10 de junho de 2026

Banco Central sob Galípolo blinda Campos Neto no caso Master, diz Malu Gaspar

Para jornalista, decisão de manter o segredo sobre as garantias oferecidas por Vorcaro é "escolha política e administrativa"
Campos Neto por Raphael Ribeiro/Banco Central do Brasil

Em sua coluna no jornal O Globo desta segunda-feira, 13 de abril, a jornalista Malu Gaspar revela que uma lacuna fundamental persiste na história de como Daniel Vorcaro transformou o Banco Master em uma usina de fraudes: o mistério sobre como ele obteve o controle da instituição. A jornalista destaca que, embora o Banco Central tenha vetado a operação em fevereiro de 2019 sob a gestão de Ilan Goldfajn — alegando que Vorcaro não comprovou a origem lícita dos recursos nem capacidade financeira —, a mesma autoridade monetária deu sinal verde apenas oito meses depois, já sob o comando de Roberto Campos Neto. Essa reviravolta sem explicações detalhadas alimenta embates políticos, servindo de munição para o presidente Lula e seus ministros, que classificam o banco como um legado nocivo da gestão anterior do BC.

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A colunista aponta que a atual gestão do Banco Central, agora liderada por Gabriel Galípolo, mantém uma postura de blindagem que tem gerado profunda irritação no Palácio do Planalto. Apesar de Lula ter solicitado um documento oficial sobre as medidas de Campos Neto que beneficiaram o Master, Galípolo afirmou publicamente não haver indícios de culpa do seu antecessor ou omissão para evitar a liquidação da instituição. Malu Gaspar enfatiza que o impasse sobre quem detém a razão é difícil de resolver enquanto o BC se recusar a fornecer informações básicas sobre o processo que permitiu a Vorcaro se tornar banqueiro, mantendo documentos cruciais sob um sigilo que desafia a transparência pública.

Malu Gaspar relata que sua equipe tenta, desde fevereiro, obter a íntegra dos votos da diretoria colegiada via Lei de Acesso à Informação, mas recebeu apenas resumos genéricos que escondem os dados essenciais. O primeiro extrato confirma que a negativa inicial ocorreu porque Vorcaro tentou usar títulos imobiliários superfaturados como lastro, enquanto o segundo documento, que autorizou a compra, limita-se a dizer que o pedido atendia à lei, sem esclarecer de onde veio o dinheiro que antes faltava. A jornalista questiona a justificativa do BC de que abrir tais dados comprometeria a estabilidade do sistema financeiro, ressaltando que se trata de uma instituição já liquidada por fraudes e cujos antigos donos, como Saul Sabbá, confessaram crimes de gestão fraudulenta.

A resistência do Banco Central em abrir os arquivos é criticada no texto por especialistas em direito público, que enxergam no caso um interesse social que sobrepõe as normas de sigilo bancário. Malu Gaspar cita o entendimento de que a proteção de dados não pode ser utilizada para acobertar possíveis ilícitos, especialmente em um cenário onde o banco se tornou alvo de investigações criminais. Segundo a análise apresentada, a decisão de manter o segredo sobre as garantias oferecidas por Vorcaro em 2019 é uma escolha política e administrativa, uma vez que a lei permite afastar o sigilo quando há clara relevância pública e indícios de irregularidades envolvendo agentes do Estado.

O texto conclui que a permanência dessa “caixa-preta” institucional depende agora exclusivamente da disposição da atual diretoria do Banco Central em exercer sua autoridade. Para a colunista, os dados sobre a formação do Master são fundamentais para entender as engrenagens que permitiram a ascensão de um esquema fraudulento sob os olhos do regulador. Enquanto Galípolo não demonstrar a coragem necessária para usar a caneta e dar transparência aos votos que transformaram o antigo Banco Máxima no Master, o “ovo da serpente” continuará envolto em sombras, protegendo segredos que o silêncio da assessoria de imprensa do órgão apenas ajuda a prolongar.

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Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

2 Comentários
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  1. Rui Ribeiro

    13 de abril de 2026 12:07 pm

    Os testas de ferro dos banqueiros são corporativistas. Talvez o Galípolo esteja botando sua própria barba de molho.

  2. Rui Ribeiro

    15 de abril de 2026 8:32 am

    “Lindbergh vê ‘corporativismo’ de Galípolo em negativa de culpa de Campos Neto no caso Master”.

    https://economia.uol.com.br/noticias/estadao-conteudo/2026/04/13/lindbergh-ve-corporativismo-de-galipolo-em-negativa-de-culpa-de-campos-neto-no-caso-master.htm?cmpid=copiaecola

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