Sugerido por Marco St
Pleno emprego brasileiro não é entrave ao crescimento, diz indiano
Do Valor Econômico
Por Rodrigo Pedroso
O nível de quase pleno emprego da economia brasileira não é um entrave ao crescimento do país. A desaceleração da atividade deve ser combatida não com aumento do desemprego, mas com estímulos à produção mais eficientes pelo setor público, incremento dos gastos em áreas prioritárias, corte de despesas em áreas supérfluas e redução da taxa de juros. Essa é a visão do economista indiano Deepak Nayyar, da Universidade de Jawaharlal Nehru, em Nova Delhi, sobre quais são os passos que o próximo governo deve tomar para que o Brasil cresça sem “abandonar o que deu certo até o momento. Com 11% de juros, é muito difícil alavancar o crescimento”.
Autor do livro recém-lançado no país, chamado “A corrida pelo crescimento — países em desenvolvimento na economia mundial”, o economista tem como objeto de estudo o desempenho das economias emergentes nos últimos 60 anos e quais modelos devem ser adotados para que tais países saltem para o clube dos desenvolvidos.
Deepak Nayyar critica os economistas ortodoxos por analisarem a economia excessivamente pelo lado da oferta. “O caso do emprego é típico. Olham apenas o quanto a taxa de desemprego, se baixa, pode tirar da competitividade do país, mas não levam muito em conta que, por outro lado, é ela quem estimula o consumo”, afirmou em entrevista após dar palestra na sede da Fundação Getulio Vargas (FGV), em São Paulo.
A noção de que há um trade off (compensação) entre desemprego e crescimento é falsa, na visão do economista. A desaceleração econômica do Brasil não vem ocorrendo em função ou muito em parte do nível de emprego. Uma política econômica eficaz deve buscar sempre, para um crescimento sustentado ser traduzido em desenvolvimento, um equilíbrio entre salários, crescimento e lucros.
“Há um desequilíbrio no Brasil que está causando a desaceleração e não é por causa dos salários exclusivamente. O crescimento dos salários está sendo apropriado por lucros, que por sua vez vazam para o setor financeiro. Com juros reais de 5%, 6% ao ano, esse lucro não volta para a economia em forma investimento. Juros reais menores fariam a última parte desse ciclo ir para investimentos, que, aí sim, sustentariam o crescimento econômico”, afirma o economista indiano.
O novo governo deveria adotar, de cara, uma política econômica anticíclica, na visão do indiano. Ela deveria, no entanto, ser mais bem definida em relação às medidas de indução do crescimento que foram adotadas nos últimos três anos. A segunda orientação é que o governo entenda que juros e câmbio são preços, ou seja, sinais que indicam como está a economia e que formam decisões de investimentos.
“O Brasil tem um mercado de capitais sofisticado em comparação com outros emergentes. O governo deveria usar isso, vendendo títulos com juros de longo prazo para financiar as obras de infraestrutura necessárias. Além disso, precisa descartar gastos supérfluos e aumentar os gastos com educação e saúde”, disse.
A terceira medida, que deveria ser usada para compor um ‘coquetel anticíclico’, é o incentivo a setores da indústria nos quais já há competitividade em relação a outros players mundiais, ou onde existe grande potencial em função de vantagens comparativas. “Não é para escolher empresas vencedoras, e sim alguns setores que podem ser de ponta, ser a vanguarda da tecnologia em suas áreas”, disse Deepak Nayyar.
Ricardo Santos
24 de agosto de 2014 3:37 pmEconomista Estadista!
Sua
Economista Estadista!
Sua teoria e visão de mundo não visa riqueza para um grupo de famílias dominantes no mundo e, para isso se dá o nome de neoliberalismo…
Conforme se revela o que está oculto, o Brasileiro acorda e os marineiros ficam sem argumentos…
Marina será a decepção desta eleição…
aliancaliberal
24 de agosto de 2014 6:03 pmFidel, Stalin, etc pobres de
Fidel, Stalin, etc pobres de dar dó.
Zanchetta
24 de agosto de 2014 4:37 pmFutebolista tailandês afirma
Futebolista tailandês afirma que Neymar é melhor que Messi…
aliancaliberal
24 de agosto de 2014 6:09 pm“juros reais de 5%, 6% ao
“juros reais de 5%, 6% ao ano, esse lucro ” quem cofunde juros com lucros não merece ser levado a sério..
Elieser
25 de agosto de 2014 3:18 pmVc poderia, ao menos, fazer a citação completa…
… a fim de evitar descaracterização da argumentação criticada: “O crescimento dos salários está sendo apropriado por lucros, que por sua vez vazam para o setor financeiro. Com juros reais de 5%, 6% ao ano, esse lucro não volta para a economia em forma investimento.”
Esse era o tal lucro citado pelo economista, não o juro em si.
aliancaliberal
26 de agosto de 2014 1:47 amLucro vem depois de juros ,
Lucro vem depois de juros , senão não é lucro.
Roberto São Paulo-SP 2014
24 de agosto de 2014 8:36 pmProposta para ampliar a participação dos títulos de longo prazo
Creio que além de isentar temporariamente do Imposto Renda, seria necessário permitir a uma dedução no imposto de renda de outras fontes de rendimentos, de forma que os títulos públicos e privados se tornariam atrativos mesmo com taxas de juros negativas viabilizando um aumento exponencial do investimento na produção de bens e serviços.
O aumento da arrecadação de outros impostos e taxas mais do que compensaria a isenção e dedução do imposto de renda para aplicação de títulos de longo prazo, isto sem falar na redução dos juros da rolagem da dívida pública.