Carlos Gomes: A Força do Destino
por Izaías Almada
Há alguns bons anos tento entender uma questão que perdura na produção do audiovisual brasileiro, sobretudo agora com os canais de streamings aumentando a sua média de assinantes a cada ano que passa.
Questão essa que trata da ausência e do silêncio sobre nosso grande músico e compositor de óperas e não só, CARLOS GOMES.
O que o Brasil sabe sobre Carlos Gomes?
Milhões de brasileiros já tiveram a oportunidade de ouvir a abertura da ópera “O Guarani”, dando início ao programa das 19 horas de segunda a sexta-feira, “A Voz do Brasil”.
Um filme de longa metragem ou mesmo uma minissérie para televisão penso que já poderiam ter sidos realizados, mas a verdade é que nada se fez. E por qual razão?
E por que Carlos Gomes?
Abaixo faço um rápido registro sobre a vida do compositor da ópera “O Guarani”, onde se pode ver a riqueza de uma narrativa repleta de dramaticidade, perseverança e genialidade musical de um brasileiro nascido na cidade de Campinas no Estado São Paulo e que, após a sua morte em 1896, em Belém do Pará, completará em 2026 cento e trinta anos esquecido pela cinematografia brasileira… Vejamos:
CARLOS GOMES viveu sob a marca de uma obsessão: o assassinato de sua mãe. Ainda assim, tornou-se um músico excepcional.
Desafia o pai na adolescência e vai para São Paulo e em seguida para o Rio de Janeiro, onde estuda no Conservatório dirigido pelo maestro Francisco Manuel da Silva, autor do hino nacional brasileiro.
Compõe a música do hino da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco e a mais conhecida de suas modinhas: “Quem sabe”.
Recebe do Imperador D. Pedro II uma bolsa para estudar em Milão.
Seu primeiro trabalho na Itália é para o teatro de revistas e se transforma em grande sucesso. As portas do teatro lírico italiano em Milão lhe são abertas. Começa a trabalhar “O Guarani”.
A ópera italiana e o Scala de Milão adotam o “selvagem brasileiro” como um de seus filhos. Chegou a ter quase o mesmo número de operas apresentadas no Scala quanto o grande nacionalista italiano Giuseppe Verdi.
O sucesso granjeou-lhe dinheiro e gastos financeiros acima de suas possibilidades. Mesmo assim navegou na razão inversa do desespero pessoal e sua produção musical se refina. Já no final da vida compôs, segundo bons conhecedores de sua obra, algumas de suas melhores peças, como “Fosca” e “Lo Schiavo”.
Morre em Belém do Pará, Brasil no ano de 1896. É enterrado em Campinas no mesmo ano.
“Quem sabe” o cinema brasileiro, após 130 anos de sua morte, ainda possa mostrar ao Brasil e ao mundo quem foi Carlos Gomes…
Izaías Almada é romancista, dramaturgo e roteirista brasileiro nascido em BH. Em 1963 mudou-se para a cidade de São Paulo, onde trabalhou em teatro, jornalismo, publicidade na TV e roteiro. Entre os anos de 1969 e 1971, foi prisioneiro político do golpe militar no Brasil que ocorreu em 1964.
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