Morreu o poeta
por Romério Rômulo
Morreu o poeta na torre,
morreu o poeta na ponte,
outro morreu na sarjeta.
Algum fez valer a morte.
Quem sabe morrer é tanto
que nenhum poeta morre
sem saber da morte certa
na busca do que é seu.
Quem sabe morrer é tudo
que não sei e ninguém sabe,
nem o poeta da torre,
o da ponte, muito menos.
Morrer pode ser um sono.
Em delírio cabe tudo.
O poeta sabe bem
a morte, um puro ajuste.
Se morrer é poesia
na sarjeta, ponte, torre,
em sono, em delírio, fosse,
que vale saber daí?
Morreu o poeta na torre,
outro morreu na sarjeta,
morreu o poeta na ponte.
Algum fez valer a morte.
Romério Rômulo (poeta prosador) nasceu em Felixlândia, Minas Gerais, e mora em Ouro Preto, onde é professor de Economia Política da UFOP e um dos fundadores do Instituto Cultural Carlos Scliar – Rio de Janeiro RJ.
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