O velho ditado “se eu sair do Twitter, esse problema continua sendo relevante?” ganhou novos matizes no último fim de semana em decorrência da queda de braço entre o microblog X (ex-Twitter) e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Os embates aconteceram dentro e fora da plataforma, pertencente ao bilionário sul-africano Elon Musk, após sua promessa de desobedecer a decisão do Supremo de reter contas apontadas como disseminadoras de informações falsas e a ameaça de fechar o escritório do X no Brasil.
O caso, que está sendo chamado de Twitter Files Brasil, é composto por prints de e-mails que seriam de um ex-executivo do Twitter, nos quais ele criticava pedidos de acesso a dados de usuários do site pelo Judiciário, foi divulgado pelo jornalista estadunidense Michael Shellenberger. O nome faz alusão ao Twitter Files de 2022, em que tal rede social havia colaborado com autoridades dos Estados Unidos para bloquear contas de usuários e remover histórias envolvendo o filho de Joe Biden.
Apesar das promessas em enfrentar a decisão de Moraes, que estabeleceu multa de R$ 100 mil por cada perfil que fosse reativado, a empresa de Musk ainda mantém retidas contas como as de Luciano Hang, Ludmilla Grilo, Allan dos Santos, Marcos do Val e Guilherme Fiuza.
Enquanto a direita brada que sofre censura e defende Elon Musk, setores à esquerda reivindicam a postura do Supremo e retomam o discurso sobre a necessidade de regulamentar as redes sociais.
Neste mesmo sentido, o jurista e jornalista Tiago Pavinatto rebateu opositores e defendeu a postura do proprietário do X:
O perfil bolsonarista TeAtualizei compartilhou o comentário de Musk sobre a semelhança de Alexandre de Moraes com o vilão da saga Harry Potter, Voldemort:
O deputado federal e membro da antiga família real portuguesa no Brasil, Luiz Philippe de Orleans e Bragança, declarou que o Brasil havia se tornando oficialmente uma ditadura:
O pastor e senador Magno Malta divulgou um vídeo questionando “por que a esquerda está tão nervosa, tão preocupada com o fim das restrições no X?”
O deputado Eduardo Bolsonaro dobrou a aposta ao listar quais países proíbem a plataforma de funcionar para reforçar o argumento de que o Brasil seria uma ditadura
Surpreendendo aos espectadores ou não, o Partido da Causa Operária (PCO) se declarou contrário à posição de Moraes, alegando se tratar de censura:
Em tom irônico, o standapero Tiago Santineli comemorou a suposta saída da plataforma no Brasil, conhecida por levantar debates e discussões às vezes tóxicos ou improdutivos:
O MTST reivindica a necessidade de se regulamentar a internet para evitar abusos:
Enquanto isso, o educador Jones Manoel apontou para “precedente perigosíssimo e que deve ser rechaçado” representado pela postura do dono da plataforma de microblogs:
A promotora Janice Ascari ponderou que, independente de qual seja a decisão do Supremo, ela deve ser respeitada:
O jornalsita Thomas Traumann recordou que o maior prejudicado com a saída do Twitter do Brasil seria a direita:
Para o jurista Pedro Serrano, a inclusão de Elon Musk como investigado no inquérito que apura as milícias digitais relacionadas ao bolsonarismo seria legítimo, mas que o STF ainda não tem formas de provar que a rede social está sendo usada conscientemente para fins criminosos.
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