10 de junho de 2026

Grampo no Supremo: a volta do estilo Veja

O estilo Veja já era conhecido: gravações clandestinas de conversas, uso de arapongas ligados a Carlinhos Cachoeira.
Reprodução

Márcio Aith, assessor do ministro Dias Toffoli e colunista do Poder 360, teria enviado gravação de reunião do STF.
Em 2008, Aith foi fonte contra a Veja, mas depois se envolveu em disputas internas e processos judiciais.
Reinaldo Azevedo, ex-Veja, foi contratado pelo Metrópoles, veículo crítico ao Supremo Tribunal Federal.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

A informação de Mário Sabino, diretor da sucursal paulista do Metrópoles, de que o jornalista Márcio Aith assessora o ministro Dias Toffoli e é, também, colunista do Poder 360, fecha o ciclo. Reforça a convicção de que a gravação da reunião reservada do Supremo Tribunal Federal — na qual se deliberou sobre a situação do próprio Toffoli — foi feita pelo próprio Toffoli e encaminhada por Aith, em artigo não assinado no jornal.

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Mas é curioso como o mundo dá voltas.

Quando decidi, em 2008, enfrentar a máquina de destruição de reputações da Veja — armado apenas de um blog —, uma de minhas fontes era justamente Márcio Aith. Ele e Reinaldo Azevedo respondiam a Mário Sabino numa subordinação de caráter quase humilhante. Reinaldo chegou a publicar textos me atacando com todos os ingredientes do estilo Sabino — cujas interferências nos textos da redação equiparei, na época, a prego sobre vinil. Já Aith me trazia informações com o objetivo de queimar Eurípides Alcântara. Mário e Eurípides disputavam o comando da revista.

O estilo Veja já era conhecido: gravações clandestinas de conversas, uso de arapongas ligados a Carlinhos Cachoeira — como documentei no site O Caso Veja, que montei na época.

O fluxo de informações durou até o dia em que publiquei um artigo mostrando que Sabino havia alterado os critérios da lista de livros mais vendidos da revista para encaixar um romance de sua autoria. Aí, Aith entrou em pânico. Ligou desesperado, pedindo que eu “descesse o cacete” nele — e me forneceu alguns argumentos contra ele próprio. Fiz o que pediu. Nos comentários do artigo, leitores lamentaram o episódio: conheciam e tinham grande respeito por seu pai, advogado formado na Faculdade do Largo de São Francisco.

Pouco tempo depois, a Veja desistiu da disputa jornalística e entrou com cinco processos contra mim. No processo movido por Sabino, Aith compareceu como testemunha de acusação. Entrou tão curvado na sala do juiz, sem ousar erguer os olhos na minha direção, que preferi não humilhá-lo mais. Logo depois, Sabino foi demitido da Veja — e Aith foi junto. Passou então a atuar como informante de advogados: contratado para levantar dados em defesa de clientes e para atacar a parte contrária.

Contei essa história no artigo Márcio Aith, minha fonte no caso Veja”. O conteúdo completo do site sobre o caso está disponível aqui em PDF. E o livro “O Caso Veja”, aqui.

Para fechar o ciclo, Reinaldo foi contratado pelo Metrópole – o veículo mais empenhado em atacar o Supremo. Um mês antes deu uma declaração repleta de autopiedade, pedindo para seus leitores rezarem por ele. Julguei que tivesse sido acometido de doença grave. Mas era o UOL se desfazendo dele, devido às suas qualidades. Será curioso ver como se comportará no Metrópole, o veículo mais empenhado em atacar o Supremo.

Aqui, o capítulo sobre ele, no Caso de Veja.

Em mensagem que me enviou, depois de ter esta reportagem, Dias Toffoli nega o grampo.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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8 Comentários
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  1. Paulo Dantas

    17 de fevereiro de 2026 6:51 pm

    Ué, mas nesta tese quem atacou o STF foi o STF…

    A imprensa pelo visto tambèm não é grandes coisas.

    Cada cachorro lambe sua (@(3+@.

  2. Pévermeio

    17 de fevereiro de 2026 7:44 pm

    Espero que o Rei tenha realmente se repaginado nestes últimos anos. Hoje é um dos mais coerentes jornalistas ao seu lado, Nassif.👊

    1. SCHWARTZ AARON vive

      18 de fevereiro de 2026 12:16 pm

      VDD JJ,O MUNDO NÃO SERÁ MAIS O MESMO,QIANDO NA PANDEMIA ACELERARAM O USO DA INTERNET EM NO MÍNIMO 4 ANOS,QUEBRARAM EMPRESAS PRODUTIVAS E OUTROS VÁRIOS ESTRAGOS,QUEM GANHOU FOI OS BILIONÁRIOS DA TECNOLOGIA!!!

  3. fabriicio coyote

    17 de fevereiro de 2026 8:19 pm

    quem à Repúbĺica acreditaria no tofu de milico?

  4. Eduardo Ramos

    17 de fevereiro de 2026 11:10 pm

    Nassif, só fica difícil compreender uma coisa: o que Toffoli ganharia com esse grampo que, sendo ele o responsável, destruiria sua carreira no STF? Isso não é estranho?

  5. José de Almeida Bispo

    18 de fevereiro de 2026 8:11 am

    Resumo: Raul sempre esteve certo. “Eu não preciso ler jornais; mentir sozinho, eu sou capaz,”

  6. Jj.mmarcelo

    18 de fevereiro de 2026 9:11 am

    HÁ UMA QUADRILHA DA MÍDIA MUITO CRIMINOSA E PERIGOSA Q NOS ROUBA A INFORMAÇÃO CORRETA E AQUELAS INFORMAÇÕES QNÃO CONSEGUEM,DISTORCEM E MANILPULAM A ENTRANDO NO AMBIENTE INVIOLÁVEL POR DIREITO DIVINO DAS NOSSAS MENTES,NO ÂMBITO DA INTERNET FICA CIRÚRGICO POIS TÊM EXATAMENTE O PERFIL EXATO DA PESSOA,ESTA QUADRILHA PRECISA SER DESBARATADA,TEMOS DIREITO À PRESERVAÇÃO DA NOSSA MENTE PARA VIVERMOS UM MUNDO REAL E NÃO FEITOS ZUMBIS COM O PSICOLÓGICO ABALADOS SEM SABER A REALIDADE,ISTO PREJUDICA MUITOS NOSSOS SENTIMENTOS,PERCEPÇÕES E ETC…AFF SEM MAIS,MUITO OBG GGN !!!

  7. Rui Ribeiro

    20 de fevereiro de 2026 10:40 am

    O Ministro André Mendonça decidiu que “somente as autoridades policiais e agentes diretamente envolvidos na análise e condução dos procedimentos reciprocamente compartilhados é que devem ter conhecimento das informações acessadas, o que lhes impõe o dever de sigilo profissional, inclusive em relação aos superiores hierárquicos e outras autoridades públicas”.

    Alguém sabe o amparo legal de tal decisão?

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