

Por Deborah Diniz
2016 foi ano de olharmos para os femicídios causados pela lei
Temos uma lei de feminicídio que define o crime quando se mata uma mulher pelo simples fato de ser uma mulher. Nos termos da lei penal, um qualificador ao crime genérico do homicídio. O feminicídio é um escândalo: a morte é por ódio às mulheres na casa, nos afetos, nas famílias. Mas há outro escândalo – a matança de mulheres pela ilegalidade do aborto. Dados divulgados pelo jornal O Estado de S. Paulo dizem que 4 mulheres morrem por dia em consequência do aborto clandestino. Das 1.300 mulheres que abortam por dia, segundo dados da Pesquisa Nacional de Aborto, 4 delas podem morrer. É 1 mulher morta a cada 6 horas.

Do Outras Palavras
A mídia ocidental finge que não vê. Mas a libertação da cidade — semi-tomada durante quatro anos pelos fundamentalistas — tem sentido humanitário, muito mais que geopolítico
Por Sanjay Kapoor, do Hard News, de Delhi | Tradução Cauê S. Ameni
publicado em 18/12/2016
Observando através do prisma da história foi, sem dúvida, um blitzkrieg. Em alguns dias, o distrito oriental de Aleppo, que estava sob a ocupação de uma miríades de radicais islâmicos, derreteu como uma vela com a enorme pressão montada pela coalizão conjunta entre Exército Árabe Sírio, força aérea russa e milícias do Hezbollah.
O sucesso veio em grandes passos: a área da ocupação pelas tropas leais a Bashar Assad aumentou de 68% para 85% em uma semana e, ao fim, para 98%. É neste ponto que a mídia ocidental, após romancear a resistência dos islâmicos radicais – incluindo Abu Sakkar, que posou em frente as câmeras comendo os corações de soldados sírios –, começou a exigir que as forças ocidentais deveriam entrar para parar o “genocídio” de 200 mil pessoas presas na enclave sob o controle dos milicianos. Os russos, atacados na Assembléia Geral da ONU pela embaixadora norte-americana Samantha Power pela crueldade com que teriam matado crianças, concordou com o cessar-fogo e uma saída controlada dos rebeldes para Idlib e outras áreas.


Da Revista Brasileiros
É difícil explicar o que vem acontecendo no mundo. Bom, sejamos mais precisos: o mundo nunca é propriamente explicável e quem disser que o entende ou mente ou se ilude; o que hoje está especialmente difícil de processar é a série de eventos inesperados, por muitos pensados como improváveis senão impossíveis, que se concretizaram e jogaram tantos numa espécie de estupor.

Por Marcio Ferrari
Um período de cerca de 35 anos separa as primeiras articulações de setores da sociedade brasileira em favor de políticas relacionadas à regulação da fecundidade e os dias de hoje, em que as reivindicações se efetivaram, pelo menos parcialmente, na forma de leis e serviços oferecidos pelas redes públicas de saúde. “Houve um avanço notável nessas quase quatro décadas”, diz a psicóloga Margareth Arilha, pesquisadora do Núcleo de Estudos de População (Nepo) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A primeira reivindicação atendida, segundo a antropóloga Andrea Moraes Alves, professora da Escola de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), foi a criação, em 1983, do Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher (Paism).

1.
Política e economia mantém entre si relações complexas de reciprocidade.
Cai em erro quem queira analisar a política sem entendê-la como uma das esferas onde são criadas as condições para o funcionamento da economia, e erra ainda mais quem pretenda ver na economia a pura e única determinante da política, sem qualquer influência de outras esferas. As duas têm de ser compreendidas em conjunto, em especial quando se considera que o aparelho tradicional do Estado (Executivo, Legislativo e Judiciário) é a esfera por excelência de relações intracapitalistas, e as empresas (nacionais ou transnacionais, micro ou gigantes, pouco importa) são uma forma ampliada de Estado, e são, por excelência, a esfera de relações entre capitalistas e trabalhadores.

Qual é a verdadeira posição política de Jair Bolsonaro? Alguém sabe?
por Rogério Maestri
Muito se tem falado nos últimos anos nesta figura política que se chama Jair Bolsonaro que milita como deputado federal há décadas (1991-até a presente data=25 anos), bem menos tempo que serviu ao exército (11 anos) de forma, que já tentando localizá-lo no espectro político, podemos dizer que ele representa mais as forças conservadoras do que o próprio exército, pois sua “memória de militar” já faz parte de seu passado longínquo.
Pois bem, muito se tem falado, mas na realidade poucos falam sobre qual a verdadeira posição política deste político bem votado no Rio de Janeiro. Geralmente as críticas a este político vêm principalmente de dois deputados federais, a deputada Maria do Rosário do PT e mais recentemente do deputado Jean Wyllys do PSOL.

Por Roberto Liebgott
Filósofo, bacharel em Direto e Coordenador do Cimi Regional Sul
Do Conselho Indigenista Missionário
Inicio esta avaliação referente ao ano de 2016 lembrando que o contexto sócio-político e econômico do Brasil é guiado pelo capitalismo neoliberal. Mesmo as crises e suas consequências estão, em certa medida, previstas dentro deste modelo. No Brasil, as intermináveis crises acabam sendo resolvidas dentro da racionalidade neoliberal -com impacto para o conjunto das sociedades do país. Por isso, às vezes, o que parece ser o fim do caminho é na verdade o término de um ciclo.
Maurizio Lazzarato, em suas obras, enfatiza que os neoliberais têm, claramente, uma política social. A sociedade, com o neoliberalismo, é alvo de uma intervenção permanente. O que mudou, ao longo dos anos, foram o objeto e a finalidade dessa intervenção. Como a mola propulsora, no atual modelo, é a concorrência – estimulada como forma de relação entre setores, entre empresas, entre equipes, entre trabalhadores – não há como escapar das desigualdades. Em outras palavras, a concorrência se dá, invariavelmente, entre desiguais. Há aqueles setores, segmentos, grupos e pessoas que têm condições de se manter nesta constante concorrência e outras que se tornam residuais.

Movimento Brasil Agora
Retrospectiva 2016 de jeito não visto pela Globo e outras mídias
por J. Carlos de Assis
Como a grande mídia costuma fazer, também eu farei a retrospectiva de 2016. O ano começou com o reconhecimento de uma contração da economia de 3,8%, taxa inédita na história econômica brasileira. O desemprego saltou de menos de 5% para mais de 10%. Os investimentos continuaram desabando. A Petrobrás e as grandes empreiteiras de sua cadeia produtiva continuaram sendo destruídas pela Lava Jato, que lhes impôs indenizações e multas bilionárias, provocando desemprego de centenas de milhares de pessoas. O Governo de Dilma ficou paralisado na questão do emprego e repassou um PIB deprimente ao sucessor.
No campo político, irregularidades triviais – e ações que nem chegavam a ser classificadas como ilegais – serviram de base para um processo de impeachment que foi concluído na base do julgamento pelo “conjunto da obra”, e não por crime de responsabilidade. Em razão disso, a base política de Dilma denunciou o que se constituiu efetivamente um golpe, a despeito da aparente constitucionalidade, resultando numa divisão terrível na sociedade acompanhando a radicalização do processo político.


O ocupante do Palácio do Planalto oferece, como presente de Natal, o maior retrocesso em termos de direitos trabalhistas que algum governo ousou promover.
Nos canais dominantes da mídia, analistas de política, economia e assuntos gerais abusam do “veja bem…” para justificar o assalto.
Leia mais »
por Maria Inês Nassif
Eu não sonho com um Ano Novo. Sonho com um mundo novo, delicado. Com pessoas novas, delicadas.
Que a delicadeza invada as suas vidas e as tornem humanas. Que a humanidade dentro delas exploda em direção ao mundo e o transforme em um mundo delicado.
E o mundo delicado trate com delicadeza todos os contemporâneos dessa era insana, que acreditam que eliminar pessoas pela guerra, pela fome e pelo preconceito faz parte de uma torpe lei natural, que consiste em eliminar os mais fracos para que os mais fortes prosperem.
Desejo um mundo melhor do que isso, feito por pessoas melhores do que essas que invadiram nossas vidas e nossas casas com o discurso de ódio e contra o direito do outro.
Nós os expulsaremos com a delicadeza dos que sabem que só a igualdade é justa.

Repetições da História: Tragédias e Farsas
por Fernando Nogueira da Costa
“A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”, escreveu Karl Marx no livro “Dezoito Brumário de Louis Bonaparte”, em 1852. Estudamos História para iluminar o entendimento do presente ou para nos servir como guia a seguir no futuro desconhecido?
A heurística – a arte de inventar ou fazer descobertas – mostra que as pessoas fazem seus julgamentos baseadas na similaridade entre situações atuais e outras situações vividas ou protótipos daquelas situações. Essa ligação heurística conduz-nos a acreditar que novo evento “parece igual” a alguma experiência prévia e confundir “aparência” e “realidade”. Porém, “semelhança com a verdade não é o mesmo que a verdade”...
Por exemplo, o populista de direita, Jânio Quadros, era avesso a partidos. Elegeu-se como deputado estadual, deputado federal, prefeito da capital paulista e governador estadual e presidente da República por coalizões improvisadas, sem se ater a nenhuma agremiação, sem ligar para nenhuma ideologia política. Confiava mais no instinto e no talento cênico. Seus discursos giravam em torno de dois temas de eterno apelo eleitoral: o combate à corrupção e a má qualidade da gestão pública. Ele cultivava a imagem de administrador incorruptível, ou seja, o que o moralismo inculcado como fosse a única “regra do jogo” a ser seguida por todos os políticos. Há eleitor que só cobra isso.

Reveillon dos Famosos
por Rui Daher
Sim, Almodóvar e Caetano, em Salvador; Neymar em sua nova casa, em Mangaratiba, RJ. Famosos na virada do ano.
Amigos do GGN, bom dia, boa tarde, boa noite, e com uma fé que não sei de onde arranquei, bom ano de 2017. Afinal, a III Guerra Mundial, que prevejo para breve, não acontecerá neste ano. Apenas os ricos continuarão mais ricos, os pobres mais pobres e, como diria Ivan Lessa, a quem nunca deixo de homenagear, o Bananão mais Bananão.
O réveillon foi em casa, acompanhado de minha mulher, alguns “puros” e etílico-excentricidades. Manjares, poucos. A cirurgia bariátrica cada vez mais me conduz à bulimia e a finitude me fará ser a Twiggy deste século. Pernilongos de Pinheiros nos fizeram companhia. Fiéis mesmo enquanto espocavam os fogos vizinhos.
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