Algo que tem sido recorrente em meio às mudanças rápidas no combate e controle da corrupção global é a política de “tolerância zero” pregada por líderes pressionados por escândalos ou que precisam de algum ponto a ser explorado em conferências anticorrupção.
Em artigo publicado no site Corruption, Justice and Legitimacy, Michael Johnston, professor emérito da Colgate University, afirma que tais declarações tem valor de relações públicas tanto pelo poder público como pela iniciativa privada.
“Essas declarações (de zero tolerância) podem ser distrações úteis de outros problemas ou encobrir intenções malignas, incluindo a perseguição de oponentes políticos”, diz Johnston. “Talvez, na maioria das vezes, as posturas de tolerância zero nos indiquem que o orador tenha dado pouca atenção à corrupção e às reformas”.
Além disso, o articulista alerta que as declarações de tolerância zero “podem desviar o apoio político crítico e outros recursos de esforços de baixo perfil que são mais promissores”, gerando expectativas que não podem ser atendidas e, por não serem cumpridas, darem a sensação de que a corrupção não pode ser controlada.
Na visão do professor emérito, qualquer compromisso estabelecido com reformas parece ter mais credibilidade quando se apoiam em resultados. “Assim, em vez de lançar uma campanha contra todas as formas de corrupção em todos os níveis, devemos nos concentrar seletivamente nas funções do governo e nos serviços que os cidadãos recebem”, diz Johnston.
Em outras palavras: as pessoas e famílias são mais atingidas pelos casos de corrupção envolvendo serviços de saúde, policiamento, educação, tributação ou serviços públicos, e a melhora nessas áreas podem mostrar os efeitos (ou a falta deles) de anti-atividades de corrupção e gerar credibilidade para esforços contra a corrupção. Veja mais a respeito na íntegra do artigo, clicando aqui.
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