O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou neste domingo (29) que as forças do país estão “aguardando a entrada de soldados americanos em território iraniano para poderem bombardeá-los”. A declaração veio horas depois de Washington confirmar a chegada de cerca de 3.500 fuzileiros navais à região, a bordo do navio de guerra USS Tripoli.
Ghalibaf acusou os Estados Unidos de adotar um discurso duplo: ao mesmo tempo em que “sinaliza negociação publicamente”, o governo americano planejaria um ataque terrestre “em segredo”. Sobre a possibilidade de rendição, o parlamentar foi categórico, uma vez que o Irã não aceitará “humilhação”.
As declarações ecoam uma reportagem do Washington Post, segundo a qual o Pentágono estaria se preparando para semanas de operações terrestres no Irã, embora não esteja claro se Donald Trump aprovará qualquer ação do tipo. Na sexta-feira, o secretário de Estado Marco Rubio havia afirmado que os EUA poderiam atingir seus objetivos “sem o envio de tropas terrestres”, descrevendo os destacamentos como uma forma de ampliar as opções do presidente.
O próprio Trump, no início do mês, disse não pretender “colocar tropas em lugar nenhum”, mas ponderou na sequência. “Se fosse colocar, certamente não diria a vocês.”
Israel ataca Teerã
As Forças de Defesa de Israel (IDF) afirmaram neste domingo ter concluído mais uma onda de ataques contra a capital iraniana, mirando centros de comando temporários e instalações de produção de armas.
Segundo o exército israelense, o regime iraniano havia transferido parte de seus centros de comando para unidades móveis após ataques anteriores, várias dessas unidades já teriam sido desmanteladas, assim como comandantes que operavam nos quartéis-generais.
Nos países do Golfo, grandes infraestruturas foram atingidas nas últimas 24 horas. A Emirates Global Aluminium, uma das maiores produtoras mundiais do metal, informou que sua principal fábrica em Abu Dhabi sofreu “danos significativos” e que funcionários foram feridos.
A Aluminium Bahrain também foi atacada. No Kuwait, o sistema de radar do aeroporto internacional foi extensamente danificado. A Arábia Saudita afirmou ter interceptado e destruído dez drones nas últimas horas.
Com economias e modos de vida ameaçados, os países do Golfo insistem em ter voz nas futuras negociações de paz, mas estão divididos sobre como se relacionar com o Irã e com os Estados Unidos.
Houthis
O sábado também foi marcado pelo primeiro ataque dos houthis do Iêmen contra Israel desde o início do atual conflito. O grupo afirmou ter lançado mísseis balísticos contra “alvos militares israelenses sensíveis” em resposta aos ataques contra Irã, Líbano, Iraque e territórios palestinos. Mais tarde, reivindicou um segundo ataque, desta vez com “uma barragem de mísseis de cruzeiro e drones” contra posições militares israelenses no sul do país.
O porta-voz militar houthi Yahya Saree declarou que as operações continuarão “até que o inimigo criminoso cesse seus ataques e agressões”. As IDF confirmaram ter interceptado um míssil lançado do Iêmen.
Para especialistas, a entrada dos houthis no conflito abre uma nova e perigosa frente. O pesquisador Farea Al-Muslimi, do Chatham House, avalia que o desdobramento é de “enorme importância” dado o peso que o grupo mantém sobre o tráfego no Mar Vermelho.
Os houthis já ameaçaram atacar o Estreito de Bab el-Mandeb, rota que responde por cerca de 12% do petróleo comercializado por via marítima no mundo e que, desde o fechamento do Estreito de Ormuz, ganhou ainda mais relevância estratégica.
Questionado sobre o impacto de um bloqueio efetivo, Al-Muslimi foi direto: “Já temos um pesadelo, e isso só o tornaria ainda pior.”
Jornalistas mortos
No Líbano, parentes e amigos sepultaram neste domingo os três jornalistas mortos em um ataque israelense no sábado: Ali Shoeib, repórter do canal Al Manar, e os irmãos Fátima e Mohamed Fetoni, da Al Mayadeen. Ao confirmar a morte de Shoeib, as IDF o acusaram de ser um operativo do Hezbollah “disfarçado de jornalista”.
O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) reagiu com uma declaração direta: “Jornalistas não são alvos legítimos, independentemente do veículo para o qual trabalham.” A diretora regional da organização, Sara Qudah, denunciou um “padrão preocupante” de Israel acusar jornalistas de serem combatentes “sem apresentar provas críveis”, prática que, segundo ela, se repete tanto neste conflito quanto nas décadas anteriores.
*Com informações da BBC Brasil.
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Rui Ribeiro
30 de março de 2026 10:18 amEstreito de Ormuz, o pesadelo do Trumpstein. Enquanto isso, o Netanyahu tá sorrindo, pois os custos da guerra são arcados pelos contribuintes estadunidenses. Bob Dylan e Grace Slick, não paguem tributos. Façam como o Bolsonaro, soneguem. Mas, diferentemente do Bolsonaro, recusem tudo que venha dos tributos pagos pelos outros. Não alimentem a guerra.
“Se necessário, a Marinha dos Estados Unidos começará a escoltar petroleiros pelo ESTREITO DE ORMUZ o mais rápido possível. Aconteça o que acontecer, os Estados Unidos garantirão o LIVRE FLUXO DE ENERGIA para o MUNDO”. – Trump em 03.03.2026
“Se o Irã fizer qualquer coisa que interrompa o fluxo de petróleo no ESTREITO DE ORMUZ, será atingido pelos Estados Unidos da América VINTE VEZES MAIS FORTE do que foi até agora. Além disso, eliminaremos alvos facilmente destruíveis, o que tornará virtualmente impossível que o Irã volte a se reconstruir, como nação, novamente — Morte, Fogo e Fúria cairão sobre eles — Mas espero, e rezo, para que isso não aconteça!”. – Trump em 09.03.2026
“Digam a esses petroleiros para se mexerem, vamos lá, nós destruímos a maioria dos seus lançadores. Esses navios deveriam atravessar o ESTREITO DE ORMUZ e mostrar coragem, não há nada a temer. [Os iranianos] não têm marinha, nós afundamos todos os seus navios”. – Trump em 09.03.2026
“Se o Irã não abrir totalmente, sem ameaça, o ESTREITO DE ORMUZ, dentro de 48 horas a partir deste exato momento, os Estados Unidos da América irão atingir e obliterar suas várias usinas de energia, começando pela maior primeiro”. – 21.03.2026
“Acho que um erro tremendo foi a OTAN simplesmente não estar lá [no ESTREITO DE ORMUZ]. Isso vai gerar muito dinheiro para os Estados Unidos, porque gastamos centenas de bilhões de dólares por ano com a Otan, centenas de… protegendo-os, e sempre estaríamos lá para eles, mas agora, com base em suas ações, acho que não precisamos estar, não é?” – Trump em 27.03.2026.
“Os Estados Unidos estão em negociações sérias com um NOVO, E MAIS RAZOÁVEL, REGIME para encerrar nossas operações militares no Irã. Grande progresso foi feito, mas, se por qualquer motivo um acordo não for alcançado em breve —o que provavelmente acontecerá— e se o ESTREITO DE ORMUZ não for imediatamente “aberto para negócios”, encerraremos nossa “agradável” permanência no Irã explodindo e obliterando completamente todas as suas usinas de geração de energia, poços de petróleo e a ilha de Kharg (e possivelmente todas as usinas de dessalinização!), que deliberadamente ainda não “tocamos”. Isso será uma retaliação pelos muitos soldados e outros que o Irã massacrou e matou ao longo dos 47 anos de “reinado de terror” do
antigo regime”. – Trumpstein Rolando Lero, em 30.03.2026
Os Cães ladram mas a caravana não se detém