10 de junho de 2026

O mundo sempre persegue e massacra os grandes homens, por Eduardo Ramos

A História mostra várias táticas que se mostram pragmáticas, inteligentes e vencedoras contra aqueles que se colocaram contra o status quo
Photo by Ying Ge on Unsplash

O mundo sempre persegue e massacra os grandes homens

Por Eduardo Ramos

Martin Luther King, Gandhi, Mandela, Lula, o que têm em comum? Três coisas absolutamente essenciais e semelhantes em suas histórias:

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1 – Líderes incontestes em suas nações, dos segmentos mais populares, sofridos e miseráveis.

2 – Sofreram uma campanha massacrante das mídias locais e as elites de seus países, uma tentativa a todo custo de apresentá-los como escória, falsos, corruptos, violentos, e quaisquer termos pejorativos que coubessem na narrativa destrutiva de suas imagens.

3 – As classes médias em seus países foram inoculadas dia e noite por todos os meios possíveis de ódio, e/ou nojo, e/ou desprezo por eles. Porque? Porque há milênios, são as elites e classes médias os segmentos sociais com força e voz políticas, os que realmente decidem o destino das nações.

Temos então, na História, uma repetição de uma tática que se mostra altamente pragmática, inteligente e vencedora. Forma-se através de bombas semióticas repetitivas e altamente manipuladoras, um REBANHO HUMANO FANÁTICO, CEGO E SEM COGNIÇÃO COM A REALIDADE, normalmente a partir desses segmentos sociais mais fortes – Judiciário, Mídia, Militares e classes médias em geral… – e essas lideranças são marginalizadas, estigmatizadas, perseguidos do modo mais perverso e covarde que o sistema é capaz de fazer para destruir os que vão contra seus interesses.

Presos e/ou assassinados, esses homens com carisma, ideias e a capacidade de inspirar multidões a segui-los são a maior ameaça ao status quo social, político e econômico que não quer perder seu poder absoluto sobre o povo, as riquezas, as vidas humanas. No fundo, é sempre isso!

Brancos americanos e sul-africanos não queriam que os negros tivessem direitos, os ingleses não queriam os indianos livres, no Brasil, Lula iniciou uma revolução de tal monta, que pela primeira vez em nossa História, milhões de pessoas pobres ascenderam à chamada “classe média baixa”, o suficiente para comprarem carros, colocarem os filhos em Faculdades, viajarem de avião pela primeira vez.

Tornaram-se notórios os comentários de brasileiros descontentes, num exemplo perverso do que é “Casa Grande & Senzala”, pelos aeroportos “estarem parecendo Rodoviárias” e o fato dos filhos das empregadas domésticas – alguns deles – irem para a Universidade. Somos um dos países mais perversos do mundo nessa questão, amamos a exclusão, amamos o “esse espaço é meu, por favor, aqui não!…” – como pensamos e sentimos – muitos de nós – o mundo à nossa volta, um narcisismo tão patético e doentio como imoral, tosco e desumano.

Por isso me entristeço em nível do desespero com o mundo-matrix que somos na maior parte do tempo aqui no Brasil, como é no mundo, SEMPRE QUE A SOCIEDADE MISERÁVEL ENCONTRA UM LÍDER QUE LEVANTA SUAS LUTAS, SEUS DIREITOS, SUAS BANDEIRAS…

Como foi tratado Evo Morales em seu país? Como nos tratam, aos latinos em geral, os americanos, dando golpes de Estado um atrás do outro, em qualquer país que se atreva a implementar um governo que vá contra seus interesses? Elon Musk chegou a afirmar sobre a Bolívia, sem pudor algum: “Demos o golpe sim, e daremos quantos forem necessários para garantir o nosso lítio…”

Pessoas, vidas, nações inteiras tratadas como GADO, como coisas sem valor, por cobiça, poder, dinheiro, status quo. E, como um cavalo de Troia inacreditável, de tão perverso, insano e desumano, os aliados dessas potências estrangeiras são as elites e classes médias dessas nações colonizadas.

Aqui no Brasil, Serra, preocupado que pudesse ser preso, foi aos EUA prometer nosso petróleo, liderou as leis mais entreguistas do Pré-sal que em qualquer nação civilizada seriam vistas como alta traição, e no nosso país sofrido e canalha, nas mãos de hienas, foi exaltado pela mídia e por nossas classes médias, “um liberal nos libertando da estatização corrupta” (sic…).

Bolsonaro parecia o cachorrinho de estimação de Trump, tão patético quanto abjeto, nossos militares não se furtaram a derrubar Jango e torturar brasileiros, porque assim ordenaram os EUA, porque governos de esquerda não podiam nascer em seu quintal.

Milhões de brasileiros acreditam que Dilma caiu pelas “pedaladas”, Lula foi preso “porque era corrupto”, morrerão sem enxergar toda a manipulação de que foram vítimas, tão enfermos, cegos, fanáticos, que mesmo vindo à tona com tanta clareza quem é Moro, o que fez, porque fez, seguem tendo por ele admiração, e vendo em Lula um enganador, um ladrão que enganou o povo…

Só a Educação levada a extremo, de um modo absolutamente intenso, profundo, pode libertar as nações dessa escravidão, desse destino trágico e cíclico.

O mundo consegue perseguir e destruir os grandes homens, porque dominam as fontes de informação e das narrativas. Mandela só chegou ao poder quando um clamor sem precedentes exigiu sua libertação na África do Sul, não foi por “bondade ou senso de justiça” dos países ricos.

Bolsonaro só não dá um golpe de Estado aqui, pelo mesmo motivo: o mundo civilizado não pode suportar mais sua demência e bestialidade. Melhor um “Lula domado e com pouco poder” – como tentarão a todo custo, derrubando-o do poder “se ultrapassar determinados limites”.

Democracia, liberdade, soberania popular são balelas, farsas imensas, nos países de povos sem Educação, conhecimento, cognição com a realidade e cidadania plena.

A volta de Lula ao poder é apenas uma semente de normalidade, uma pequena e frágil semente. As forças sociais que o esmagaram, depuseram Dilma e colocaram primeiro Temer e depois Bolsonaro no poder, seguem e seguirão sendo o que são, nada mudou!

Sendo o que é – um líder popular nato, e que na verdade nunca tentou “subverter o sistema” – sempre será visto como uma ameaça às nossas elites e aos EUA, que odeiam o BRICS com toda a sua força. Por motivos óbvios.

O dia de sua posse será o primeiro dia de luta. O segundo dia, idem, e assim serão todos os dias.

O mundo sempre persegue e massacra os grandes homens.

Nada mudou…

(eduardo ramos)

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem um ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected].

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  1. Jicxjo

    4 de setembro de 2022 9:54 pm

    Belo texto, Eduardo. Um triste retrato da realidade como vista pelos despertos. Viver é lutar.

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