4 de junho de 2026

Só em 2033 o desemprego no Brasil retrocederá para abaixo dos 10%

País ainda não tomou consciência da bomba prestes a explodir em seu mercado de trabalho. Pois o desemprego ainda deve crescer, quando, devido à digitalização, ainda mais cidadãos perderem empregos
Foto: CUT/RS

Da Deutsche Welle

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Análise: Perspectivas desoladoras para o desemprego no Brasil

O economista Daniel Duque, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV IBRE), divulgou nesta semana prognósticos desoladores: com um crescimento econômico anual projetado de menos de 2%, só em 2033 o desemprego no Brasil retrocederá novamente para abaixo dos 10%.

No momento, 12,5% da população economicamente ativa está sem trabalho, depois de um mínimo de 6,2% em 2013. Contudo, na época o governo pagou caro por esse nível de ocupação, com um déficit estatal alto – muito mais gastos do que arrecadação – e preços elevados de energia e transporte, por exemplo. A economia do país sofre até hoje as consequências dessa “política de emprego”.

Hoje são 13,2 milhões de desempregados, e os números são ainda mais desoladores, se considerados também os que estão subempregados ou desistiram de procurar trabalho, com o total de afetados chegando a 28,4 milhões.

Em comparação: com 512 milhões de habitantes, ou seja, cerca de duas vezes e meia a população do Brasil, a União Europeia tem 16 milhões de desempregados, além de redes de assistência social ausentes no Brasil. E isso apesar de alguns Estados do bloco europeu também apresentarem taxa alta de desemprego.

Por mais sombrios que soem os prognósticos de Duque, é preciso notar que eles se baseiam em estimativas conjunturais otimistas. Um crescimento médio do PIB de cerca de 2% ao ano é bem superior ao que o Brasil tem apresentado historicamente. Desde 1980 o crescimento per capita tem estado bem abaixo da média da economia mundial, limitando-se a cerca de 1% ao ano.

O país ainda não tomou consciência da bomba prestes a explodir em seu mercado de trabalho. Pois o desemprego ainda deve crescer, quando, devido à digitalização da sociedade brasileira, ainda mais cidadãos perderem seus empregos. A recessão e o mercado fechado, com pouca concorrência, proporcionou às empresas nacionais uma pausa para respirar, em termos de modernização e automatização.

Há mais de duas décadas a produtividade das empresas brasileiras está estagnada. Porém os planos de abertura do mercado as forçam agora a modernizar suas unidades – do contrário, não terão chance contra os produtos importados, e muito menos poderão competir na exportação: a palavra-chave é “indústria 4.0”. Nesse processo de reestruturação, os brasileiros perderão postos de trabalho em massa, acompanhando a reviravolta estrutural que se realiza em todo o mundo.

A grande diferença é que a formação profissional dos brasileiros é especialmente deficiente. Um exemplo: a firma Atento, que opera redes de call centers e telemarketing e se apresenta como maior empregadora do país, recentemente anunciou 1.200 vagas na bolsa de empregos de São Paulo. Apresentaram-se 600 interessados, e apenas sete vagas foram preenchidas. A rede de supermercados Pão de Açúcar também ofereceu 2 mil empregos: 700 pessoas pareciam ser adequadas para vagas, mas somente 32 postos foram ocupados até agora.

Segundo Ricardo Patah, presidente da União Geral do Trabalhadores (UGT), o motivo para tantas vagas abertas em meio ao alto desemprego é a falta de candidatos que dominem as operações aritméticas básicas, saibam se expressar e possuam conhecimentos mínimos de informática que lhes permitam trabalhar no caixa ou operar um PC com monitor.

O abismo entre as exigências dos empresários e a qualificação existente fica cada vez maior: dos 13,4 milhões de desempregados no primeiro trimestre de 2019, 635 mil eram considerados difíceis de colocar no mercado – mais do que o dobro do que em 2014, antes da recessão.

Fabio Bentes, economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), calcula que dentro de dez anos 1,4 milhão de brasileiros não terão qualquer chance de conseguir emprego por falta de qualificação, mesmo que o país volte a crescer economicamente. Cada vez mais universitários ou jovens com ensino médio completo assumem funções simples, de caixa ou num call center, os quais, a rigor, são empregos típicos de baixa qualificação no Brasil.

Ainda assim, há um lampejo de esperança no mercado de trabalho brasileiro: pela primeira vez em quatro anos, no primeiro semestre de 2019 aumentou o número dos empregados fixos.

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5 Comentários
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  1. Evandro

    7 de junho de 2019 6:52 pm

    Apenas conjecturas: qual o salário oferecido pelo Pão de Açúcar? Posso concordar com o que foi dito, mas não deveria ser levado em conta quanto em tempo, transporte, alimentação, moradia, etc. se gasta ante o salário oferecido?

  2. o velho

    7 de junho de 2019 10:54 pm

    Os economistas são uma gracinha! Se o desemprego não pára de subir, se seus motivos se agravam, como poderia diminuir até 2033? Mesmo com as modificações nas estatísticas que poderão ser forçadas ao IBGE não vejo como ocorrer nenhuma diminuição, com a economia em baixa, e a terceirização e mecanização em alta.

  3. Arlei Macedo

    7 de junho de 2019 10:57 pm

    Seria possível ver por que quando eu faço um comentário, sem nunca ter feito outro igual, aparece
    Detectado comentário repetido; parece que você já disse isso! Hoje isto aconteceu quatro vezes, em comentários difentes, em nome de O velho, [email protected]
    Eles foram

  4. Anônimo

    8 de junho de 2019 1:38 am

    É extremamente interessante a desinformação que geram estes “especialistas”, simplesmente colocam que havia X vagas, não dizem nada quanto pagavam, qual o tipo de contratação, se havia ou não vale refeição ou outros benefícios e dizem que para um salário mínimo, que qualquer “bico” paga mais do que isto e dizem que não há oferta de mão de obra qualificada.

  5. Anônimo

    8 de junho de 2019 10:15 am

    “No momento, 12,5% da população economicamente ativa está sem trabalho, depois de um mínimo de 6,2% em 2013. Contudo, na época o governo pagou caro por esse nível de ocupação, com um déficit estatal alto – muito mais gastos do que arrecadação – e preços elevados de energia e transporte, por exemplo. A economia do país sofre até hoje as consequências dessa “política de emprego”.
    Quer dizer que o pleno emprego de 2013 é o responsável pela pindaíba em que nos encontramos? Aja paciência, para não falar outra coisa!!

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