10 de junho de 2026

Tese da prevaricação: Gonet poderia sofrer impeachment por engavetar relatório do CNJ contra Moro, Hardt e Dallagnol

'TVGGN Justiça' entrevista juristas que movem ação para que a PGR dê andamento a investigações contra Moro, Hardt e Dallagnol
Brasília (DF), 27/11/2023 - (Fotos de Arquivo) - O Ministro da Justiça. Fávio Dino e o Vice-Procurador-Geral Eleitoral, Paulo Gonet (FOTO), foram indicados pelo presidente Lula às vagas no STF e PGR, respectivamente. Fotos: M. Camargo e A. Cruz/Agência Brasil

Ao engavetar, por mais de um ano, o relatório aprovado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra Sergio Moro, Deltan Dallagnol, Gabriela Hardt e outros lavajatistas, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, se submete ao risco de sofrer um processo de impeachment por incorrer, em tese, no crime de prevaricação. É o que aponta a ex-juíza de direto Luciana Bauer, que foi entrevistada pelo jornalista Luis Nassif no programa TVGGN Justiça, na última sexta-feira, 13.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

A transmissão no Youtube, que contou também com o coordenador do coletivo Transforma MP, Élder Xavier, marcou o aniversário de um ano desde que o CNJ encaminhou para a PGR o relatório da correição extraordinária que o ministro Luís Felipe Salomão encampou nos gabinetes da Lava Jato no Paraná, em primeira e segunda instância.

O relatório listou uma série de condutas de Moro, Hardt e Dallagnol, que podem ensejar ações criminais e administrativas. Cabe à PGR, que ainda não se manifestou, analisar o relatório e dar andamento às investigações na esfera penal.

“O CNJ achou crimes, em tese, de prevaricação, abuso de autoridade, peculato e organização criminosa. De quebra, o TCU também analisou o gerenciamento de verbas [bilionárias que passaram pela Lava Jato] e apurou que houve improbidade no uso dessas verbas”, apontou Bauer.

“O que acontece é que o procurador-geral deixou o relatório na gaveta, fraudando uma razão pública. A Constituição de 1988 definiu que as partes do Estado constituinte fizessem com que o PGR tivesse esse direito de oferecer a denúncia. Mas isso não é direito dele, é um direito da sociedade. Se ele não exerce esse direito, ele está fraudando o constituinte originário. No caso concreto, o PGR comete, em tese, o crime de precarização, podendo sofrer até impeachment, porque não é dele a vontade. É do constituinte”, explicou Bauer.

Diante da inércia de Gonet, coletivos de juristas ingressaram na PGR com notícias de fato e representações que cobram a continuidade e o aprofundamento das investigações. Fazem parte dessa frente o Grupo Prerrogativas, a Rede Lawfare Nunca Mais, o Transforma MP, a FENED e a ABDJ, entre outros apoiadores.

A Rede Lawfare Nunca Mais, inclusive, usou uma entrevista exclusiva da juíza Luciana Bauer ao canal TVGGN para demandar a investigação de duas servidoras da 13ª Vara Federal de Curitiba na época em que Moro e Hardt atuavam diretamente na Lava Jato. Bauer afirma ter vislumbrado indícios de que as assessoras de confiança manipularam o sistema eletrônica de Justiça para impedir que juízes plantonistas pudessem proferir decisões alheias aos interesses da Lava Jato.

Segundo Bauer, “tudo foi reportado a três corregedorias e ninguém tomou providência. É mais ou menos o que está acontecendo agora, com o fato de Gonet deixar engavetado [o relatório contra Moro e aliados]”, comparou.

Para Élder Ximenes, “essa representação [o relatório] precisa ser examinada para haver uma denúncia, para haver o prosseguimento nas investigações ou um arquivamento fundamentado”. Ele lembrou do direito da sociedade à “razoável duração do processo” e enfatizou que há “provas e indícios de delitos que precisam ser apurados”, mesmo para pessoas que não são mais magistrados ou membros do Ministério Público. Para ele, o que se busca é “o cumprimento da Constituição do Código de Processo Penal”.

Por que é preciso ampliar as investigações

Embora tenha tomado depoimento de algumas servidoras da 13ª Vara e também de desembargadores do TRF-4 no âmbito da correição extraordinária, o relatório final da Corregedoria Nacional de Justiça foca exclusivamente no papel de Sergio Moro, Gabriela Hardt, Deltan Dallagnol e outros atores no esquema de “recirculação” de valores de acordos de delação premiada e leniência, para fins de interesses políticos e pessoais dos lavajatistas.

Para Bauer, o “CNJ apurou uma parcela muito pequena do que aconteceu lá” na 13ª Vara. “Uma fatia. Exclusivamente, os 6 bilhões desviados das delações para aquela fundação privada que só foi debelada porque o Supremo entrou em cena. O CNJ fez um recorte e verificou manipulação de processos, desvio de recursos, uso indevido de cooperações internacionais (…), uso do judiciário para fins políticos, tanto que dois deles – Moro e Deltan – pularam para a vida política, arrastando várias pessoas.”

Mas ainda há muito, muito a ser apurado. E a bola está com o PGR. Bauer finalizou questionando se a morosidade de Gonet seria estratégica, esperando a troca de presidência do STF. No próximo ano, a Corte será comandada por Edson Fachin, ministro que relatou os processos da Lava Jato no Supremo.

Assista a entrevista completa abaixo:

Cintia Alves

Cintia Alves é jornalista especializada em Gestão de Mídias Digitais e editora do GGN.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

6 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. IVETE MARIA CARIBE DA ROCHA

    16 de junho de 2025 4:38 pm

    Não há justificativa para esse caso ainda estar engavetado. São relatos comprovados na correição do ministro Salomão, da prática de ilícitos cometidos no âmbito da operação lava jato, com prejuízos incalculáveis para o país. A sociedade merece uma resposta urgente.

  2. Anônimo

    16 de junho de 2025 5:00 pm

    Concordo com a prevaricação da PGR no caso da lava jato assim como me pergunto por que o aras, antecessor do gonet não sofreu nenhuma penalidade tendo engavetado todos os crimes que cometeu o genocida durante o seu demandado. Por que isso logo agora que estamos no momento histórico de encarcerar os maiores criminosos da história recente do país???

  3. Jose carlos lima

    16 de junho de 2025 7:12 pm

    Depois de tanta luta Lula pra provar que a Lava Jato era uma farsa e se eleger, Lula indica um lavajatista pro-Sergio Moro et caterva pra PGR. Cruuuuuzzzisssss

  4. ERNESTO

    16 de junho de 2025 8:55 pm

    O ultra-republicanismo de Lula cedo como sempre acaba por beneficiar justamente quem mais o maltratou. Quando será que vai se tocar que a linguagem corrente nessas instituições é a do compadrio?

  5. Manoel Magalhães

    17 de junho de 2025 4:50 am

    VERDADE! ESTÁ OCORRENDO UM ESTELIONATO ELEITORAL. Outro fato muito grave, foi o pedido do PGR para o arquivamento do Processo do IBANÊS no STF, dando uma CARTA BRANCA PARA ELE IR PARA O SENADO. Sendo que o IBANÊS, um bolsonarista de carteirinha, como governador, era o Comandante Maior da PM. Toda a cúpula da PM foi presa e será julgada. A PALAVRA ESTÁ COM O PGR E A NOSSA JUSTIÇA.

  6. AMBAR

    17 de junho de 2025 1:24 pm

    E no Aras, não vai nada. Desde o engavetador geral da república, O Geraldo Brindeiro, na era FHC, outra não é a função dos PGRs que a de blindar o chefe supremo danação. Só na era Lula, quando o chefe é da nação é que o PGR investiga, e parece que por investigar será o primeiro a ser acusado de prevaricador. Respeite-se o incalculável esforço que teve e tem tido o procurador para colocar mais de 1000 golpistas na cadeia, processar generais, autoridades de todos os poderes e ainda manter os demais afazeres próprios da sua função quando seus antecessores sequer levantavam da cadeira. É de se admirar essa cobrança. Talvez porque todos esperassem dele o que os outros fizeram com tanta “galhardia”, a saber, nada.
    https://acervo.oglobo.globo.com/em-destaque/brindeiro-engavetador-geral-para-os-criticos-comanda-procuradoria-na-era-fh-21529163

Recomendados para você

Recomendados