1 de agosto de 2026

Ao Fábio Luis: Penas ao Vento, por Aroldo Camillo Filho

Estamos diante de uma típica fishing expedition — “pesca probatória” para procurar indícios onde não há fatos que justifiquem a investigação.
Fábio Luiz - Reprodução

Ministro André Mendonça autorizou inquérito para investigar suposta influência de Fábio Luís no governo atual.
Fábio Luís teve trajetória profissional em biologia, audiovisual e pioneirismo no setor de games com a Gamecorp.
Investigações anteriores não comprovaram crimes; denúncias causaram impacto pessoal e profissional a Fábio e seus sócios.

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Ao Fábio Luis: Penas ao Vento

por Aroldo Joaquim Camillo Filho – Amigo do Fábio

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Como amigo de longa data e testemunha de muitas batalhas de Fábio Luís Lula da Silva, sinto o dever ético e pessoal de romper o silêncio diante das notícias que voltaram a ocupar as manchetes nos últimos dias.

Hoje, 31 de julho de 2026, três dos principais veículos da grande imprensa estampam exatamente a mesma manchete em suas primeiras páginas. Não se trata apenas de textos semelhantes, mas da reprodução quase literal de uma mesma narrativa. A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizando a Polícia Federal a instaurar um inquérito para investigar suposta influência de Fábio no atual governo, soa como um triste e previsível déjà vu.

Como bem observou a coordenação jurídica de sua defesa, estamos diante de mais uma típica fishing expedition — uma “pesca probatória” destinada a procurar indícios onde não há fatos concretos que justifiquem a investigação. Requentam-se suspeitas antigas para produzir impacto político e alimentar manchetes.

Ao ver, mais uma vez, o nome de meu amigo exposto dessa forma, decidi contar um pouco de sua verdadeira história — a trajetória de mais um Silva de São Bernardo do Campo que boa parte da imprensa preferiu reduzir a caricaturas convenientes.

Nossa amizade vem de muitos anos, muito antes dos holofotes da política. Ao contrário do personagem do “estagiário milionário”, criado por parte da mídia, Fábio sempre foi um profissional dedicado.

Enquanto cursava Biologia, trabalhou como professor de inglês em um tradicional colégio do ABC para custear seus estudos. Formado em Ciências Biológicas, trabalhou com carteira assinada em empresas de engenharia, elaborando estudos de impacto ambiental. O tão ironizado estágio no Zoológico de São Paulo, frequentemente tratado com desprezo por alguns jornalistas, era, na realidade, um dos programas mais disputados por recém-formados, oferecendo especialização em mamíferos, aves e répteis. Seu projeto de seguir para uma pós-graduação em microbiologia foi interrompido apenas pela falta de recursos financeiros.

Sua trajetória empresarial também começou de maneira modesta.

Ao lado de dois amigos de infância — filhos de um histórico dirigente sindical petroleiro e companheiro de lutas de seu pai desde as greves do ABC — participou de um pequeno empreendimento voltado à produção audiovisual. Um deles, químico formado pela Unicamp, havia migrado para a computação gráfica, área ainda embrionária no Brasil.

Daquela iniciativa nasceu, em 1992, a M7 Produções. Fábio passou a integrar a empresa, desenvolvendo roteiros, coordenando produções e atendendo agências de publicidade da região de Campinas. Com o tempo, a produtora construiu estúdios próprios, realizou mais de 3 mil comerciais e cerca de uma centena de filmes institucionais para grandes marcas nacionais, tornando-se presença frequente entre os finalistas do prêmio Profissionais do Ano, da Rede Globo.

Poucos conhecem outra faceta importante dessa trajetória.

Muito antes da explosão da indústria mundial dos games — hoje maior que os mercados de cinema e música somados — Fábio já estudava profundamente esse universo. Escrevia análises de jogos e tecnologia para a Folhinha, da Folha de S.Paulo, justamente o jornal que anos depois passaria a atacá-lo. Em essência, fazia há mais de duas décadas o que hoje transformou inúmeros criadores de conteúdo em referências mundiais.

Essa experiência permitiu que seus sócios dessem o passo seguinte: a criação do Canal G4 Brasil, primeiro programa brasileiro de televisão dedicado exclusivamente ao universo dos videogames.

Em parceria com produtores paulistas ligados ao entretenimento jovem, o programa estreou na TV Bandeirantes. O êxito foi imediato. Inicialmente exibido aos sábados, rapidamente ganhou espaço diário em rede nacional.

Com o crescimento do projeto e perspectivas de expansão internacional, inclusive negociações envolvendo a Comcast, tornou-se necessária uma estrutura societária mais robusta. Assim nasceu a Gamecorp S.A., organizada como sociedade anônima de capital fechado, com planejamento elaborado pela DBO Trevisan, uma das consultorias mais respeitadas do país.

Foi nesse contexto que ocorreu o investimento da Telemar.

À época, operadoras de telecomunicações em todo o mundo buscavam conteúdo capaz de estimular a expansão da internet banda larga entre o público jovem. A Gamecorp possuía justamente esse ativo: a PlayTV, canal que começava a disputar audiência diretamente com a MTV Brasil.

Em 2005, a Telemar adquiriu participação minoritária na empresa. Ao contrário da narrativa construída posteriormente, os recursos não foram distribuídos entre os sócios. Permaneceram integralmente na companhia para financiar sua expansão.

Com esse investimento, a empresa estruturou estúdios, ampliou infraestrutura técnica, implantou sistemas de transmissão, contratou profissionais especializados e gerou mais de duzentos empregos diretos. A PlayTV passou a operar vinte e quatro horas por dia, alcançando aproximadamente vinte milhões de brasileiros com programação certificada pela Ancine.

Eleito CEO pelos acionistas, Fábio conduziu um amplo processo de reorganização administrativa, racionalizando custos, encerrando projetos deficitários e conduzindo a empresa ao equilíbrio financeiro.

Apesar da transparência da operação, instalou-se uma narrativa completamente diferente.

Ao longo de mais de quinze anos, sucederam-se centenas de reportagens negativas. A empresa foi investigada pela Polícia Federal, Ministério Público Federal, CADE, CVM e submetida a duas CPIs no Congresso Nacional, além de sucessivas diligências no âmbito da Operação Lava Jato.

Nenhuma dessas investigações resultou na comprovação de qualquer crime relacionado ao investimento da Telemar. As primeiras apurações do Ministério Público Federal foram arquivadas ainda em 2012 por ausência de provas.

Mesmo assim, o linchamento público jamais cessou.

O custo humano foi enorme.

Vi sócios enfrentarem depressão, famílias serem destruídas, casamentos terminarem e filhos sofrerem humilhações nas escolas. Empresas perderam contratos não por falta de competência, mas pelo receio político de clientes e anunciantes.

Espalharam-se histórias fantasiosas sobre jatinhos, fazendas e Ferraris douradas. Vazaram-se documentos sigilosos que, embora não apontassem crimes, eram apresentados como se fossem provas de corrupção. Faturamento empresarial foi deliberadamente confundido com patrimônio pessoal, numa sucessão de distorções incompatíveis com o jornalismo responsável.

Ao olhar para essa trajetória — iniciada numa pequena empresa de Campinas e transformada numa das pioneiras da economia digital brasileira — sinto orgulho da serenidade e da resistência de meu amigo.

Fábio jamais deixou de ser um empreendedor que ousou investir em um setor de vanguarda. Seu maior “crime”, para muitos, foi carregar um sobrenome que desperta paixões e preconceitos.

Podem reabrir investigações, produzir novas manchetes ou tentar reavivar antigas suspeitas. Os fatos permanecem os mesmos.

A verdade não muda conforme a conveniência política do momento.

E aos que insistem em julgá-lo sem conhecer essa história, resta apenas um pedido: pesquisem. Consultem os documentos públicos. Leiam os processos. Antes de repetir versões prontas, tenham o mínimo compromisso com os fatos.

Parabéns, Fábio. Conte sempre comigo.

O resto são penas ao vento.

Aroldo Camillo Filho é advogado.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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