O presidente Lula (PT) reagiu com contundência à decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa de 50% sobre produtos importados do Brasil. O anúncio feito pelo republicano nesta quarta-feira (9), por meio de sua rede Truth Social, acusou o Brasil de manter uma relação comercial “muito injusta” com os norte-americanos e associou a medida à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro )PL).
Horas depois, Lula convocou uma reunião de emergência com os ministros Fernando Haddad (Fazenda), Geraldo Alckmin (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) e Mauro Vieira (Relações Exteriores) para articular uma resposta à altura. A ofensiva tarifária contra o Brasil foi a mais dura entre as anunciadas nesta semana por Trump.
“Brasil não será tutelado por ninguém”, afirma Lula
Por meio de pronunciamento nas redes sociais, Lula denunciou o caráter unilateral e político da decisão de Trump e afirmou que o Brasil irá responder com base na Lei de Reciprocidade Econômica. “O Brasil é um país soberano com instituições independentes que não aceitará ser tutelado por ninguém”, escreveu o presidente.
Além de condenar a medida comercial, o petista também rechaçou a tentativa de interferência nos assuntos internos do país, ao lembrar que o processo judicial contra os envolvidos em um plano de golpe de Estado em 2022 “é de competência apenas da Justiça Brasileira” e “não está sujeito a nenhum tipo de ingerência ou ameaça que fira a independência das instituições nacionais”.
Trump usa comércio como pretexto para atacar STF
A ação de Trump revela uma motivação abertamente política. O norte-americano justifica a tarifa mencionando “desequilíbrios gerados por políticas tarifárias e não-tarifárias e pelas barreiras comerciais do Brasil”, mas associa a cobrança à atuação do STF no julgamento de Bolsonaro.
Para Trump, o novo imposto “ainda é muito menor do que o necessário para termos condições de concorrência equitativas”. Contudo, Lula rebateu as alegações com dados oficiais do próprio governo norte-americano:
“É falsa a informação, no caso da relação comercial entre Brasil e Estados Unidos, sobre o alegado déficit norte-americano. As estatísticas do próprio governo dos Estados Unidos comprovam um superávit desse país no comércio de bens e serviços com o Brasil da ordem de 410 bilhões de dólares ao longo dos últimos 15 anos.”
Liberdade com responsabilidade
A crise diplomática também trouxe à tona críticas de Trump à legislação brasileira sobre liberdade de expressão. Em resposta, Lula reafirmou o compromisso do país com os direitos fundamentais e com o combate ao discurso de ódio e à violência nas redes:
“No Brasil, liberdade de expressão não se confunde com agressão ou práticas violentas. Para operar em nosso país, todas as empresas nacionais e estrangeiras estão submetidas à legislação brasileira” afirmou o petista.
Lula ressaltou que a sociedade brasileira “rejeita conteúdos de ódio, racismo, pornografia infantil, golpes, fraudes, discursos contra os direitos humanos e a liberdade democrática”.
Reciprocidade e respeito
Ao encerrar o pronunciamento, Lula reforçou o posicionamento do país diante do cenário internacional: “A soberania, o respeito e a defesa intransigente dos interesses do povo brasileiro são os valores que orientam a nossa relação com o mundo.”
A resposta do presidente reflete não apenas a intenção de proteger a economia nacional, mas também de afirmar o papel do Brasil como ator independente e protagonista no cenário global, em especial diante de tentativas de coerção e desinformação.



Thiago
10 de julho de 2025 10:22 amSerá preciso avaliar a qualidade estratégica no reposicionamento do país. Há estrategia? Verdade seja dita: nessa comissão, Haddad e Alckmin me parecem representantes dessa nossa fração politica cegamente alinhada aos interesses norte americanos. Isso preocupa.
O país tem oportunidade valiosa de redirecionar seus mercados para contextos mais vantajosos e equânimes no BRICS, num momento em que a confiabilidade financeira americana derrete e seu lobby sionista dizima uma população inteira em Gaza. Quando veremos novamente uma postura ativa e altiva do Brasil em relação aos movimentos geopolíticos que se impõem? Quando o governo deixará de apostar na covardia conciliatória para realizar um projeto à altura da grandeza do Brasil e do brasileiro?
Rui Ribeiro
10 de julho de 2025 11:17 amEsse percentual é uma forma de penalizar o Brasil por participar do Brics.
A inflação/recessão vai bombar nos EUA
Rui Ribeiro
10 de julho de 2025 11:41 amA melhor reação é destinar os produtos que seriam exportados aos EUA para consumo da própria população brasileira.
JOTAANA.MARCELOOO
10 de julho de 2025 12:07 pmOBG THUAMP,CARNE,AÇO E ETC..VAI BAIXAR O PREÇO NO BRASIL,O MÁXIMO Q ACONTECERÁ É UNS BILIONARIOS MIMADOS DAQUI DEIXAR DE GANHAR ALGUNS MÍSEROS MILHÕES NÃO SE PREOCUPE TB THUAMP(SE PRONUNCIA ASSIM)AGORA VC SABER A QUEM SÃO OS SEUS VERDADEIROS AMIGOS NO BRASIL,VAAALEU OU SÓ VLW MESMO !!!
AMBAR
10 de julho de 2025 12:37 pmSó nos resta aplaudir o Lula e garantir incondicional apoio para quem pensa o Brasil.
Rui Ribeiro
10 de julho de 2025 12:48 pmMesmo com o Brssil importando mais dos EUA fo que expirta, o governador de SP culpa o Brasil pelo tarifaço de 50% sobre os produtos brasileiros. Isso me fez lembrar o Paulo Coelho absolvendo os Militares que o torturaram e culpando o Raul Seixas, que também foi torturado pelos Abacates Golpistas dos anos de chumbo.
Vira-latice em alto grau. Tarcísio é um vira-lata. Quando se tem notícias de que o Paul Krugman reprovou Trump por tais tarifas, vê-se que o Tarcísio tá mais realista do que o Rei
Cenira da Silva
10 de julho de 2025 1:58 pmEles e você também, esquecem que enquanto eles ficam brigando pra ver quem taxa mais, nós enquanto cidadãos é que pagamos uma conta que não é nossa. Ficar defendendo esse oi aquele cabrito, não favorece o Brasil como país e sim como fins políticos e ideológicos.
José Carvalho
10 de julho de 2025 3:45 pmAinda que os EUA tenham para o Brasil uma relação comercial entre as principais, o mesmo não vale para o Brasil entre as mais relevantes parcerias comerciais dos EUA. Os dois países sempre mantiveram relações amigáveis tanto no âmbito comercial, como político e diplomático, mesmo com discordâncias. Então não é do ponto de vista comercial ou econômico que a tarifa foi aplicada. O Brasil se autoanulou na participação do País nas relações internacionais durante período recente. Nesse período atual, o País foi anfitrião de encontro do G20, também do encontro BRICS presidindo estes dois grupos. Volta a estar a frente do MERCOSUL e é anfitrião da COP30 e foi convidado para participar do encontro do G7 . Portanto o respeito dado pelos vários pares ao Brasil está assegurado. Cabe ao próprio País saber como vai continuar dando seguimento a tudo aquilo que seja do iseu nteresse nos vários entendimentos em andamento. Trump sabe que o País está vacilando sobre alguns temas de ordem política e econômica , e sabe muito bem que há indefinição quanto aos rumos a ser seguidos. Não é admirável que se faça o uso da função de presidente da república para defender o interesse de suas empresas nas questões relacionadas ao STF e o sistema judicial brasileiro, e nem que interfira questionando processos de jurisdição brasileira. E nem que isso faça parte das razões na aplicação de tarifação sobre os produtos brasileiros. O Brasil precisa negociar e perceber que ninguém presta favor a ninguém. Se o País quer estar melhor cada vez mais vai precisar lutar por isso.
Rui Ribeiro
10 de julho de 2025 8:36 pmQue essa ratazana imponha a tarifa que quuser; que nos boicote, como faz com Cuba. Mas não não meta seu nariz na nossa autodeterminação, principalmente para garantir a impunidade de criminosos Golpistas. Vai lamber sabão
Paulo Dantas
11 de julho de 2025 7:29 amTenho para mim que Bolsonaro é uma desculpa para mandar um aviso.
Não mexam com o US$ !
O Brasil é quem toca neste assunto.
Não creio que Donald se importe com seu Jair.
E não adianta negociar se o foco está no ponto errado da questão.