25 de junho de 2026

CNJ arquiva ação contra Eduardo Appio após cumprimento de acordo para deixar 13ª vara

Em 2023, Appio foi alvo de uma série de investidas do MPF no Paraná e de desembargadores do TRF-4
O juiz federal Eduardo Appio
O juiz federal Eduardo Appio. Foto: Arquivo pessoal

O ministro Luis Felipe Salomão, corregedor do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), decidiu arquivar o processo disciplinar contra o juiz federal Eduardo Appio, que foi removido da 13ª Vara Federal – palco principal da famigerada operação Lava Jato – após aceitar um acordo para encerrar o imbróglio envolvendo o desembargador Marcelo Malucelli (cujo filho é genro de Sergio Moro) e atos de outros membros do Tribunal Regional Federal da 4ª Região.

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“Considerando-se o integral cumprimento da proposta de mediação (…), uma vez realizada a remoção do magistrado Eduardo Fernando Appio da 13ª Vara Federal de Curitiba para a 18ª Vara Federal de Curitiba, determino o ARQUIVAMENTO dos presentes autos (…) Oficie-se ao Exmo. Ministro Dias Toffoli e ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região, encaminhando-se cópia da presente decisão”, decidiu Salomão no final de dezembro, acolhendo o pedido de providências apresentado pela defesa de Appio.

Ao longo de 2023, Appio foi alvo de uma série de reclamações do Ministério Público Federal no Paraná e de desembargadores do TRF-4, que questionavam sua imparcialidade a partir de decisões tomadas no âmbito da Operação Lava Jato e outros elementos. Em paralelo, com ajuda de Moro, o desembargador Malucelli também denunciou Appio por supostamente ter feito uma ligação para seu filho, o advogado João Malucelli, que é sócio e genro do casal Moro.

No telefonema, cuja autoria foi admitida por Appio, houve uma tentativa de confirmar o vínculo pessoal entre os Malucelli e a família Moro, pois o elo colocaria em pauta a suspeição de Marcelo Malucelli para despachar em casos da Lava Jato. Mas o telefonema foi levado à corregedoria do TRF-4 como se fosse uma tentativa de intimidação ao desembargador, hipótese negada por Appio.

A Corte Especial Administrativa do TRF-4 concentrou as representações contra Appio e abriu processo disciplinar, até que o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, mandou o CNJ – que também promovera uma inspeção na 13ª Vara e no TRF-4 em 2023 – avocar o caso de Appio. Em outubro passado, o juiz então participou de uma reunião de mediação no CNJ, ocasião em que aceitou abrir mão da 13ª Vara de Curitiba em troca de encerrar o processo disciplinar.

Toffoli foi responsável também por anular a suspeição de Appio, declarada pelo TRF-4. Na oportunidade, o ministro salientou que a situação de Appio era complexa. O ministro fez uma cronologia dos fatos e eventos desde que Appio decidiu revogar a prisão de Rodrigo Tacla Duran, desafeto de Sergio Moro e Deltan Dallagnol. Foi quando o desembargador Marcelo Malucelli atravessou o processo, desrespeitando ordens do Supremo, para impedir que Tacla Duran retornasse da Espanha ao Brasil para depor contra Moro e a Lava Jato.

Com a saída de Appio – que ficou conhecido como o juiz independente que tentou abrir a caixa-preta da Lava Jato – a 13ª Vara agora está a cargo do juiz federal Danilo Pereira Junior. Pereira também virou alvo da corregedoria do CNJ por proteger decisões do TRF-4 em desobediência ao Supremo Tribunal Federal, que havia mandado, inúmeras vezes, suspender a movimentação de alguns processos da Lava Jato.

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Cintia Alves

Cintia Alves é jornalista especializada em Gestão de Mídias Digitais e editora do GGN.

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4 Comentários
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  1. marcio gaúcho

    4 de janeiro de 2024 12:09 pm

    Muita sujeira do Ministério Público e Judiciário varrida para debaixo do tapete. É sempre assim!

  2. Marcus

    4 de janeiro de 2024 4:42 pm

    E a sujeira encontrada na 13°vara ? Vai para debaixo do tapete? Se não acontecer uma punição para cada um dos envolvidos, como será possível crer nesse tribunal?

  3. Fábio de Oliveira Ribeiro

    4 de janeiro de 2024 5:36 pm

    O uso de chantagem para impedir um juiz de exercer a prerrogativa de inamovibilidade lhe garantida pela constituição deveria ser reprimida pelo CNJ. Mas nesse caso foi o próprio CNJ que criou esse precedente escabroso. Appio certamente não será o último juiz brasileiro a ser chantageado dessa maneira. Doravante o caso dele servirá de modelo. O CNJ se elevou acima da constituição aplicando uma estratégia digna dos cafetões e traficantes da Boca do Lixo.

  4. Rui Ribeiro

    5 de janeiro de 2024 2:24 pm

    É como quem diz assim “Appio, você não expõe a podridão da 13 Vara Federal de Kuritiba e nós não condenamos você

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