O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usou o horário nobre da TV brasileira, na noite desta quinta-feira (10), para reforçar a resposta do governo às tarifas anunciadas por Donald Trump sobre produtos brasileiros. Em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, Lula foi direto: “O que o Brasil não aceita é intromissão”. A fala ecoa a nota publicada anteriormente pelo presidente nas redes sociais e reafirma que o país agirá, se necessário, com base na Lei de Reciprocidade Econômica.
“É inaceitável que o presidente Trump manda uma carta pelo site dele e começa dizendo que é preciso acabar com a ‘caça às bruxas’. Isso é inadmissível. Primeiro porque isso aqui tem justiça e a gente está fazendo um processo com direito a presunção de inocência de quem é vítima. Se quem é vítima e cometeu um erro vai ser punido. Aqui no Brasil é punido”, afirmou o presidente.
A fala de Lula se refere à carta divulgada por Trump em sua rede social, a Truth Social, na qual o republicano justificou a taxação de 50% sobre produtos brasileiros com ataques diretos ao Supremo Tribunal Federal (STF) e à condução do processo contra Jair Bolsonaro (PL), investigado por suspeita de articular um golpe para se manter no poder após a derrota nas eleições de 2022.
A nova tarifa, que entra em vigor em 1º de agosto, foi classificada por Lula como politicamente motivada e sem base econômica.
Brasil busca negociação, mas se prepara para retaliação
Apesar do tom firme, Lula descartou qualquer precipitação, durante a entrevista à repórter Delis Ortiz, . Segundo ele, o Brasil tentará todas as vias de negociação antes de retaliar. “Não vou tomar decisão com 39 graus de febre”, disse. O presidente confirmou que o país recorrerá à Organização Mundial do Comércio (OMC) e buscará diálogo com outros países afetados por tarifas semelhantes impostas pelos EUA.
“O Brasil utilizará a Lei da Reciprocidade quando necessário e o Brasil vai tentar, junto com a OMC e outros países, fazer com que a OMC tome uma posição para saber quem é que está certo ou que está errado. A partir daí, se não houver solução, nós vamos entrar com a reciprocidade já a partir de 1º de agosto, quando ele começa a taxar o Brasil“, disse. “ Nós entendemos que o Brasil é um país que não tem contencioso com ninguém. Nós não queremos brigar com ninguém. Nós queremos negociar e o que nós queremos é que seja respeitada as decisões brasileiras“, acrescentou o presidente.
Além disso, Lula revelou a intenção de formar uma comissão de negociação com participação de empresários e membros do governo. O grupo deve avaliar os impactos da medida e buscar novos mercados para os produtos brasileiros mais afetados, como suco de laranja, aço e aeronaves da Embraer.
Superávit norte-americano desmente Trump, diz Lula
Durante a entrevista, Lula também confrontou os argumentos econômicos de Trump. Segundo o presidente brasileiro, os Estados Unidos não têm prejuízo com a relação comercial entre os dois países — ao contrário do que alega o republicano.
“O presidente Trump deve estar muito mal informado, porque nos últimos 15 anos o déficit para o Brasil é de R$ 410 bilhões entre comércio e tarifas. Portanto, não existe explicação a não ser uma falta de informação e depois tentando atrapalhar uma relação muito virtuosa que o Brasil tem com os Estados Unidos há 200 anos“, declarou.
Sem diálogo direto: “não tenho nada pra conversar com ele”
Ao ser questionado sobre por que ainda não havia estabelecido contato direto com o presidente norte-americano, Lula respondeu com franqueza:
“Eu não tenho que conversar com o Trump até agora. Eu não tenho nenhuma razão. […] Ele não mandou nenhuma carta. Nós não recebemos carta. Ele publicou no site dele em uma total falta de respeito, que é um comportamento dele com todo mundo. E eu não sou obrigado a aceitar esse comportamento desrespeitoso entre relações de chefe de Estado, entre relações humanas. Educação é bom e a gente gosta de receber e gosta de dar”, ponderou.
Mesmo assim, Lula afirmou que, caso necessário, não hesitará em ligar para a Casa Branca. Mas, por ora, mantém o foco na articulação internacional, especialmente com parceiros da Ásia e dos BRICS, e na proteção dos interesses nacionais.
BRICS, soberania e uma nova moeda global
Lula também rechaçou a ideia de que a atuação brasileira no comando dos BRICS tenha motivado o ataque comercial. Para ele, os países do Sul Global têm o direito de construir alternativas ao domínio do dólar e às pressões do eixo norte-americano:
“Nós cansamos de ser subordinado ao norte. Nós queremos ter independência nas nossas políticas, queremos fazer comércio mais livre”, destacou.
O presidente voltou a defender a criação de uma moeda comum para o comércio entre os BRICS como instrumento de soberania econômica. Para ele, Trump precisa entender que não foi eleito “para ser xerife do mundo”.
“Essa é a hora de mostrar que o Brasil quer ser respeitado”
Na entrevista, Lula também convocou o empresariado a se unir ao governo na defesa do país. Disse que aceitar imposições externas é abrir mão da soberania:
“Essa é a hora de a gente mostrar que o Brasil quer ser respeitado no mundo. […] Se existe algum empresário que acha que o governo brasileiro tem que ceder e fazer tudo que o presidente do outro país quer, sinceramente, esse cidadão não tem nenhum orgulho de ser brasileiro.”
A fala reforça a linha adotada na resposta anterior de Lula à carta de Trump: o Brasil está aberto ao diálogo, mas não aceitará desrespeito, pressão ou submissão.



Rui Ribeiro
11 de julho de 2025 12:39 pmGalípolo diz que estouro da meta de inflação foi causado por dólar alto, custo de energia elétrica e economia aquecida
Carta do Banco Central destaca que gasolina, café, vestuário, automóveis e serviços subiram mais do que o previsto, pressionando a inflação acima da meta.
Era previsível que isso aconteceria, pois taxas de juros estratosféricas prejudicam o setor produtivo, impactando negativamente o oferta de bens e serviços, elevando os preços. Além disso, taxas de juros altas impactam negativamente a demanda. Com menos demanda, o desemprego se eleva, pois ninguém vai continuar produzindo se não há expectativa de demanda efetiva
ed.
11 de julho de 2025 12:48 pmFiquemos atentos para a cretinice irresponsável que ignora os interesses da sociedade brasileira para a possível armação de um bozo, um bananinha, um tarcínico d’espreitas ou similares “negociarem” com trampa e “salvarem” o braZil (deles) de um “problem” que eles mesmos criaram.
É preciso criar uma legislação ordinária ou constitucional que cubra a traição por incitação, promoção ou ação contra interesses nacionais e suas instituições.