mortes por ano da mesma causa.

    Então, é preciso uma intrincada rede de fatores ideológicos, culturais, enfim sociais, para levar uma sociedade a se comportar repetidamente com os mesmos padrões.

    E não se tratade eventos aleatórios, esporádicos, mas sim de uma sofisticada sequência de acontecimenos, que são provocados, manipulados, direcionados a um resultado específico.

    A violência hoje também é um negócio, e como tal obedece as lógicas mercantis, as escolhas geográficas e a divisão de tarefas, e claro: muita, mas muita simbolização discursiva, sendo certo que neste último quesito entra a promiscuidade midiática com causas e efeitos da criminalidade violenta.

    Tanto para garantir a elite o monopólio do discurso do terror, da exacerbação penal contra os bárbaros (pobres), quanto para manter sua audiência, já que o voyuerismo da violência é esporte nacional, a mídia tem papel decisivo na construção de um ideário de permanente tensão social.

    Neste sentido não seria incorreto dizer que a pauta do linchamento é mais um produto para criar a ideia de que tudo está um caos, ou pior, não adianta melhorar as condições de vida destes bárbaros (pobres).

    O comentarista foi extremamente feliz quando desconstruiu esta premissa.

  5. Murdok

    12 de maio de 2014 5:22 pm

    Acho que deveria ter sido

    Acho que deveria ter sido colocado também uma grande questão: o silêncio do judiciário, principalmente daquele que nos últimos anos está à frente do foco da grande mídia: o Supremo Tribunal Federal.

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