Ou retornamos ao mundo presencial…
por Izaías Almada
…ou acabaremos num manicômio digital. As rápidas transformações provocadas pelo avanço da cibernética e no que ela interfere no mundo digital está levando a humanidade a alguns paradoxos como, por exemplo, o da IA.
Caro leitor, procure em um bom dicionário ou mesmo no Google o significado da palavra ARTIFICIAL… Lá está: fictício, falso, postiço, antinatural.
E sobre a INTELIGÊNCIA, como é definida?…Lá estão os substantivos: discernimento, conhecimento, percepção, intelecto…
Como é que o conhecimento ou o discernimento podem conviver com o falso e o postiço?
Muitos dirão que sim, conforme seus interesses pessoais ou coletivos… E até a psicologia poderá demonstrar que isso é possível, como “indicam pesquisas feitas na Europa, nos Estados Unidos ou na Cochinchina”, essa já manjada estratégia de “informação” a bilhões de terráqueos que não desfrutam do conhecimento necessário para muitas das invenções contemporâneas.
Em outras palavras: o mundo atual, a cada dia que passa se transforma num imenso palco de idiotices, onde o egoísmo assume o comando da barbárie no jogo do salve-se quem puder.
Se não temos mais como usar a nossa própria inteligência, vamos usar a inteligência artificial e ficar milionários como já promete a publicidade do IA? E há quem acredite…
O celular não é mais para falar com as pessoas… É para escrever mensagens e exibir o início do manicômio digital pelas redes sociais.
Qual o mérito de pessoas como Trump, Bolsonaro, Milei, Tarcisio, Derrite, Castro, Epstein et caterva? Talvez o mérito, fazendo uso da dialética, esteja na luta pela paz, pela verdadeira democracia e justiça social, pela severa punição daqueles que usam as instituições financeiras para proveito pessoal, pela melhoria do ensino e da saúde pública, por melhor distribuição de renda.
O egoísmo isola as pessoas, tornando o Whatsapp o novo espelho da falta de comunicação.
Mas o que será que esse escritor maluco está querendo dizer com toda essa bobajada que escreve?… É isso que muitos leitores irão perguntar, se é que tenho muitos leitores, rsrsrs…
Bobajada? Então, o que eu escrevo não presta para nada?
Claro, claro, sou do tempo em que as pessoas gostavam dos almoços ou aniversários familiares aos domingos, abraços, olhos nos olhos, sorrisos, choros, as gerações juntas com os avôs e avós e os recém nascidos…
Simone de Beauvoir, grande escritora e pensadora francesa so século XX afirmava que “nem toda novidade é revolucionária”.
E a prova está diante dos nossos olhos, pois a grande revolução da comunicação moderna (eu disse comunicação?) está trazendo o nazifascismo de volta, a violência, a mentira, o egoísmo, a vulgarização da linguagem e do sexo, o desconhecimento da história, o desrespeito e a desconsideração para com o semelhante, o silencio diante da impunidade…
Socorro! Socorro! Os surrealistas querem me internar no manicômio digital…
Izaías Almada é romancista, dramaturgo e roteirista brasileiro nascido em BH. Em 1963 mudou-se para a cidade de São Paulo, onde trabalhou em teatro, jornalismo, publicidade na TV e roteiro. Entre os anos de 1969 e 1971, foi prisioneiro político do golpe militar no Brasil que ocorreu em 1964.
O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.
“Democracia é coisa frágil. Defendê-la requer um jornalismo corajoso e contundente. Junte-se a nós: https://www.catarse.me/JORNALGGN “
Deixe um comentário