21 de maio de 2026

Crise no Ministério do Trabalho trava combate à escravidão no país

Auditores paralisam operações após ministro intervir em processos contra empresas; 78 denúncias deixaram de ser apuradas
Fiscal encontra ponto com trabalhadores em situação de trabalho análogo à escravidão. Crédito: Acervo/ MPT Mato Grosso do SUl

▸ Em janeiro, 78 denúncias de trabalho escravo deixaram de ser fiscalizadas devido à crise entre fiscais e o ministro do Trabalho.

▸ Fiscais suspenderam operações após ministro Luiz Marinho revisar pessoalmente inclusão de empresas na lista suja do trabalho escravo.

▸ Justiça determinou inclusão de empresas na lista suja, mas AGU conseguiu liminar suspendendo a medida até julgamento do TRT-10.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O combate ao trabalho análogo à escravidão no Brasil vive um cenário de paralisia institucional em janeiro, mês que marca o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo. Documentos e relatos de auditores fiscais apontam que ao menos 78 denúncias deixaram de ser fiscalizadas no primeiro mês do ano, conforme informações do G1. O “apagão” seria reflexo de uma crise aberta entre a categoria e o ministro do Trabalho e Emprego.

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A insatisfação dos fiscais culminou em uma entrega coletiva de cargos e na suspensão de novas operações de campo. O estopim foi a decisão do chefe da pasta Luiz Marinho de utilizar o recurso da “avocação” para revisar pessoalmente a inclusão de grandes empresas na chamada “lista suja” do trabalho escravo.

Entre os casos mais polêmicos está a retirada da JBS Aves do cadastro de infratores, sob a justificativa de “relevância econômica” da companhia, amparada por pareceres da Advocacia-Geral da União (AGU).

Para os auditores, a manobra do ministro cria uma espécie de “terceira instância” recursal inexistente na lei, o que fere a autonomia técnica da fiscalização. Em ofício enviado ao ministério, a categoria afirma que a medida não possui caráter grevista, mas é um ato contra a “falta de transparência, insegurança jurídica e risco de assédio institucional“.

Versões conflitantes sobre o apoio policial e impacto

O governo federal tem atribuído o cancelamento de operações do Grupo Especial de Fiscalização Móvel, braço de elite do combate à escravidã, a uma suposta falta de efetivo da Polícia Federal (PF).

No entanto, documentos obtidos pelo G1 mostram que nomes de policiais já haviam sido selecionados para ações em janeiro e que os cancelamentos partiram da própria estrutura do Ministério do Trabalho após o início do protesto dos fiscais.

A PF, em nota, negou a suspensão das atividades, alegando apenas a necessidade de “ajuste de datas” em três operações simultâneas que demandariam grande contingente. Enquanto isso, o Ministério Público do Trabalho (MPT) manifestou preocupação com os danos humanos.

O levantamento do G1 aponta que 12 estados e o Distrito Federal tiveram operações canceladas em janeiro. Em locais como Bahia e Espírito Santo, onde o setor agrícola concentra altas demandas nesta época do ano, o acúmulo de denúncias é crítico.

Justiça e Lista Suja

O embate também corre nos tribunais. No final do ano passado, a Justiça do Trabalho determinou a inclusão imediata das empresas JBS Aves, Santa Colomba Agropecuária e Apaeb na lista suja. Contudo, a AGU obteve uma liminar que suspende a medida até que os recursos sejam julgados pelo Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10).

Mesmo com a crise, o governo mantém para esta quarta-feira (28) um evento solene de lançamento do 3º Plano Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo. Auditores, por sua vez, planejam protestos em frente às sedes dos ministérios, sinalizando que a trégua na fiscalização ainda está longe de ocorrer.

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Ana Gabriela Sales

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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