Peça 1 – os escritórios de contabilidade
O escândalo do Banco Master envolve agudamente escritórios de contabilidade. Em outras circunstâncias, escritórios de auditoria e agências de risco estariam no centro do escândalo do Master.
Peça central do golpe foi a avaliação da Fitch conferindo nota máxima aos papéis do Master vendidos no Brasil, e nota ruim se fossem vendidos no exterior. A alegação era de que, no Brasil, havia a garantia do Fundo Garantidor de Créditos. Foi esse laudo que destravou todas as aplicações de fundos de previdência no Master, sem que eles tivessem direito ao FGC.
O problema é grave: KPMG, EY, PwC e Crowe — as quatro maiores auditorias do mundo — deram pareceres sem ressalvas sobre balanços que continham ativos fraudulentos, incluindo cerca de R$ 45 bilhões em créditos de carbono supostamente lastreados em terras da União que nunca existiram daquela forma.
O Banco Central descobriu a fraude checando apenas 30 CPFs aleatoriamente — verificação básica que nenhuma das auditorias fez.
O nome que aparece com mais força é a Crédito & Mercado Consultoria de Investimentos, presidida por Renan Calamia. E, com as revelações de agosto de 2026, ela deixou de ser apenas uma prestadora periférica: a PF investiga se a consultoria teria participado da própria montagem documental de aplicações no Master. (Folha de S.Paulo). Foi o único caso de operação da Polícia Federal autorizada por Mendonça.
Peça 2 – o caso da Crédito & Mercado
Há três círculos que começam a se tocar:
1. RPPS → Banco Master
Centenas de milhões de reais de previdências públicas foram aplicados em instrumentos do Master.
2. Contabilidade/auditoria → CFC
A relevância das firmas de auditoria pode ser levantada a partir das empresas de previdência atendidas pela Crédito & Mercado, consultoria diretamente envolvida no golpe.
| RPPS | Aplicação no Master | Consultoria/auditoria identificada | O que dizia o parecer/apuração |
| Iprev Maceió | R$ 97 milhões | Crédito & Mercado | A PF suspeita que a consultoria tenha participado do credenciamento, elaboração/validação de análises e formação documental das operações. A empresa nega ter recomendado ou analisado especificamente os aportes. |
| Campos dos Goytacazes/RJ | parte de R$ 122 milhões junto com Santo Antônio de Posse | Crédito & Mercado | A PF investiga a atuação da consultoria nas aplicações sem garantia do FGC. |
| Santo Antônio de Posse/SP | parte dos mesmos R$ 122 milhões | Crédito & Mercado | Mesma linha investigativa da PF. |
| São Gabriel do Oeste/MS – SGOPREV | R$ 3,4 milhões | Crédito & Mercado | Parecer de 12/9/2025 considerou que o Master atendia aos requisitos legais e de risco da Resolução CMN 4.963, apesar dos alertas públicos já existentes sobre o banco. (Idest) |
| Imbituva/PR – FUNPREV | R$ 4 milhões | fiscalização posterior do TCE-PR | Auditores concluíram que a aplicação contrariou a própria política do RPPS: Master tinha rating BBB, enquanto a política exigia no mínimo BBB+, e não havia análise formal do risco de crédito. (TCE-PR) |
Segundo a PF, a Crédito & Mercado teria ido além de uma consultoria independente e participado da condução do credenciamento do Master, da elaboração ou validação de análises e da documentação que permitiu os investimentos.
André Mendonça autorizou busca e apreensão na sede da empresa e determinou o bloqueio de bens de Renan Calamia, presidente da consultoria. (Folha de S.Paulo)
Peça 3 – as firmas de auditoria do Master
Essa é a distinção decisiva: em regra, ninguém “auditava os dados para a Crédito & Mercado” antes de eles entrarem nos estudos da consultoria. Crédito & Mercado recebia boa parte dos dados do próprio RPPS e de fontes/registros oficiais e declarava expressamente que não os auditava.
Num estudo ALM da própria Crédito & Mercado, a ressalva é inequívoca: o relatório foi elaborado com premissas, cenários e informações “fornecidas pelo RPPS”, e a consultoria declara não ter realizado auditoria “contábil, legal, ou qualquer outra” sobre esses dados. (RPPS Palmeira)
Os dados trabalhados pela Crédito & Mercado provinham de pelo menos três fluxos distintos.
Dados da carteira do RPPS (Regime Próprio de Previdência Social): posições, aplicações, resgates, saldos, extratos, movimentações e informações do próprio instituto. A Crédito & Mercado recebia essas informações e as processava em sua plataforma. Alguns contratos chegavam a incluir a preparação/transmissão do DAIR e DPIN ao Cadprev, ou seja, a consultoria participava da organização e processamento dos dados regulatórios, mas isso não equivale a auditá-los. (Previdência de Itau)
Dados dos produtos e instituições financeiras: vinham de fontes como Anbima, CVM e fornecedores especializados de informações financeiras. Uma proposta da própria Crédito & Mercado diz expressamente que as informações apresentadas pelo sistema eram organizadas a partir dessas fontes. (Iprem)
Dados contábeis e previdenciários: normalmente provinham da contabilidade do próprio RPPS ou de uma empresa de contabilidade contratada separadamente. Há RPPS em que aparecem simultaneamente uma empresa de consultoria contábil e a Crédito & Mercado como consultoria de investimentos. Campanário é um exemplo bastante claro dessa separação. (RPPS Campanário)
Para saber que o RPPS possuía, por exemplo, R$ 100 milhões disponíveis, a consultoria podia confiar nos registros fornecidos pelo instituto.
Mas para afirmar que:
Banco Master apresentava baixo risco de crédito, índice de Basileia adequado, boa situação financeira, rating satisfatório, LF compatível com a política do RPPS,
ela precisava recorrer a informações financeiras sobre o próprio Master.
Essa era a informação básica que destrava os depósitos dos RPPS para o Master.
E aqui aparece a conexão: Quem auditava os dados financeiros do Master?
A partir de 2022, KPMG.
Portanto, podemos ter uma cadeia como:
Banco Master
→ produz demonstrações financeiras
→ KPMG audita
→ balanços e indicadores são publicados
→ agências de rating/bases financeiras/CVM/Bacen e outros fornecedores incorporam informações
→ Crédito & Mercado utiliza indicadores para sua análise
→ parecer sobre Master
→ RPPS compra a LF.
Nas análises de fundos produzidas pela Crédito & Mercado, ela identificava expressamente quem era o auditor do veículo. Num relatório para o RPPS de Rio Branco, por exemplo, a ficha traz:
Gestão: Vinci PartnersAdministrador: CaixaAuditoria: KPMG
junto com taxas, benchmark, enquadramento etc. (RBPREV)
Ou seja, a identidade do auditor fazia parte do conjunto de informações utilizado pela consultoria para caracterizar o investimento.
Peça 4 – os contratos com o ITER
O primeiro contrato do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) com o ITER foi publicado em 12 de maio de 2026: R$ 349.800, por inexigibilidade. O tema do curso era curioso, pois nada tinha a ver com a profissão de contabilista: “A Arte e a Ciência da Oratória”. O próprio CFC descreve oficialmente o objeto como curso “coordenado e ministrado” por André Luiz de Almeida Mendonça, ministro do STF e do TSE.
E especifica que as vagas seriam destinadas a dirigentes e empregados que atuam em “direção, assessoramento estratégico e representação institucional”. Ou seja, não se tratava de formação técnica em contabilidade: era formação da cúpula institucional do Conselho. (::Conselho Federal de Contabilidade::).
O segundo contrato foi de agosto de 2026. O CFC contratou novamente o ITER por R$ 1.382.000 para uma “imersão de liderança e governança” destinada a até 100 pessoas: presidente, vice-presidente, conselho consultivo, diretores e técnicos do CFC e dos Conselhos Regionais.
E o objeto oficial determina que o programa terá uma: “Conferência Magna de abertura do Ministro André Mendonça”. O pacote inclui cinco noites no Grande Hotel Campos do Jordão, alimentação, instalações e programa acadêmico. (GuiaPJ Licitações).
Portanto, não parece uma relação episódica. Em três meses, o CFC contratou duas vezes a instituição ligada ao ministro e, nas duas operações, Mendonça aparece nominalmente como elemento central do produto adquirido.
O CFC regula e fiscaliza os profissionais de contabilidade envolvidos nas demonstrações financeiras. E Joaquim confirmou oficialmente que o sistema CFC/CRC-SP instaurou apuração relacionada ao Master. (Senado Federal)
Mendonça tornou-se relator no STF do núcleo criminal do caso Master.
E justamente em 2026, pouco mais de dois meses depois de sua indicação:
CFC → R$ 349,8 mil → Iter → curso ministrado por Mendonça
e depois:
CFC → cerca de R$ 1,38 milhão → Iter → evento com conferência magna de Mendonça.
Isso significa que a entidade que representa os escritórios de contabilidade e auditoria envolvidos com o caso Master, contratou duas vezes, por aproximadamente R$ 1,73 milhão, a instituição ligada ao ministro que conduz no STF a investigação criminal do mesmo escândalo.
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fabricio coyote
24 de agosto de 2026 9:16 amJornalismo. gilmar mendes fez escola com idp que deveria chamar se idpp (instituto de direito público, privado)
Fábio de Oliveira Ribeiro
24 de agosto de 2026 9:21 amNum país em que o Salário Mínimo é 1,62 mil reais ninguém pode dizer que a remuneração dos ministros do STF é inadequada. Cada Ministro recebe salário base de 46,36 mil reais por mês, ao qual devem ser acrescentados auxílio moradia e auxílio alimentação. Além disso, os Ministros em acesso a carro oficial, segurança pessoal e cota de passagens de avião.
A corte tem mais de mil servidores e um orçamento respeitavel: R$ 232,7 milhões em 2025 (R$ 179,7 milhões em 2024) – 59% do orçamento é gasto com pessoal:
11 Ministros
38 juízes designados
1030 servidores
92 servidores cedidos ao STF
49 sem vínculo efetivo
1 exercício provisório
Os dados coletados no relatório de gestão são respeitáveis https://www.stf.jus.br/arquivo/cms/transparenciaRelatorioGestao/anexo/RelatriodeGesto2025..pdf
Apesar do tamanho e da importância da Suprema Corte, alguns Ministros não a encaram como um destino final, a realização máxima da carreira de um jurista ou de qualquer profissional renomado que atuou nas diversas carreiras jurídicas. Ao contrário, os Ministros dinheiristas do STF estão mais preocupados com o que podem ganhar utilizando o prestígio do cargo do que com aquilo que realmente ganham exercendo a função púnlica. Os patrimônios pessoais de alguns desses Ministros se multiplicam ao infinito com palestras, cursos, etc…
Não raro, Ministros do STF tem sido sugados para a sociedade do espetáculo. Eles se tornam celebridades televisivas, “influencers” com pedigree e grande espaço nas plataformas de internet, onde blogam, dão entrevistas e se comportam como se pudessem decidir qualquer coisa sobre qualquer assunto à qualquer momento. Poucos mantém o necessário recato e se limitam a decidir os processos em que atuam. A vaidade de alguns deles parece não ter qualquer limite e isso se torna uma vulnerabilidade, porque a credibilidade da Suprema Corte pode ser abalada por causa de escandalos pessoais protabonizados pelo Ministro dela.
Nesse momento, além de se dedicar muito à ganhar dinheiro fora do Tribunal, André Mendonça tem cometido abusos evidentes para tentar interferir no resultado da eleição. Quem irá responsabilizá-lo pelos seus atos e em que momento isso ocorrerá?
Sérgio Santos
24 de agosto de 2026 9:51 amDesde o caso Enron/Arthur Andersen inúmeros outros caso semelhantes ocorreram mundo afora. Aparentemente porque o caso Enron serviu como uma aula, não como um mal exemplo e um buraco a ser fechado com leis, fiscalização e penas rigorosas. Né?!
Edivaldo Dias de Oliveira
24 de agosto de 2026 10:16 amAs duas reportagens aqui contida era para ser disseminada por todos os blogues, que poderiam aprofundar ou não. Mas parece que a concorrência não deixa. De minha parte espalhei as duas por vários grupos de zap inclusive de dirigentes bancários e metalúrgicos e recomendei, que publicassem nos sites dos sindicatos. Tá na hora dos deputados progressistas provocarem a PGR e o CNJ.
JÚÚÚRURUZÉÉÉpontom...
24 de agosto de 2026 11:20 amÉ POR ISSO Q JORNALISTAS RAIZ NÃO VENDIDOS AO “SISTEMA”PODRE COMO O NASSIF(ACHO)NÃO TÊM MAIS VEZ NAS GRANDES MIDIAS CORPPRATIVAS MIMADAS AFF,DESDE O GOLPE NA DILMA ELES RESOLVERAM LUCRAR A QQ CUSTO E FAZER POLÍTICA PARA OS 1 POR CENTO NA MARRA SEM PUDOR E LIMITES,VOU CITAR O MASTER POIS TODOS SABIAM QUEM ERAM E IAM LÁ PEGAR O SEU,UMA VERDADEIRA SURUNA PUTARIA MONETÁRIA AFF ENQUANTO TODO O SISTEMA CULPA LULA OCUPANDO A MENTE DOS MAIS FRACOS JÁ SE PASSATAM MAIS DE DEZ ANOS NESTE RITMO FRENÉTICO DE OCULTAÇÃO E DIFAMAÇÃO SEM TER O DEVIDO ENFRENTAMENTO ADEQUADO E MUDANDO NA MARRA E SACANAGEM AS ESTRUTURAS DO PAIS PARA UM MUNDO AOS 1 POR CENTO TUDO APOIADO PELAS MIDIAS MIMADAS BILIONARIAS,PROFISSIONAIS LIBERAIS,COMÉRCIO,INDÚSTRIAS E ETC…SEM NOÇÃO NEMJUMA DOS PORQUÊS DE SEUS SUCESSOS E INSUCESSOS ATRAVÉS DAS CONDIÇÕES DADAS PELO SEU PAÍS,SEUS GOVERNANTES (PÚBLICO)AFF ACHAM Q TUDO CAIU DO CÉU OSÓ SABEM GANHAR DINHEIRO E FALAR MAL INDO NAS IDÉIAS DOS OUTROS INDO NA MODIMHA DA VEZ É INCRIVEL NÃO ENXERGAREM OS ESTRAGOS TEMERBOLSO AFF !!!
Dejalci Eduardo Fontana Martins
24 de agosto de 2026 11:40 amNassif, de repente aparece: ” Joaquim confirmou…”. Quem é Joaquim?
Rui Ribeiro
24 de agosto de 2026 12:16 pmO home é terrivé mente evanjegue
Nicolau Frederico de Souza Jor
24 de agosto de 2026 8:29 pmMeu colega e amigo jornalista @Luis Nassif. Ao que tudo indica na sua reportagem é mais um fato que mostra os tentáculos do Banco Master também chegando ao Poder Judiciário, quem diria!
Joao
25 de agosto de 2026 9:19 amEntão o Absorvente Higienico, confirma o que se fala dele ser Terrivelmente Criminoso
WALTER JOSÉ RINALDI FILHO
26 de agosto de 2026 10:05 amE a pergunta que fica: assim como o Toffoli foi acuado e, sem força/personalidade declinou da relatoria do caso Master, não seria o caso também dos demais integrantes da Corte pressionarem o Min. terrivelmente invangélico a declinar, em face desses negócios obscuros com o “probo” Castro, também envolvido até o pescoço com o Master????
Veritas
28 de agosto de 2026 5:40 pmO Ministro Toffoli foi sócio de empresa administrada por familiares. Nesta empresa, jamais realizou atos de gestão. Contudo, por esta empresa ter firmado contratos com o Banco Master, bem antes das ações judiciais serem distribuídas no STF, em novembro de 2025. Em dezembro de 2025 e em janeiro e fevereiro de 2026, houve uma forte campanha contra a permanência de Dias Toffoli, como juiz relator, nos processos que decidiriam o caso. Neste contexto, Toffolli, “considerados os altos interesses institucionais”, pediu que o caso fosse redistribuído para outro ministro da Corte em fevereiro de 2026.
No texto assinado por todos os Ministros do STF, a Corte afirmou ainda “não ser caso de cabimento para a arguição de suspeição”, que reconhecem “a plena validade dos atos praticados pelo Ministro Dias Toffoli” e que expressam “apoio pessoal ao Exmo. Min. Dias Toffoli, respeitando a dignidade de Sua Excelência, bem como a inexistência de suspeição ou de impedimento”.
O Instituto Iter, sociedade anônima fechada, do qual o Ministro André Mendonça é sócio, professor e garoto propaganda principal, entre maio de 2024 e outubro de 2025, firmou contratos com a Consórcio Intermunicipal do Oeste Paulista, com o Tribunal de Justiça do Amazonas e com o Conselho Federal de Contabilidade, partes interessadas, integralmente envolvidas nas ações do Banco Master. É notório que nestas circunstâncias, a imparcialidade do magistrado, princípio fundamental do devido processo legal, está sobejamente comprometida, ainda mais que a de Toffoli na situação acima.
Porém, neste caso, não há a grita desesperada da imprensa marrom para a mudança do juiz natural relator. É um magistrado aliado dos jornalões e da extrema direita nacional e internacional no atual contexto. Daí o silêncio e acobertamento feitos, por estes grupos políticos, não só sobre o caso Master e seus 60 bilhões ilicitamente desviados, mas também do comprometimento objetivo da imparcialidade do Ministro André Mendonça no caso.