Delegado preso por execução de Marielle ganhou medalha do Exército quatro meses após o crime
por Hugo Souza
O delegado federal Rivaldo Barbosa assumiu o cargo de chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro no dia 13 de março de 2018, nomeado pelos generais da Intervenção Federal. No dia seguinte à posse de Rivaldo Barbosa no cargo, Mariele Franco é assassinada no Estácio. Passa-se mais um dia, e em 15 de março Rivaldo nomeia o delegado Giniton Lages para investigar a execução de Marielle.

Passam-se quatro meses, a investigação não avança, o Ministério Público do Rio pede o afastamento de Rivaldo do cargo por indícios de corrupção. No dia 18 de julho, uma semana após a denúncia do MP, o Exército Brasileiro condecora o delegado Rivaldo com a Medalha do Pacificador, a mais importante da Força.

A Medalha do Pacificador, quando dada a civis, é por terem prestado “relevantes serviços ao Exército”.
Quando a Intervenção no Rio escolheu Rivaldo Barbosa para chefiar a Polícia Civil, a subsecretaria de Inteligência da corporação desaconselhou a nomeação. O interventor, no entanto, bancou o nome de Rivaldo. O nome do interventor era Walter Braga Netto.
Neste domingo, 24, o Brasil todo ficou sabendo que Rivaldo Barbosa sabotou a investigação sobre a execução de Marielle desde quando o corpo de Marielle ainda estava no Estácio, num banco de trás. A PF vai investigar a nomeação de Rivaldo pelos generais na véspera do crime.
Voltando a 2018, em novembro daquele ano, o miliciano Orlando de Curicica, que estava preso em Mossoró, acusou o delegado Giniton de tentar pressioná-lo para assumir a autoria do assassinato de Marielle. Curicica acusou também a cúpula da Polícia Civil fluminense, ou seja, o delegado Rivaldo, de acobertar os verdadeiros assassinos.
Questionado sobre isso na época, o então secretário de Segurança Pública do Rio, general Richard Nunes, disse assim:
“Houve essa sugestão sob a suspeita de que a Polícia Civil não estaria fazendo um trabalho isento. Isso não tem fundamento. Temos de ter muito cuidado em não dar voz a criminosos que se encontram preso e colocam em xeque o processo de investigação. É um absurdo em uma nação democrática colocar em xeque uma investigação a partir do depoimento de um preso”.
A Intervenção Federal na Segurança Pública no Rio começou no dia 16 de fevereiro de 2018, praticamente um mês antes da execução de Marielle Franco, e terminou no dia 31 de dezembro daquele ano. A Intervenção terminou com os delegados Rivaldo e Giniton prestigiados em seus postos.
Rivaldo deixou o cargo no início de janeiro de 2019, no âmbito das trocas decorrentes da assumpção do novo governo fluminense, o governo Witzel. pouco depois, no dia 13 de março, véspera do primeiro aniversário da execução de Marielle, Witzel despachou Giniton Lages para a Itália, onde o delegado faria um intercâmbio para se aprimorar no combate a… máfias.
Hugo Souza é jornalista
O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.
Vladimir
25 de março de 2024 11:55 amO cara era o chefe da Polícia Civil. Não fazia,ou não deveria fazer, investigações. Assim,dá para entender que ele é só a ponta do iceberg. Tem muitos investigadores,senão todos,envolvidos nessa e outras tramas.
Também,consta no currículo desse sujeito,de que era professor de direito em uma faculdade.
Que tipo de gente está sendo formada com um mestre como esse?
+almeida
25 de março de 2024 8:25 pmPode até parecer que não, mas o exército quando está fora da sua seara torna-se uma espécie de Zé Bobão, de Zé Mané, de marido traído, etc.
Ao querer voar com morcegos, ele passa a dormir de cabeça para baixo e paga mico geral, um atrás do outro. Também se torna uma presa fácil de ser enganado até, e principalmente, pelos próprios seus.
Ao final, ele sempre é o que sai mais queimado e o que tem a imagem mais danificada.
Já passou da hora dele retornar as suas origens, de recuperar o comando, os brios ausentes e a autoridade hierárquica, moral, cívica e punitiva. Está na hora de enquadrar e penalizar rigidamente todos os seus, que atentam contra as leis, contra o comando, contra a instituição republicana do exército e contra o estado democrático de direito.