Só não vê quem não quer
por Izaías Almada
De dois em dois anos o Brasil põe a sua democracia para funcionar. No próximo final de semana, domingo 06 de setembro, mais de 5000 cidades irão escolher prefeitos e vereadores.
Contudo, essa caminhada democrática não tem dado os resultados que dela se espera. Quer nas presidenciais, para o congresso, o senado e para a escolha de governadores, o que vemos – com raríssimas exceções – são as campanhas repletas de promessas ao povo e o esquecimento parcial ou total do que é prometido durante o mandato dos eleitos. O filme é velho.
Os famosos golpes de estado ou a eleição de candidatos medíocres e incompetentes, para dizer o menos, ocupam mais páginas na nossa vida política do que a verdadeira organização da justiça social para mais de 100 milhões de brasileiros que continuam a enfrentar o desemprego, os baixos salários, a saúde e a educação ainda a desejar, a violência policial, o desrespeito aos direitos humanos e a já nossa tradicional amiga e imoral corrupção.
Tomando São Paulo como exemplo, pode-se dizer que cada nova eleição baixa consideravelmente o nível dos candidatos que se apresentam e, por conseguinte, baixa também o nível das propostas que fazem. O número de partidos políticos é enorme e a troca de candidatos entre eles, uma brincadeira de mau gosto. A maioria à procura de uma “graninha extra”.
Os debates e a campanha de rádio e TV dos candidatos a prefeito e vereadores em São Paulo/capital é de dar sono em anfetamina ou engulho no estomago, tal o nível de demagogia e mentiras que são ditas.
A já famosa cadeirada num dos debates tornou-se o fato mais contundente e verdadeiro de quem não tem nada para dizer aos eleitores, mas muito empenho em difamar o opositor.
Enquanto as queimadas criam sérios problemas climáticos e econômicos, enquanto os golpes na internet e fora dela vão aumentando, enquanto as religiões vão se misturando cada vez com a política, enquanto os jogos de azar vão dizimando milhares de brasileiros, enquanto a violência policial aumenta a cada dia que passa, o cidadão brasileiro é colocando diante de um enorme número de candidatos que ninguém sabe de onde saíram e cuja campanha é feita de chavões e lugares comuns que, na pratica, não querem dizer absolutamente nada. E assim vamos caminhando seriamente para o caos.
E o caos, historicamente, favorece aos eternos golpistas e aos interesses do capital financeiro. Não tenhamos dúvidas: tudo já vai sendo preparado para as eleições presidenciais de 2026.
Só não vê quem não quer. A propósito: por onde anda a esquerda brasileira?
Izaías Almada é romancista, dramaturgo e roteirista brasileiro nascido em BH. Em 1963 mudou-se para a cidade de São Paulo, onde trabalhou em teatro, jornalismo, publicidade na TV e roteiro. Entre os anos de 1969 e 1971, foi prisioneiro político do golpe militar no Brasil que ocorreu em 1964.
O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.
“Democracia é coisa frágil. Defendê-la requer um jornalismo corajoso e contundente. Junte-se a nós: www.catarse.me/jornalggn “
Roberto Quintas
2 de outubro de 2024 8:55 amVejamos. Tivemos o mandato de Lula e de Dilma. O que foi feito nesse período para dar educação e consciência política ao povo? Nada.
JOSE OLIVEIRA DE ARAUJO
2 de outubro de 2024 8:57 amA política nacional, está tão impregmada de sujeira, que está cada vez mais difícil, que as pessoas com alguma dignidade, possa participar da mesma. Ainda mais quando a gente percebe, que a rigor o país foi capturado pelo capital rentista. O Brasil está se tornado numa USUROCRACIA.