O conto dos vigários
por Izaías Almada
O ano de 2025, que vai chegando aos seus dois últimos meses de duração tem sido, sobre muitos aspectos, um ano em que várias entidades e órgãos públicos ou privados, bem como alguns dos partidos políticos, advertem quanto às inclinações políticas e ideológicas de muitos dos nossos governantes com o objetivo de chamar a atenção para que o país não venha a cair uma vez mais no “conto do vigário”… Ou nos contos dos vigários, porque o número deles é grande no Brasil… E no resto do mundo.
E o que seria esse tal conto do vigário?
Um jeito de burlar alguém ou leis que tentam organizar a vida em sociedade, por exemplo, como a tentativa de golpe dos bolsonaristas, onde apelaram até para o “Sherif” Trump numa vergonhosa traição ao país.
Aliás, apesar do traiçoeiro blefe, parece que a moda pegou, pois não é que o governador do Rio de Janeiro já disse que vai avisar ao “Sherif” em Washington que a culpa de 120 mortos é do governo Lula por não cuidar da segurança no seu estado?…
E os milhares e milhares de golpes dados pelos celulares e computadores espalhados pelo mundo, o que eu chamaria de conto do vigário digitalizado, onde promessas e promessas se transformam em pura vigarice…
O amigo leitor já parou para pensar no atual estágio do capitalismo ao redor do mundo? Escancarou-se tal sistema econômico em atitudes de “ou faz o que eu mando ou então lá vai bala e foguetões em cima dos mais pobres e menos poderosos”.
Ninguém se entende e muitos são os encontros realizados em todos os continentes para falar de paz, progresso, crimes ambientais e digitais, democracia, justiça social, tudo sob o controle da megalomania de muitos dos milionários citados anualmente pelas publicações especialistas em listas dos mais ricos no mundo.
A zorra é geral… Os caminhos para a pacificação vão se tornando cada vez mais estreitos e cheios de pedregulhos e areias movediças. “Em casa que não tem pão, todo mundo briga e ninguém tem razão”.
São tantas as informações no mundo contemporâneo a nos sacudir no dia a dia, que já estamos nos transformando em robôs: jornais, revistas, rádio, cinema, televisão, celulares, computadores, sites, blogs e redes sociais com milhares e milhares de notícias e opiniões as mais desencontradas e contraditórias que já não sabemos quais delas são verdadeiras ou falsas.
Enquanto isso os robôs verdadeiros vão se “humanizando” e até alguns já jogam futebol na China…
E do jeito que está é que não pode ficar… O que fazer? Será que os “influencers” podem nos ajudar? Ou os mercadores da fé? Os tarólogos e astrólogos? Ou é uma bobagem ficarmos preocupados com o futuro?
O que tiver quer ser, será, dirão os “realistas” e os “acomodados”… Quem viver, verá!
Izaías Almada é romancista, dramaturgo e roteirista brasileiro nascido em BH. Em 1963 mudou-se para a cidade de São Paulo, onde trabalhou em teatro, jornalismo, publicidade na TV e roteiro. Entre os anos de 1969 e 1971, foi prisioneiro político do golpe militar no Brasil que ocorreu em 1964.
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