A atuação da Polícia Federal no combate ao crime organizado, especialmente após a Operação Carbono Oculto, que descapitalizou organizações criminosas ao desembargar na Faria Lima, gerou um “trabalho sem precedentes” para o secretário nacional de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Marivaldo Pereira. Em entrevista exclusiva ao jornalista Luis Nassif, o secretário analisou o projeto de lei (PL) apresentado pelo deputado federal e ex-secretário de Segurança de São Paulo, Guilherme Derrite, que altera o papel de algumas instituições no combate ao crime organizado. Segundo Pereira, nunca antes alguém havia “ousado” afastar a Polícia Federal das investigação contra facções, o que demonstra a eficácia do trabalho da PF, que incomodou “muita gente” na operação na Faria Lima.
Derrite, ao assumir a relatoria do PF tentando subordinar o trabalho da PF à aprovação de terceiros, foi vista pelo secretário do Ministério da Justiça como uma “tentativa de blindar as facções” com um texto “eivado de inconstitucionalidades e equívocos jurídicos”. Na entrevista concedida ao programa TV GGN 20 Horas [assista abaixo], Marivaldo Pereira destacou que a proposta de Derrite, que inicialmente condicionava a atuação da Polícia Federal à provocação dos governadores e transferiria investigações em curso para a Polícia Civil dos estados, era um “apoio indecente ao crime organizado” e o “maior presente de Natal” que poderia ser dado às facções.
Pereira e Nassif comentaram sobre as impressões digitais deixadas pelo governador Tarcísio de Freitas nesta discussão, uma vez que o bolsonarista exonerou Derrite da Secretaria de Segurança para que ele retornasse à Câmara para assumir a relatoria do projeto de lei que, em sua origem, era do governo federal, e acabou desconfigurado pelas mãos do aliado de Tarcísio, que ousou mexer nas competências da PF. “Entrará para a história”, disse Pereira.
Após pressão e movimentações políticas, Derrite acabou voltando atrás nas atribuições da PF. O recuo “foi uma vitória gigantesca para o governo, que alertou que essa proposta era equivocada e tinha um objetivo exclusivo de fazer disputa política, de tentar gerar o caos para colher fruto político em 2026. Era mais do que isso. Não era só uma disputa política, era um apoio indecente ao crime organizado”, disparou Pereira.
O secretário ressaltou ainda que a PF criada sob a gestão do ministro Márcio Tomás Bastos, no primeiro governo Lula, é uma “polícia republicana, não protege amigos e nem persegue inimigos”, e que o governo agiu rapidamente para reverter a situação, conseguindo que o novo relatório de Derrite.
Pereira também mencionou na entrevista que, após essa vitória do governo contra Derrite, a prioridade deveria ser a aprovação PEC da Segurança Pública, em tramitação no Congresso há meses. A proposta visa a integração entre as polícias, algo que até governadores da extrema-direita reconhecem como necessário, mas que sofre resistência da oposição, que não quer deixar o governo Lula sair vitorioso em uma pauta tão cara para a sociedade.
O secretário criticou a resistência da extrema-direita em cooperar com a PEC, afirmando que eles estão mais preocupados em “disputa política” e em “tentar desgastar o presidente Lula” do que em atender às demandas da população.
A entrevista abordou ainda a complexidade do crime organizado, que é interestadual, nacional e transnacional, e a essencialidade da Polícia Federal no seu combate, devido à sua experiência, capacidade de investigação e cooperação internacional.
Marivaldo Pereira enfatizou que “sem a Polícia Federal, você não tem como fazer o enfrentamento que a sociedade precisa a organizações criminosas que são cada vez mais complexas e com laços cada vez mais internacionalizados”. Ele concluiu que qualquer tentativa de afastar a PF desse trabalho favorece o crime organizado.
A entrevista foi concedida ao programa “TV GGN 20 Horas”, que é transmitido ao vivo de segunda a sexta-feira, sempre às 20:00 do horário de Brasília, no canal TV GGN, no Youtube. Assista abaixo:
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Rui Ribeiro
12 de novembro de 2025 12:07 pmA comunicação do governo continua péssima: A inflação cedendo, mas o governo não explora esse fato. A elite preparando para matar os favelados e o governo segue acuado, sem denunciar esse fato. O governo tem como convencer a maioria dos brasileiros que a matança de favelados que estão querendo implantar vai trazer mais insegurança, não mais segurança.
Rui Ribeiro
13 de novembro de 2025 8:25 amTentar escapar equivale a enfrentar?
No link a seguir, reconhece-se que os traficantes tentavam escapar mas não conseguiram porque foram emboscados. Isso destoa das declarações das autoridades açougueiras do RJ, que afirmam que os mortos confrontaram a polícia.
Aquilo foi um massacre promovido pelo Estado, que deveria proteger a vida e punir os criminosos, não eliminá-los, exceto em legítima defesa, pois não existe pena de morte no Brasil, e ainda mais extra-oficialmente. Detalhe: Não existe legítima defesa com decapitação nem com muitos tiros.
Aquilo foi um massacre. Eles foram conduzidos para a mata-douro, como ovelhas.
“Distribuímos as tropas pelo terreno. O diferencial, em relação às imagens que mostravam criminosos fortemente armados BUSCANDO REFÚGIO na área de mata, foi a incursão dos agentes do Bope na parte mais alta da montanha que separa as duas comunidades. Essa ação criou o que chamamos de ‘muro do Bope’ — uma linha de contenção formada por policiais que empurravam os criminosos para o topo da montanha”. – Secretário da PM do Rio de Janeiro
“Contra a população, eles impõem o terror. Mas quando o estado chega, eles fogem”.
Desde quando fugir equivale a enfrentar?