
As atuais condições da economia brasileira convocam o debate mais urgente do que o normal sobre quais linhas de ação são compatíveis com as circunstâncias postas na realidade.
O grande valor das ideias de Lord Keynes não foram suas recomendações ao Presidente Roosevelt para executar uma política anti-recessão consubstanciada no New Deal. A lição mais importante de Keynes, rigoroso economista ortodoxo como só poderia ser um alto funcionário do Tesouro de Sua Majestade Britânica, foi mostrar o óbvio: uma política econômica deve ser desenhada de acordo com as circunstâncias, NÃO EXISTEM REGRAS FIXAS.
A lição de Keynes dos anos 30 foi desaprendida nos anos 80 quando a Escola de Chicago de forma pretensiosa entendeu que tinha pronta uma fórmula que faria toda política econômica depender da estabilidade monetária.
A Escola de Chicago é uma visão do sistema bancário americano sobre a economia ideal para esse sistema. Os ativos bancários são referenciados em moeda e não em produtos, portanto é crucial que a moeda seja estável, uma moeda que se desvaloriza prejudica o credor e beneficia o devedor.
Criado o modelo, tratou-se de divulga-lo como verdade revelada, disso se encarregou o Citibank numa série de conferências realizadas pelos mais importantes centros financeiros, coordenadas pela Argus Research e bancadas pelo Citi, onde Milton Friedman pregava a verdade revelada: toda a condução da política econômica deve girar sobre o eixo da estabilidade monetária.
É um axioma perigoso, como muitos economistas perceberam já na época de sua pregação.
Há circunstâncias que exigem a ferramenta do estimulo monetário para combater tendencia depressiva. Bancos Centrais tem por função regular a moeda para dois lados: combater a inflação e também combater a recessão.
Quando há recessão é preciso abrir a torneira da inflação como instrumento de avanço da atividade econômica. Quando a economia está muito aquecida é preciso frear neutralizando os estímulos creditícios.
No Brasil o nosso BC esqueceu que sua função é também estimular a atividade econômica com as ferramentas clássicas da expansão monetária. Não lhe cabe provocar recessão, essa não é função de Banco Central. BC combatem a inflação e a recessão, não as provocam.
Há um evidente erro de dosagem na taxa de juros básica. É elementar que em meio a uma recessão não se deve aprofundá-la com elevação de taxa de juros, isso sabe um calouro de economia. Como o BC brasileiro pode errar tanto?
Keynes ensinou que a política econômica não é uma religião, seus maestros não podem ser principístas, se guiarem por princípios e modelos. Eles devem ser pragmáticos e suas ações baseadas nas circunstâncias.
O ajuste fiscal pretendido pelo Plano Levy no atual quadro não se realizará em 1, 2, 5 ou 10 anos porque suas premissas são auto destrutivas, quanto mais recessão menos arrecadação e maior a carga dos juros sobre a economia, é uma rosca espanada girando em falso. Mas como é possível um grupo de economistas desenhar um plano tão absurdo?
As circunstâncias devem ditar a política: cortar gastos por combate aos desperdícios e fraudes, melhorar a eficiência da máquina. Fazer mais com menos, tudo isso é racional. Mas cortar os juros pela metade, vai resultar na saída de dinheiro do rentismo para a produção. Haverá inflação? Pode ser, mas por bons motivos, porque empregos estarão sendo criados.
Com a volta do crescimento mudam as circunstâncias e deve mudar a política, para um modelo que contenha a inflação, se ela esta surgir. Como disse Keynes em sua frase lapidar:
– Mas o senhor muda seu pensamento a toda hora?
Keynes – Não minha senhora, eu não mudo, o que mudam são as circunstâncias.
Severino Januário
18 de outubro de 2015 11:08 amO plano Levy
Ainda estou
O plano Levy
Ainda estou por entender porque a Lava Jato se rebelou contra o Cunha. Talvez dissidências de golpistas. Mas devemos ter em mente o seguinte: Quando o Supremo mandou prender um deputado, fui um daqueles muitos que consideraram um absurdo esta medida. Nem sequer lembro quem foi o deputado, de um estado do Norte, é o que me lembro. Condenado por deslavada corrupção. Agora, estamos na iminência de uma nova questão sobre prisões de deputados. Não é necessário dizer que a posição sobre isso refere-se a perseguições políticas, não a fatos que dizem respeito a roubos e a crimes semelhantes. Defender Eduardo Cunha, porque ele seria o ápice de uma posição política que prega querer refundar a República brasileira exterminando a maldita corrupção, seria a morte da democracia. Mas não é disso que se trata. Nenhuma república pode ser refundada através da ação primordial de um homem sem qualquer moral. Verdade verdadeira, o que há é a resistência de corruptos em torno de um corrupto, usando o nome de um dos poderes da Nação, apoiados todos por jornais suspeitos, infringindo leis e tentando fazer prevalecer os desejos de um grupo sobre a correta visão do estado de direito.
Ivanisa Teitelroit Martins
18 de outubro de 2015 11:29 ammais claro impossível
Parabéns pelo texto tão elucidativo!
sergio martins pinto
18 de outubro de 2015 11:29 amÉ como dizia meu pai – muita
É como dizia meu pai – muita estupidez para ser burrice.
arkx
18 de outubro de 2015 11:51 amo dom do ridículo e o poder do trabalho
o que pode ser mais ridículo e sem noção:
após 1956, quando Kruschev denuncia os crimes do stalinismo, ainda se defender o modelo soviético?
ou
após 2008, quando a crise financeira desmoraliza o neoliberalismo, ainda se defender a mão invisível do mercado?
NÃO EXISTEM REGRAS FIXAS. por isto, não sou eu que mudo de opinião, o que mudam são as circunstâncias.
e o que ditam as atuais circunstâncias brasileiras: precisamos desenvolver o país tendo por fundamento a inclusão social. portanto um desenvolvimento que não se limite ao crescimento econômico e sim faça prosperar uma democracia social.
precisamos de um BC independente do mercado e a serviço do crescimento econômico e da manutenção da taxa de emprego; precisamos de pesquisa e tecnologia adequadas às nossas circunstâncias, gerando mão-de-obra qualificada para ocupar postos de trabalhos bem remunerados;
precisamos lançar mão de nossas “vantagens comparativas” no comércio exterior, mas não podemos nos limitar a elas, ao contrário, fazer delas, um instrumento para gerar um dinâmico mercado interno de massas;
precisamos de empresas fortes e internacionalizadas, mas não de oligopólios parasitando o orçamento público; precisamos de cadeias produtivas nacionais baseadas em APL (Arranjos Produtivos Locais) e em pequenas e médias empresas:
precisamos de uma outra organização de nossa economia; precisamos de um outro jeito de fazer política; precisamos de um futuro! sim, para isto é preciso ter esperança. mas esperança não basta! só o que nos pode dar esperança num futuro é nosso trabalho em construí-lo.
.
alfredo machado
18 de outubro de 2015 12:05 pmteimosia galopante
Andre,
” Como o BC brasileiro pode errar tanto? “, pois é, mas ainda acho que Tombini e sua gangue, aquela que todos desconhecem os nomes, são capazes de errar muito mais.
Como DR, infelizmente, não possui a mesma sagacidade de Lord Keynes, insiste em seu raciocínio caolho sejam quais forem as circunstâncias, daí a opção teimosa por JLevy e Tombini, este último com seus oito quadrilheiros companheiros do Copom a tiracolo.
Desde a sua chegada ao ministério, JLevy carrega o mantra do ajuste fiscal em dimensão só possível de ser alcançada no ano 3000, e embalado por tal delírio conseguiu piorar em 10 meses o que já não era lá grande coisa, mas ainda assim bem melhor que esta viagem ao desconhecido.
Em parceria com a LavaJato, esta fixação de JLevy já provocou dezenas de milhares de desempregados e uma projeção de PIB elevadíssima para os padrões da economia brasileira, algo próximo a – 3%, ou seja, recuará ao crescimento do turbulento 1990, ano da chegada de Collor ao Poder. Grande JLevy.
O desmiolado do BC só quer saber de domar a inflação, sendo capaz de elevar a Selic para 30% aa, se necessário. A banca agradece de joelhos a Tombinini e aos oito mosqueteiros sem -nome do Copom. Um mais oito é igual a nove, noves fora, zero.
Quanto ao inevitável impacto das medidas da dupla dinâmica sobre a sociedade brasileira, ora, isto deve ser encarado como o tal do efeito colateral, fogo amigo só que na bunda dos outros. E eu achava HMeirelles péssimo.
Não é possível ignorar que foi DR quem os colocou lá, portanto, o que está faltando…?
Tulio
19 de outubro de 2015 1:40 pmJá disse que o Tombini não é
Já disse que o Tombini não é burro. Quem estudou Metas de Inflação já conhecia o trabalho dele desde 2000. Pelo contrário, se não fosse por ele os juros já estariam em patamar pior. Só que ele sofre pressão da banca e do levy bradesco. Reduzir juros agora também não adiantaria nada. O negócio é emitir títulos lastreados em outro indexador que não seja a SELIC para a dívida não aumentar muito. Estamos na beira de um novo ataque especulativo, sabemos que ele virá quando o 2º selo de IG for rompido. Quanto mais tempo tivermos melhor.
bfcosta
18 de outubro de 2015 12:11 pmDiscordo de que Keynes seja
Discordo de que Keynes seja um “ortodoxo” cmo o texto o faz crer. O seu livro ” teoria geral do emprego, juro e moeda”, ele rompe com a ortodoxia vigente ao propor um novo modelo para análise do mercado de trabalho assim como propõe um outro significado completamente diferente do até então vigente para a taxa de juros. Keynes tinha sólida formação ortodoxa, como todos à sua época e hoje também continuam tendo, e foi isso justamente que o fez propor uma nova teoria pois via que o que até então era tido como teoria não explicava os acontecimentos à sua época. O fato de ele ter tido uma formação ortodoxa porém não o impediu de pensar fora da caixa quando isso se tornou necessário.
Andre Araujo
18 de outubro de 2015 12:40 pmhttp://www.ampltd.co.uk/digit
http://www.ampltd.co.uk/digital_guides/treasury_papers_series_2_JMK/Detailed-Listing.aspx
Durante a Grande Guerra Keynes ascendeu à chefia da Divisão A do Tesouro onde assessorava os Primeiros Ministros com uma opinião independente sobre as questões economicas inter-aiadas. A visão geral do Ministerio das Finanças (Chancellor of the Exequer) era obviamente ortodoxa e Keynes seguia essa linha do mainstream, foi isso que eu quis dizer. Keynes sempre teve opiniões francas e independentes mesmo contra o que pensavam seus chefes. A nova interpretação na Teoria Geral se deu muito tempo depois dessa época e a visão independente já se manifestou em AS CONSEQUENCIAS ECONOMICAS DA PAZ, seu primeiro livro, sobre os arranjos financeiros da Conferencia de Versalhes.
Glauber Costa Brito
18 de outubro de 2015 12:32 pmKeynes
Niall Ferguson escreveu um livro magistral, “The ascent of money”. Nele, Ferguson critica a frase famosa de Milton Friedman afirmando que “a inflação é um fenômeno monetário”. Porém, a hiperinflação é sempre e em qualquer lugar um fenômeno político, no sentido de que não pode ocorrer sem uma disfunção fundamental da economia política. A Alemanha do pré-segunda guerra fez justamente aquilo que Keynes jamais faria, talvez nem mesmo o Friedman. Deu no que deu.
JB Costa
18 de outubro de 2015 1:30 pmComo economista ad
Como economista ad hoc apreendo a atual política econômica do governo com foco excessivo, quase exclusivo, na situação fiscal, como simplista e reducionista. Uma política econômica bem a gosto dos ortodoxos e suas metáforas, particularmente a do pai de família que gasta mais do que ganha e que por isso fatalmente adentrará numa espiral que o levará ao inferno. Em função disso, o receituário é único: reduzir despesas e potencializar ganhos. Ingerir menos calorias?Tirar a meninada da escola? Isso são detalhes.
Se tal preconização é discutível até para essa atomização dos agentes econômicos imaginemos para uma “família” de 200 milhões de seres residentes numa “casinha” 8.500 mil Km2 e com inumeráveis problemas complexos a demandarem solução imediata.
Os pressupostos da política Levy é que solvido o problema fiscal automaticamente os demais seguirão a reboque. A variável equilíbrio das contas públicas está para os ortodoxos tal qual a “preços”(mais exatamente VALOR) esteve para a macroeconomia clássica. Imagino o tamanho da planilha de cálculo do atual ministro recheada de equações diferenciais e integrais, gráficos, fórmulas etc. Tudo numa matemática impecável. Se esta não se adequar, ou for insuficiente, à ou para a realidade, que se lasque esta.
Resumindo todos os méritos de Keynes, o maior talvez tenha sido elaborar uma análise econômica próxima da realidade. O que é mais ou menos o tema do post sob comento quando o dá como atento ás circunstâncias, aos fatos, aso fenômenos, e só a partir daí buscar o receituário.
Num delírio de otimismo se pode até imaginar a atual gestão da economia dar resultado em termos de equilíbrio fiscal. O problema subjacente é se haverá algum membro da “família” ainda vivo para comemorar.
Andre Araujo
18 de outubro de 2015 2:39 pmMeu caro Costa , vc acertou
Meu caro Costa , vc acertou na mosca. É espatosa a MEDIOCRIDADE de Levy, Tombini & Cia., não tem uma ideia criativa, um lampejo de circunstancias, um portal do futuro, são decoradores de cartilhas de Chicago, intelectualmene limitados às apostilas de cursos, não saem de um circulo ferreo de bem pensantes, tudo certinho nos lugares determinados.
A VIDA NÃO É ASSIM, A ECONOMIA NÃO FUNCIONA DESSE JEITO SIMPLISTA, feito o ajuste tudo volta ao normal, os investimentos se reiniciam, quanta fantasia. Pode-se matar a população de fome e os investimento SÓ VOLTARÃO se houver no horizonte perspectiva de crescimento e o simples ajuste não garante absolutamente que isso va ocorrer.
Mário Mendonça
18 de outubro de 2015 10:48 pmPrezado André
Inclui-se a
Prezado André
Inclui-se a presidente.
Gustavo Barcellos
18 de outubro de 2015 2:16 pmE se o propósito for a estabilidade política?
“Como é possível um grupo de economistas desenhar um plano tão absurdo?” Se o objetivo dos economistas for manter a estabilidade política, o plano não me parece tão absurdo assim. Siga o dinheiro: foram os que mais lucraram nos 12 anos de expansão do consumo e do crédito. Foram os primeiros da iniciativa privada a defender o mandato da presidenta. São provavelmente os únicos lucrando com a alta dos juros. Os banqueiros de 2015 podem ser os novos militares de 64, agora do lado da democracia.
Nicolas Crabbé
18 de outubro de 2015 2:43 pmQualquer semelhança…
André, basta olhar o que aconteceu (e ainda acontece) na Europa a partir da crise de 2008: Irlanda, Espanha, Portugal, Inglaterra, Grécia adotaram políticas fiscais restritivas num momento de crise, que só fizeram agravar a recessão.
Hoje, sete anos depois, NENHUM desses países conseguiu voltar ao PIB anterior à crise. Em todos eles, a renda mediana caiu, o desemprego subiu brutalmente. Mesmo assim, alguns têm a coragem de saudar o “sucesso” dessa política na Espanha, só porque a taxa de desemprego caiu de 26% no auge da depressão para 23% hoje, esquecendo convenientemente que era inferior a 10% em 2007-2008.
Infelizmente a política fiscal e monetária do Brasil vai exatamente na mesma direção, e o resultado não poderá ser diferente.
Jaide
18 de outubro de 2015 2:51 pmA propósito, André e Nassif,
A propósito, André e Nassif, o que vcs acham do fato descrito no link a seguir indicado?
http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Contra-o-golpe-fiscal-na-democracia-brasileira/4/34756A
Andre Araujo
19 de outubro de 2015 10:07 amInfelizmente o link não
Infelizmente o link não responde.
Jaide
19 de outubro de 2015 11:35 amDe fato, André, o link não
De fato, André, o link não responde. Mas o tema está no artigo de Saul Leblon que está hoje, 19.10, aqui publicado.
Jose Mayo
18 de outubro de 2015 2:53 pmEsta mesma conversa, com as mesmas opiniões…
Já ocorria aqui LNOL em janeiro!
Nada mudou… nem os “idiot savants” da área econômica que estão conduzindo a área produtiva do país ao fundo do poço, ao que parece para provar a velha tese de que, a partir do fundo, o único caminho é para cima (não fossem eles verdadeiros tatus!).
Eu sempre fui a favor de políticas keynesianas. Não “à la Bernanke”, jogando dinheiro fora, mas focando no investimento produtivo, na geração de emprego e consubsequente fortalecimento do MERCADO INTERNO.
Em situação como a de hoje o suporte não vai vir das grandes corporações, nem da mega indústria, nem comércio exterior; vai vir e só pode vir das PME e do agronegócio e é a esses dois setores que teria que estar sendo dirigida a política econômica e as “linhas de oxigênio”. É aí que reside 87% do PIB nacional e mais de 90% do mercado de trabalho, não apenas “do emprego”.
Severino Januário
18 de outubro de 2015 4:09 pmÉ impressionante como vocês,
É impressionante como vocês, economistas, não podem perceber o que vem acima da economia. E outra coisa impressionante é como vocês não conseguem ver a conjuntura política mundial, e só olham para o umbigo. Para seus governos, o Brasil está resistindo, com sucesso, à maior agressão de guerra não declarada de todos os tempos contra um país. Mil vezes maior que à Venezuela ou à própria Síria. Se o Brasil sair dessa, jogando Aécios e Cunhas no lixo, nada mais o deterá.
Severino Januário
18 de outubro de 2015 4:19 pmÉ impressionante como vocês,
É impressionante como vocês, economistas, não podem perceber o que vem acima da economia. E outra coisa impressionante é como vocês não conseguem ver a conjuntura política mundial, e só olham para o umbigo. Para seus governos, o Brasil está resistindo, com sucesso, à maior agressão de guerra não declarada de todos os tempos contra um país. Mil vezes maior que à Venezuela ou à própria Síria. Se o Brasil sair dessa, jogando Aécios e Cunhas no lixo, nada mais o deterá.
Severino Januário
18 de outubro de 2015 4:30 pmVocês são cheios de idéias,
Vocês são cheios de idéias, mas não têm a menor idéia do que seja ter que conversar com um deputado, por exemplo um Rodrigo Maia, na Congresso. Certamente vocês acham que não deve existir conversar entre congressistas. Vocês não estão preparados para a Democracia.
Clever Mendes de Oliveira
18 de outubro de 2015 7:35 pmHá Keynes diferentes para realidades diferentes.
Andre Araujo,
Não sou economista, mas me sinto mais preparado do que um economista quando vejo tantos economistas dando opiniões sem a mínima atenção com as circunstâncias. Sei que você também não é economista, embora como um estudioso da economia brasileira e com grande conhecimento da economia mundial você supera um bom número deles, mas vejo você cometendo os mesmos equívocos dos economistas que você condena.
Já o lhe disse aqui no blog várias vezes. A última vez foi junto ao post “Como os EUA financiaram a Segunda Guerra sem inflação, por André Araújo” de quinta-feira, 17/09/2015 às 17:25, aqui no blog de Luis Nassif e com texto de sua autoria e que pode ser visto no seguinte endereço:
https://jornalggn.com.br/noticia/como-os-eua-financiaram-a-segunda-guerra-sem-inflacao-por-andre-araujo
Há lá logo no início do post com 16 comentários um longo comentário que eu enviei sexta-feira, 18/09/2015 às 22:55, para você, onde faço as minhas principais críticas ao que eu considero como uma avaliação equivocada que você faz da política econômica brasileira neste segundo governo da presidenta Dilma Rousseff.
Pensei em reproduzir aqui o que eu dissera lá para você. Sou muito prolixo e difuso e meus textos ficam longos e cansativos. Vou tentar resumir como eu fundamento a crítica que fiz a você lá no post “Como os EUA financiaram a Segunda Guerra sem inflação, por André Araújo”.
Para entender a minha crítica é preciso compreender que um presidente de um país de população e dimensões continentais, pobre e desigual, afora o problema da população, da dimensão, da pobreza e da desigualdade tem dois grandes problemas que se agigantam em uma economia capitalista e regido por um sistema democrático: a inflação e o crescimento econômico ou a geração de emprego.
Há um problema econômico da necessidade de manter a taxa de crescimento elevada, e um problema político decorrente da necessidade de manter a taxa de inflação baixa. Tem-se um problema econômico e um problema político em decorrência da natureza do ser humano. Se o ser humano fosse generoso e solidário e se importasse com o desemprego que atinge o outro e não com a inflação que atinge a si, o tamanho da inflação seria um problema econômico e o tamanho do crescimento um problema político.
Assim, no mundo em que vivemos, dada a circunstância da natureza humana, o governante que não quer ser apeado do poder não pode ser condescendente com a inflação. Então qualquer governante que não quer ser odiado pela população deve buscar alcançar a inflação mais baixa possível. E Paul Volcker no último semestre de 1979 e alguns semestres do início da década de 80 provou que qualquer Banco Central que tem controle sobre a economia possui o instrumental econômico financeiro necessário e suficiente para dar conta do problema político da inflação.
E quanto ao crescimento econômico é preciso observar que há dois modelos de crescimento. Um crescimento econômico puxado pelo mercado interno e outro puxado pelo mercado externo. O que se observa é que depois da Segunda Grande Guerra salvo talvez a Índia que talvez tenha tido condições de mesclar os dois modelos, todos os países se desenvolveram puxado pelo mercado externo. Só depois de atingirem determinado nível de desenvolvimento, é que eles passaram a buscar no fomento ao mercado interno mecanismo de crescimento econômico. Este foi o caso do Japão e atualmente é o caso da China.
Nós não tivemos a sorte de ter optado pelo crescimento puxado pelo mercado externo, como o iniciamos em fevereiro de 1983, e mantido o ritmo de crescimento puxado pelo mercado externo nesses últimos quase 35 anos. De todo modo, não termos feito a opção correta não foi de todo ruim. Ao abandonarmos a opção de crescimento puxado pelo mercado externo com o Plano Cruzado adotado em fevereiro de 1986, nós acabamos sendo beneficiados com a mais avançada Constituição do mundo contemporâneo que nenhum país do antigo mundo comunista que na mesma época ganharam Constituições modernas sequer nos emula ou nos equipara.
E por certo ao abandonarmos essa opção do crescimento puxado pelo mercado externo no final do governo de Itamar Franco em 1994 e em todo o primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-1998), não perdemos outra grande chance de nos desenvolvermos economicamente com mais força, mas acabamos sendo brindados com quatro governos do PT e ficamos livres por mais de vinte anos de um governo aventureiro de direita.
E esses dois modelos econômicos apresentam duas características bem distintas. O modelo de crescimento puxado pelo mercado interno se faz com uma forte presença dos gastos públicos. O modelo de crescimento puxado pelo mercado externo precisa menos dos gastos públicos.
A necessidade de o Brasil optar pelo mercado externo a partir de 2014, já era sabido em 2010. Pelo menos eu, que sou leigo, já fazia comentários com essa previsão naquela época. Assim, você pode imaginar como pessoas com muito mais conhecimento econômico e dispondo de muito mais informação faziam conjecturas sobre a econômica nos anos que viriam.
No ano passado, a presidenta Dilma Rousseff sabia que essa opção era obrigatória ao Brasil e que ela não teria condições de implementar essa opção contando com o Guido Mantega. Daí porque já na eleição ela prometeu mudar a política econômica. E mudou fazendo a escolha certa do ministro da Fazenda. Se economia vai crescer puxada pelo mercado externo, não é necessário de um ministro da Fazenda com planos econômicos de grandes proporções. É preciso de um ministro da Fazenda que aumente a poupança interna, para que o Brasil possa ter excedentes a serem exportados, ou seja, é preciso ter um ministro da Fazenda que saiba fazer cortes nos gastos. É só isso que é necessário. Não se precisa de nenhuma sumidade de Harvard, Massachusetts ou Berkeley. O que é necessário é dessas pessoas simplórias ou com interesses particulares a defender de Chicago que nunca foram capazes de perceber que os Estados Unidos só cresceram o tanto que cresceram nos últimos quase 100 anos porque sempre gastaram mais do que arrecadaram. Só que nos últimos 100 anos os Estados Unidos cresceram puxado pelo mercado interno. A época de crescimento em decorrência do mercado externo foi lá no século XIX. Um dia nós talvez conseguirmos reduzir a defasagem entre a economia brasileira e a economia dos Estados Unidos que é hoje de mais de 50 anos (É só imaginar quando conseguiremos mandar um homem à Lua para avaliar o tamanho da diferença no tempo).
Sim precisamos de Keynes agora no Brasil. Mas o Keynes de que precisamos é aquele que entende as circunstâncias atuais da economia brasileira. Um país com moeda própria que pode desvalorizar e assim ganhar competitividade no mercado internacional.
Infelizmente a economia não está desenvolvendo tão bem como eu imaginei que ela desenvolveria após a desvalorização que ocorreu no início do ano. E para piorar, 2014 e 2015 foram anos ruins para países de periferia. E assim, em uma realidade de comercio internacional em depressão, o que antes era resolvido de uma vez com uma desvalorização acabou se empastelando e as desvalorizações são feitas ao longo de um longo período. A perspectiva de inflação aumenta e com ela a desconfiação com a economia crescer. Há um lado bom e que é o fato de a desvalorização aumentar a inflação e com isso o país pode ver tanto a dívida pública como a privada interna ser reduzida em relação ao PIB nominal. Do mesmo modo a inflação vai aumentando a receita e permite que se segure a despesa em patamares mais baixo, ou seja, a inflação é um grande mecanismo de poupança e, portanto, importante para se ter excedente a ser exportado. Não é por outro motivo que os financistas internacionais são os grandes inimigos da inflação, pois o único trunfo que eles apresentam para se intrometer nas finanças dos países pobres é dispor de poupança, algo que a inflação já nos fornece sem nos deixar dependentes de capital internacional.
Apesar dessa dificuldade inicial, o país tem condições de começar uma recuperação em breve. É preciso ter um pouco de paciência e não engrossar o coro de descontentes que primam mais pela incapacidade de ver as diferenças de realidades quando elas podem até não serem nítidas mas existem.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 18/10/2015
Andre Araujo
18 de outubro de 2015 10:08 pmMeu caro Clever, muito bom
Meu caro Clever, muito bom comentario, aguda observação de que a inflação é uma forma de poupança, abstraindo outros juizos. O fato é que o Brasil se desenvolveu muito em anos de inflação, não que essa seja sempre benigna mas minha familia nos anos de 50 a 80 tinha fabrica e os operarios construiram suas casas e consolidaram suas familias em épocas de inflação, como pessoa fisica foram os melhores anos de minha vida e eu via um Pais entusiasmado e as pessoas com esperança no futuro, tudo isso em plena inflação. No macro era com a inflação que o Governo acertava suas contas, a divida publica era irrisoria e manejavel sem problema, o maior constrangimento era na area cambial, todos esses anos o Brasil operou na area externa na tangente, com pouca reserva e sempre no risco de crise cambial mas o orçamento não era engessado, tinha espaço para fazer grandes usinas, Brasilia, estradas, hoje estamos COMPLETAMENTE engessados, o orçamento não tem nenhuma flexibilidade, valeu a pena a estabilidade de 1994?
marcio gaucho
19 de outubro de 2015 2:01 amHavia falta de informações…
E por isso, e apesar disso, éramos felizes. Tive um mestre que dizia: felizes são os ignorantes! Hoje, com informações brotando de todos os lados, estamos pirando e sempre com a sensação de que não somos felizes o suficiente.
Estamos sendo bombardeados a todo instante por tanta informação inútil, sensações de medo e insegurança, que não estamos mais conseguindo ser felizes com simplicidades. Para onde caminha a humanidade?
Clever Mendes de Oliveira
19 de outubro de 2015 3:05 amComo um bom cabotino, se eles os há, não recuso o elogio
Andre Araujo (domingo, 18/10/2015 às 20:08),
Não é a primeira vez que eu vou até um post com texto seu, faço a minha crítica a você e você cavalheiro e generosamente me responde com elogios. O meu lado cabotino que é mais forte me desarma e só me deixa a alternativa de o agradecer.
Vejo um comentário acima enviado por você em que você deixa um link com referência a última biografia de Keynes. Como retribuição ao seu elogio e como parte do meu cabotinismo deixo também o link a seguir do post “Keynesianism Explained” de Paul Krugman, ele mesmo um auto intitulado “Paleo Keynesiano”. O artigo publicado em 15/09/2015 às 09:18 am pode ser visto no seguinte endereço:
http://krugman.blogs.nytimes.com/2015/09/15/keynesianism-explained/
E voltando ao meu comentário anterior em que me alonguei novamente, resumo-o dizendo: juro alto não impede crescimento (Como o juro baixo não o assegura), corte nos gastos públicos apenas funciona como um rito de passagem para a possibilidade de se ter consumo interno inferior a produção de modo a se ter excedente na produção para exportar e ao mesmo tempo que dá tempo para a produção interna atender a substituição das importações, e o Brasil, como em 1984, 2000, 2004, vai crescer puxado pelo mercado externo e pela substituição das importações. Desta vez, há que se reconhecer, que a recuperação será mais difícil.
E creio que você está mais do que ciente de que mais importante do que Joaquim Levy para produzir a atual recessão da economia brasileira, é a participação do Banco Central. Sim é ele o culpado. Ainda assim, em que outro período da história brasileira conseguimos enfrentar desvalorização da moeda com juros tão baixos e mais, em que outro momento de maxidesvalorização da moeda, o juro tenha subido tão pouco no prazo de um ano? No futuro assim como o Guido Mantega vai ser mais bem compreendido, a atual equipe que tem comandado o Banco Central nesses quase cinco anos vai precisar para ser analisada com correção bem mais do que refrães que são repetidos indefinidamente diante de quaisquer circunstâncias.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 18/10/2015
Clever Mendes de Oliveira
19 de outubro de 2015 3:03 pmErrata: bom cabotino, se eles, os cabotinos, existem ou se os há
Andre Araujo (domingo, 18/10/2015 às 20:08),
Faço a correção do título que dei para o meu comentário anterior para você enviado segunda-feira, 19/10/2015 às 01:05, e emendo com a indicação de dois posts do ano passado saídos aqui no blog de Luis Nassif e que servem como bons exemplos da necessidade de se dar mais atenção as circunstâncias.
Primeiro deixo o link para o post “Tática fiscalista e estratégia social-desenvolvimentista, por Fernando N. da Costa” de quarta-feira, 03/12/2014 às 17:04, reproduzindo artigo de Fernando Nogueira da Costa e que fora publicado no Brasil Debate e que pode ser visto no seguinte endereço:
https://jornalggn.com.br/blog/brasil-debate/tatica-fiscalista-e-estrategia-social-desenvolvimentista-por-fernando-n-da-costa
É bem verdade que Fernando Nogueira da Costa, atualmente põe em dúvida a adequação do ajuste fiscal à realidade econômica brasileira.
E o segundo link é para o post “Uma defesa da política econômica de Dilma” de segunda-feira, 15/12/2014 às 13:06, e originado de artigo de Laurez Cerqueira, Gustavo Antônio Galvão dos Santos e Luis Carlos Garcia de Magalhães e que pode ser visto no seguinte endereço:
https://jornalggn.com.br/noticia/uma-defesa-da-politica-economica-de-dilma
O importante é que esses dois artigos devem ser lidos observando as circunstâncias. Dada a realidade do mundo e do Brasil, a política econômica do primeiro governo da presidenta Dilma Rousseff foi a mais acertada. Mudada as circunstâncias em que vai imperar uma dada política econômica, é preciso mudar a política a ser aplicada.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 19/10/2015
Alexandre Weber - Santos -SP
19 de outubro de 2015 12:10 amQuase parei de ler quando disse que o Brasil é pobre…
Juros pornográficos, escreva na losa 100 vêzes.
Se não fosse a sangria criminosa pratrocinada pela agiotagem que nos explora e é defendida pela canalhada corrupta seríamos riquíssimos.
Mas a Nação é rica e o povo trabalhador, até quando é a incógnita.
Clever Mendes de Oliveira
19 de outubro de 2015 3:33 amA vingança pode vir a cavalo e o castigado pode ser você
Alexandre Weber – Santos –SP (domingo, 18/10/2015 às 22:10),
Um dia qualquer, um desses alunos malucos que todo professor tem vai lhe pegar alguma peça e o obrigar a escrever no quadro negro ou verde ou branco como queiram que ele seja ou em uma lousa como você quer que ele seja que juros pornográficos é apenas outra expressão para déficit público e que este sempre foi necessário para que o mundo pudesse crescer.
E se a obrigação for de escrever a frase mil vezes no meio do caminho você começará a questionar quem é de fato o louco. É claro que o questionamento, como a Polônio, bem no isentará.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 18/09/2015
Alexandre Weber - Santos -SP
20 de outubro de 2015 12:19 amShakespeare, nada como um adverso culto rsrsrsrs
Vingança é um prato que se come frio. Não salva a sua causa.
” O efeito da cena representada sobre o espectador constitui a função decisiva que o teatro possui na tragédia de Shakespeare.”
Mais, na arte Poética do Aristóteles está que a verdade só pertence aos discursos Lógicos e Poéticos, a Dialética e a Retórica são o que são, encheção de linguiça.
Déficit público é gastar mais do que arrecada, ou seja, imprudência.
Juros pornográficos é safadeza.
O mundo cresce pelo trabalho diligênte dos homens, já a apropriação indébita desta riqueza é furto, crime previsto em Lei, mesmo se um bando de corruptos votou contra a sua positivação no ordenamento Legal vigênte.
Pode torcer e retorcer a lógica, mas não vai sair nada diferente disto.
Acer Vianna
18 de outubro de 2015 7:45 pmBoa tarde.
É um contracenso.
Boa tarde.
É um contracenso. O governo corta alguns gastos, propõe aumento e ou criação de impostos mas aumenta sua despesa no item de maior peso no orçamento, qual seja, o pagamento de juros. Como explicar para a população este disparate?
jose adailton v ribeiro
18 de outubro de 2015 8:09 pmsó por cima…
“Eu acho que o presidente do PT pode ter a opinião que quiser, mas não é a opinião do governo. A gente respeita a opinião do presidente do PT, mas isso não significa que seja a opinião do governo”, afirmou a presidente, em entrevista coletiva em Estocolmo, na Suécia.
Questionada então pela Folha sobre as chances de Levy deixar o governo, Dilma respondeu: “Se eu lhe disse que não é opinião do governo [a de Rui Falcão], o ministro Levy fica”. E a presidente continuou: “Se ele fica, é porque concordamos com a política econômica dele.”
Jotage
18 de outubro de 2015 10:12 pmSangria
Levy receitou a famosa sangria usada na medicina do século XIX para combater anemia.
expertx
18 de outubro de 2015 10:25 pmquer dizer que se baixar
quer dizer que se baixar juros agora o investimento volta? acha mesmo que existe indígena entre inflação e crescimento? mundo de faz de conta da Emília do sítio do pica pau amarelo perde..mas entendo que a nostalgia de tempos passados impeça a análise da realidade..petistas querem a demissão do Levy, pois seria a última chance petista de chegarem vivos em 2018, pois poderia haver certo crescimento até lá, mas depois certamente seria terra arrasada em 2019..mas felizmente serão escorraçados em 2018, para nunca mais, 2016 já será a prévia..
JigSawJr
18 de outubro de 2015 11:49 pmQuando comecei a ler o texto
Quando comecei a ler o texto achei que estava falando da última grande idéia do nosso grande economista José Serra, em fixar metas para a dívida pública:
http://www.brasil247.com/pt/247/poder/201419/Intelectuais-criticam-plano-fiscal-de-Serra.htm
rcneves
18 de outubro de 2015 11:52 pmEscolheu-se um caminho.
A sociedade, o mercado ou seja lá quem for, escolheu entre o investimento que poderia vir da produção da economia real ou que viria na facilidade do rendimento dado na moleza por papéis atrelados às taxas de juros.
Bom, a taxa de juros está bem polpuda. O que indica que o espirito animal optou pelo menor esforço. De qualquer forma, as galinhas não voam e sequer as galinhas têm algum espírito. Isto também não impede que elas cacarejem reclamando por alguma demanda. A indústria nacional acabou.
Nem vale a pena esquentar a cabeça por causa dos cacarejos, uma vez que a opção foi feita.
Com certeza, o maior gasto do governo é com o pagamento das taxas de juros e claramente, a criação da CPMF irá para atender à demanda por uma taxa de juros alta e que poderá ficar mais alta ainda.
Desde que começaram a aumentar a taxa de juros, a inflação só fez subir e lá se vão quase dois anos em que “se espera” que o tal veneno seja um remédio.
Bom, como o Brasil é um grande produtor de alimentos, que atende também ao mercado externo, podemos concluir que não faltará brioches para o povo. Muito provavelmente sentirão os sacoleiros de Miami, mas, enquanto o povo não estiver esfomeado de fato, este não se revoltará. Não há um desabastecimento a temer.
Enquanto isto fica longuíssima espera por um suposto aumento da taxa de juros americana, a qual nunca ocorrerá pois, a dívida americana é tão enormemente grande que não comporta pagamento de taxas maiores.
Há quem acredite nisto, de qualquer forma, nunca faltarão armadilhas e otários dispostos a cair nestas armadilhas.
Enquanto isto vamos acompanhando os números da BIS quanto aos CDS que, em dois anos, cairam de 737 trilhões de dólares para 566 trilhões de dólares. E continuam a cair. Quem sebe se com o tal “aumento ansiosamente esperado” da taxa americana, o tal número volte para uma nova subida. Tem gente que crê nisto. Provavelmente o número de arapucas seja proporcional ao número de otários.
rcneves
19 de outubro de 2015 12:11 amdolar estável
“Os ativos bancários são referenciados em moeda estável e não em produtos.”
Na era Mantega, o dólar era extremamente estável. Praticamente uma perna fixa no tal tripé, acho que era o Meireles quem falava do tripé.
Que fim levou o tripé?
Esquecemos disto e de muitas outras coisas.
SUPER PREOCUPADO
19 de outubro de 2015 1:08 amAA, por favor me explica, já
AA, por favor me explica, já que ninguém me explicou nem o Nassif tentou.
Por que no período FHC, com a Selic em média a mais de 20% chegando a picos de 45% a economia se manteve sem recessão anual?
Por que hoje, mesmo nós tendo uma reserva de 370 bilhões de dólares o dólar iniciou uma corrida e chegou a dobrar de preço como se estivéssemos em plena crise cambial?
Temos hoje uma inflação de 9,5% e uma selic de 14,25, numa taxa real de menos de 5%. Foi essa a taxa que colocou o Brasil de joelhos gerando uma brutal recessão?
E se o governo fizer como você quer, cortar a selic pela metade, tornando-a altamente negativa, você acha que o dinheiro vai correr para migrar para a produção ou vai fazer o dólar explodir, chegando fácil a 5 reais?
Essa taxa de juros selic, para as empresas e para os brasileiros correntistas em bancos são absolutamente surreias, comparadas às taxas praticadas pelos bancos. Mas no passado já convivemos com essas taxas e o país crescia.
Esse 2015 apocaliptico não foi criado pela autoridade monetária. Ela pode até ter administrado um remédio errado, mas quem causou esse cataclisma não foi o Banco Central.
Andre Araujo
19 de outubro de 2015 11:26 amA Taxa de juros não é a unica
A Taxa de juros não é a unica variavel da economia. Na época que vc aponta não havia CRISE POLITICA e nem a LAVA JATO, havia um ambinte de confiança no futuro que hoje não existe, a divida publica era muito menor, a carga fiscal tambem, o ambiente externo era mais calmo, as empresas e as familias brasileiras estavam menos endividadas do que hoje. Economia é um conjunto de vetores, é na caombinação deles que se tira o pulso da economia.
SUPER PREOCUPADO
19 de outubro de 2015 12:38 pmMas AA.
Essa crise já começou
Mas AA.
Essa crise já começou no ano passado. Tivemos 0 de crescimento e, segundo dizem, o IBGE pode revisar pra baixo seus numeros.
Na época de FHC os Juros eram de mais de 20%, dólar tinha dobrado em 1999. Carga tributária altíssima (você fala que hoje está maior), dívida pública estava aumentando por causa da dívida indexada ao dólar.
A TEORIA ECONÔMICA NÃO EXPLICA A CRISE DE 2015.
O QUE ESTÁ ACONTECENDO É QUE O BRASIL PERDEU COMPLETAMENTE A CONFIANÇA NO GOVERNO E CONSIDERA A DILMA UM “CORPO ESTRANHO” E A ESTÁ REJEITANDO.
Um dia esse fenômeno será estudado e será tese de doutorado de sociólogos, mas essa é a realidade.
Nada que se faça, sem ter isso em mente será condenado ao fracasso.
expertexx
19 de outubro de 2015 2:31 pmmatou a charada, caro super
matou a charada, caro super ocupado.. mas vai explicar isso pros leigos.
Tulio
19 de outubro de 2015 1:23 pmPerfeito André. Só acrescento
Perfeito André. Só acrescento um detalhe: a economia não é matemática como muitos cabeças de planilha pensam. Por mais elaborado que seja um modelo, sempre será uma abstração teórica. Sempre faltarão variáveis, muitas setoriais inclusive. A inflação no Brasil só estourou pois houve uma tentativa estúpida de repor todo o preço contingenciado de energia elétrica e combustível em um único ano, só que isso trouxe custos na cadeia produtiva e mais inflação.
Sou keynesiano mas não sou estúpido o suficiente para tocar no preço da energia elétrica em um ano de seca, nem para segurar preço de petróleo quando se precisa investir uma fortuna pra produzir no pré-sal. O Guido errou feio nesses setore e o levy errou mais ainda em tentar compensar tudo em 2015. Podia ter escalonado essa conta em 3 anos, apostou que em um ano dava e deu no que deu. Estagflação.
Andre Araujo
19 de outubro de 2015 1:10 amhttp://www.independent.co.uk/
http://www.independent.co.uk/news/business/analysis-and-features/john-maynard-keynes-new-biography-reveals-shocking-details-about-the-economists-sex-life-10101971.html
A ULTIMA BIOGRAFIA de Keynes, ficando em sua vida pessoal, por Richard Davenport Hines, explica o pano de fundo
desse homem tão importante para a elaboração das ideias no Seculo XX. Keynes era tolerante e nada convencional porque sua vida folgada tipica da classe alta inglesa do começo do século deixava sua mente livre e sem compromissos
ou necessidade de sobrevivencia. Sexualmente era franco atirador, culturalmente se relacionava com as celebridades das artes, literatura, do famoso Circulo de Bloomsburt (Virginia Woolf, Lytton Strachey e uma fauna completamente descolada),
casado com uma das mais famosas bailarinas da Europa (Lydia Lykopova) era um grande apreciador de ballet, talvez seu maior interesse cultural. Uma lady perguntou em uma sessão de bate papo sobre artes plasticas “” Mas senhor Keynes,
como o senhor, um grande economista, tem tempo para artes plasticas?”” Keynes respondeu, “Mylady, economia é o ultimo de meus interesses na vida, tenho coisa muito mais importante para me ocupar.”
Maria Luisa
19 de outubro de 2015 9:01 amA economia e suas circunstâncias…
Ja diz o provérbio que é homem é moldado pelas circustâncias. E todo o mais também. A cegueira tomou conta do quadrado econômico em Brasilia. Mas por falar em Levy, me veio assim, uma nostalgida do Guido!!!
nilo
19 de outubro de 2015 10:17 amSemana começa mal: Dilma em
Semana começa mal: Dilma em Estocolmo confirma Levy no cargo, aquela que faz exatamente o jogo da oposição e mercado.
Acorda Dilma !!!
drigoeira
19 de outubro de 2015 10:25 amPrimeiro erro.
Assumir e alimentar a crise.
Não se deve assumir a crise, nunca, jamais.
Paulo F.
19 de outubro de 2015 11:54 amRabo abana cachorro
Bem escrito Andy!
Faltou dizer que uma das maiores questões para os homens (e senhoras) do FED é o desemprego.
Aqui lasque-se o proletariado.
O que interessa é uma taxa básica alta, na casa de dois dígitos de preferência vivendo da transferência direta de recursos de quem trabalha. Enquanto não se colocar um bom cabresto nos que arquitetam essa sangria vai-se andar em circulos.