O ex-policial militar Élcio de Queiroz, réu pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, presta depoimento sobre o caso na tarde desta sexta-feira (30), no Supremo Tribunal Federal (STF).
Preso desde março de 2019, o ex-policial delatou às autoridades que dirigia o Cobalt prata em que estava o ex-policial reformado Ronnie Lessa, autor dos disparos que mataram a vereadora do PSOL e seu motorista.
No acordo de delação premiada firmado com a Polícia Federal (PF) e com o Ministério Público Federal (MPF), no ano passado, Élcio afirmou também o envolvimento do ex-bombeiro Maxwell Simões Corrêa, o Suel, no crime.
Preso no Complexo da Papuda, em Brasília, Élcio abre o 15º dia de audiência de instrução e julgamento do caso Marielle no STF, que tem relatoria do ministro Alexandre de Moraes. Ele será interrogado por videoconferência, a partir das 14h.
A expectativa é que ele possa corroborar com o depoimento de Lessa, que também foi ouvido na Suprema Corte esta semana. Após essa rodada, as defesas dos réus selecionarão testemunhas ou pedirão diligências ao STF.
As revelações de Élcio
Segundo Élcio, Marielle era perseguida desde 2017 por Suel e Lessa, que tentaram matá-la em setembro daquele ano, mas na ocasião, o carro era dirigido pelo ex-bombeiro e ele teria desistido do ataque, inventando uma falha mecânica no veículo. Suel já foi condenado a quatro anos de prisão por atrapalhar as investigações do assassinato brutal.
Élcio também afirmou que foi o policial Edmilson da Silva de Oliveira, mais conhecido como Macalé, quem apresentou a Lessa o “trabalho” de executar a vereadora. Morto em uma emboscada em novembro de 2021, Macalé também teria ajudado Lessa a desvendar a rotina de Marielle.
O ex-PM, por sua vez, não revelou o mandante do crime. Contudo, vale lembrar, que Lessa delatou o deputado federal Chiquinho Brazão (sem partido) e o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ), Domingos Brazão, como os mandantes do crime. O assassino confesso reafirmou a informação nesta semana, durante sua oitiva no STF.
Lessa ainda voltou a dizer que o então chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Rivaldo Barbosa, sabia da execução da vereadora e garantiria a impunidade na investigação.
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