20 de setembro de 2026

Estado de São Paulo descumpre determinação do ONS para Rio Jaguari

Jornal GGN – A Companhia Energética de São Paulo (Cesp), sob controle do governo de Geraldo Alckmin (PSDB), descumpriu uma determinação do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), e tem liberado um terço do volume de água na usina hidrelétrica do Rio Jaguari, daquele definido pelo ONS, que controla a geração de energia no país. A justificativa para o descumprimento da determinação é pela preservação da represa que pode socorrer o Cantareira.

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Na outra ponta da barragem, tem-se 15 milhões de pessoas que são abastecidas pelo Rio Jaguari, na região do Vale do Paraíba e do Estado do Rio de Janeiro, além de alimentação da produção de energia elétrica pela Light.

É na Represa Jaguari, em Igaratá, que Alckmin quer fazer a transposição de água para a Represa Atibainha, do Sistema Cantareira, no meio da pior seca da história.

Governo de Alckmin nega. ONS volta à carga para que Cesp respeite as determinações. Acompanhe matéria do Estadão com o histórico das determinações e passos dados pelo governo do estado.

do Estadão

SP descumpre regra para preservar represa que pode socorrer o Cantareira

FABIO LEITE – O ESTADO DE S. PAULO

É a primeira vez que uma usina descumpre uma determinação do ONS

Em meio à estiagem que afeta o Sudeste brasileiro, a Companhia Energética de São Paulo (Cesp), controlada pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB), tem liberado na usina hidrelétrica do Rio Jaguari, entre as cidades de Jacareí e São José dos Campos, um terço do volume de água determinado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que controla a geração de energia no Brasil. Essa é a primeira vez que uma usina descumpre uma determinação do órgão federal.

O Jaguari é um dos afluentes do Rio Paraíba do Sul, responsável pelo abastecimento de cerca de 15 milhões de pessoas na região do Vale do Paraíba e no Estado do Rio de Janeiro, além de alimentar a produção de energia elétrica pela Light. É da Represa Jaguari, em Igaratá, que Alckmin pretende fazer a transposição de água para a Represa Atibainha, do Sistema Cantareira, que atravessa a pior seca da história. O projeto foi anunciado pelo tucano em março e causou forte atrito com o governo do Rio.

Um terço a menos do volume de água determinado pelo ONS tem sido liberado na usina do Rio Jaguari

A exemplo do Cantareira, a Bacia do Rio Paraíba também passa por uma de suas piores estiagens da história. Em abril, o Estado revelou relatório do ONS mostrando que os mananciais da região podem secar até novembro. O governo paulista nega que o descumprimento da determinação do ONS tenha como objetivo estocar água na Represa Jaguari, que estava com 38% da capacidade, para poder transferi-la ao Cantareira quando a obra da transposição for concluída. A previsão é março de 2016, mas órgãos do Rio de Janeiro já acionaram a Justiça contra o projeto.

Nesta semana, o ONS determinou que a Cesp aumentasse a vazão de água liberada na sua usina do Rio Jaguari de 10 mil litros por segundo para 30 mil litros por segundo. A medida visaria compensar uma redução na Represa Paraibuna, situada na mesma bacia, e que está com apenas 14% da capacidade. A determinação, contudo, não foi cumprida pela companhia paulista, que já foi notificada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), responsável pela fiscalização do setor.

Nomeado por Geraldo Alckmin em abril para tentar resolver a crise do Cantareira, o atual secretário de Saneamento e Recursos Hídricos, Mauro Arce, é o ex-presidente da Cesp. Procurada, a companhia não se manifestou. Em nota, a secretaria afirmou que o Departamento de Água e Energia Elétrica de São Paulo (DAEE) determinou a Cesp que mantivesse a vazão de 10 mil litros por segundo na usina Jaguari “em atendimento à determinação da Lei 9.433/97, que estabelece prioridade ao abastecimento humano entre os múltiplos usos da água”.

A vazão de 10 mil litros por segundo é o valor mínimo que a Cesp é obrigada a liberar para o Rio Paraíba conforme resolução da Agência Nacional de Águas (ANA), gestora dos mananciais no País. Procurada, a agência federal informou, por meio da assessoria de imprensa, de que já solicitou ao ONS que compense a redução do Jaguari com água de outros reservatórios da bacia “de modo a não provocar impacto aos usuários nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro”.

Em nota, a Secretaria do Ambiente do Rio de Janeiro, que ingressou no pólo ativo da ação movido pelo Ministério Público Federal contra o projeto de transposição de água do Paraíba para o Cantareira, informou que “está acompanhando toda a situação e avaliando os impactos e as medidas administrativas e judiciais, caso necessárias”. Procurados pelo Estado, ONS, Aneel e Light não se manifestaram.

Transposição. No polêmico projeto de transferência de água apresentado em março, Alckmin afirmou que a transferência de água entre a Represa Jaguari, na Bacia do Rio Paraíba, e a Represa Atibainha, no Sistema Cantareira, obedeceriam uma regra operacional na qual a reversão de água seria feita apenas quando os reservatórios estivessem com menos de 35% ou mais de 75% da capacidade. Segundo o tucano, a medida traria “segurança hídrica” para as duas regiões.

Em abril, o Estado revelou, porém, que as duas represas possuem o mesmo regime hidrológico, ou seja, enchem e esvaziam na mesma época. Isso ocorreu em 2004, quando ambas estavam com níveis baixos de armazenamento de água, em 2010, quando as duas estavam cheias, e agora na atual crise. Isso ocorre porque a distância entre os reservatórios é de apenas 15 quilômetros.

A transposição está orçada em R$ 500 milhões. Segundo Alckmin, não ajudaria na atual crise de estiagem do Cantareira, mas ajudaria o manancial no futuro. Estimativa feita pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) aponta que o principal sistema de abastecimento de água da Grande São Paulo não deve se recuperar em menos de três anos. Neste sábado, o Cantareira está com 14,1% da capacidade, graças ao uso do volume morto do manancial.

Lourdes Nassif

Redatora-chefe no GGN

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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12 Comentários
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  1. janes salete

    10 de agosto de 2014 8:27 pm

    Eles, psdbistas, só obedecem

    Eles, psdbistas, só obedecem a mídia. Eles sabem que contra eles, nada acontece. Todos os poderes de sp, são empregados do corrupto psdb.

  2. Brasileiro Estrangeiro

    10 de agosto de 2014 8:59 pm

    O “presidente” Alquimista de Paulael e a Brasestina

    “Segundo o tucano, a medida traria “segurança hídrica” para as duas regiões.”

    E insegurança hídrica para outras regiões, evidentemente.

    Mas aí, é “outro país”…

     

  3. Osvaldo Ferreira

    10 de agosto de 2014 9:20 pm

    E o MPF só comendo mosca e

    E o MPF só comendo mosca e fazendo de conta que o problema não é com ele…

  4. Ivan de Union

    10 de agosto de 2014 9:46 pm

    “(Sabesp) aponta que o

    “(Sabesp) aponta que o principal sistema de abastecimento de água da Grande São Paulo não deve se recuperar em menos de três anos. Neste sábado, o Cantareira está com 14,1% da capacidade, graças ao uso do volume morto do manancial”:

    Ah, bom, com 3 meses de agua.

    Entao ta.

  5. Sta. Catarina

    10 de agosto de 2014 10:55 pm

    Irresponsável

    Corrijam-me se errei. Tira-se água da geração de energia elétrica para abastecer a população. Bem, no mínimo ele aposta que o povo consiga beber água até a eleição e torce por num blackout, cuja culpa recairia sobre o governo federal. Essa é a política dos tucanalhas.

  6. Henrique - O Outro

    10 de agosto de 2014 11:32 pm

    A pior ditadura: a paulista pelo consenso

     

    Governo do PSDB conta com apoio entusiasta da imprensa paulista e não paulista. 

    Com sólido apoio na assembléia estadual.  

    Um ministério público submisso e omisso.  

    Uma justiça que não incomoda.

    E uma população arquiconservadora que os mantém no poder há várias décadas.

     

     

     

  7. Godinho

    10 de agosto de 2014 11:47 pm

    Não é só a Light prejudicada na geração

    Rio abaixo, no Noroeste do Rio de Janeiro, Furnas acabou de inaugurar uma hidrelétrica de 300 MW, o complexo Simplício-Antas. Essa usina é uma obra extremamente complexa, e funciona a fio d´água, pra atender às exigências de ambientalistas idiotas e ignorantes, principalmente sobre emissão de CO2 pelos reservatórios (quem quiser medir o tamanho da idiotia, procure os resultados da pesquisa do CEPEL recentemente concluída).

    Uma usina a fio d´água, se a vazão do rio for diminuída significativamente, pode ter até que parar. Menos 300 MW na disponibilidade de energia para o Sudeste significam térmicas a todo vapor, para compensar. E riscos de falta de energia, por sobrecarga de algumas.

    Isso cheira a tripla sacanagem: cortar a água da população do Rio e de Minas, salvar a reeleição do Alckmin e por o país todo em risco de um apagão durante a campanha eleitoral. Se a CESP ou a CEMIG colaborarem só um pouquinho, a rede cai durante horas ou até dias em 2/3 do país!

    Ou o ONS e o Ministério de Minas e Energia tomam uma providência rigorosa e urgente – o Governo Federal faz logo um estardalhaço com convocação de rede nacional e ameaça de intervenção federal no estado, se houver desobediência – ou esses crápulas disparam a bala de prata na última semana antes do primeiro turno e deixam o país no escuro dois ou três dias.

  8. peregrino

    11 de agosto de 2014 12:22 am

    velha jogada tucana…

    essa de querer resolver seus problemas fazendo exatamente aquilo que sabem muito bem que não podem fazer, para depois, com a ajuda da mídia, poder culpar os outros

    isto sim é que dá medo, o fato da causa estar sempre do outro lado, nunca em SP

  9. luiz valentim

    11 de agosto de 2014 12:29 am

    Sem água pra beber o quê os Paulista masoquistas precisam sofrer

    pra despachar a Tucanalha encastelada lá a mais de vite anos!

    Queda de guindaste do metrô

    Buraco do metrô

    corrupçaõ no Metrô: vinte anos de.

    Quema rotineira de barracos nas favelas paulistas

    Queda de vigas no rodoanel

    Inundações rotineiras

    As tres estações: fogo , inundação , poluição

    Matança de inocentes pelo aparelho policial estatal:

    Perseguição aos moradores das perifeiras.dos criminiosos: Cidadão está aterrorizado e indefeso.

     

    .

     

     

     

     

     

  10. alfredo machado

    11 de agosto de 2014 12:52 am

    Baderna

    Nassif,

    A ONS há deveria ter bloqueado todo e qualquer acesso da Cesp às manobras ordenadas por este marginal que governa SP.

    Além do problemaço que já está contratado para os milhões que vivem na Grande SP, ainda quer arrumar dor de cabeça para quem não tem nada com aquele governo, uma verdadeira baderna. 

  11. Under_Siege

    11 de agosto de 2014 2:30 am

    e nenhuma providencia é tomada?

    PGR? MPF? Algum órgão de Defesa do País?

    Basta desta impunidade kafkiana dos irresponsáveis bicudos!

  12. João Maria Fernandes de Sousa

    11 de agosto de 2014 4:05 am

    Até outubro,

    é quase certo, tudo conforme o planejado, o PSDB juntamente com a mídia bandida, vão jogar direitinho todo esse criminoso problema hídrico no estado de São Paulo no colo do Governo Federal e com, agora se entende a jogada, o velho e surrado tema do “apagão elétrico” de lambuja.

    Quem tem estômago e acompanhou o JN algumas vezes esses últimos dias viu que a Globo está paulatinamente abrindo terreno para que quando for inevitável falar sobre o tema, o quase colapso de abastecimento de água em SP, provocado pela irresponsabilidade de Geraldo Alckimin, os brasileiros absorvam de forma a “ver” que esse problema ocorre em todo Brasil pois a “natureza” não tem ajudado tanto e algumas atitudes “governamentais” não foram tomadas ao longo do tempo.

    E sobre o “apagão” nem é necessário falar tanto, desde 2003 as mais variadas versões de hecatombes elétricos, provocadas por outras tantas “falta de visão do Governo Federal” em mil e trocentas variantes que comandam o sistema, já foram feitas… é só esperar outra reca de “especialistas ouvidos” pra colecionar mais algumas.

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