15 de julho de 2026

A República das Emendas, por Maria Luiza Falcão

Eduardo Cunha reaparece, Tuca revela a engrenagem e o orçamento público se transforma em instrumento de poder
Congresso Nacional - Foto de Edilson Rodrigues - Agência Senado

Eduardo Cunha tenta retorno à Câmara após 10 anos, sob investigação por influência em emendas parlamentares.
Sistema orçamentário brasileiro permite controle fragmentado e opaco, com influência de agentes sem mandato.
Eleições de 2026 definirão se Brasil recupera planejamento orçamentário ou consolida “República das Emendas”.

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A República das Emendas

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por Maria Luiza Falcão Silva 

Eduardo Cunha está de volta. Ou, talvez, nunca tenha ido embora  completamente. 

Dez anos depois de ser cassado pela Câmara dos Deputados, o homem que  aceitou o pedido de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff pretende  retornar ao mesmo Parlamento do qual saiu pela porta dos fundos. Agora  filiado ao Republicanos, apresenta-se como candidato a deputado federal por  Minas Gerais, concede entrevistas, faz previsões eleitorais e procura  reconstruir sua influência como se sua trajetória política pudesse ser apagada  por uma simples mudança de endereço eleitoral. 

A desfaçatez impressiona, mas não deveria surpreender. Eduardo Cunha  sempre compreendeu como poucos que, no sistema político brasileiro, o  verdadeiro poder nem sempre está nas instituições que aparecem diante do  público. Está também nos corredores, nas presidências das comissões, no  controle das pautas, nas negociações pouco transparentes e, cada vez mais,  no comando informal sobre parcelas bilionárias do orçamento público. 

Seu reaparecimento ocorre justamente quando uma investigação da Polícia  Federal volta a lançar luz sobre a destinação das emendas parlamentares.  Segundo elementos citados em decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo  Tribunal Federal, há indícios de que Cunha, mesmo sem mandato, teria  participado da definição e do remanejamento de recursos. Dino determinou o  bloqueio de R$ 6,1 milhões em bens do ex-deputado e suspendeu despesas  ligadas às emendas sob suspeita. A defesa nega irregularidades, afirma que  Cunha não formalizou indicações e sustenta que ele não recebeu valores. 

O ponto central, porém, não é antecipar qualquer julgamento. Cabe às  instituições investigar, às defesas se manifestar e à Justiça decidir. Politicamente, o que o episódio revela é muito mais grave: o orçamento da  União foi transformado em um território tão fragmentado, opaco e sujeito a  controles informais que personagens sem mandato podem aparecer, segundo  as investigações, exercendo influência sobre a destinação de recursos que  pertencem à sociedade brasileira. 

É disso que trata este artigo. Não apenas de Eduardo Cunha. Não apenas de  Mariângela Fialek, conhecida como Tuca. Não apenas de Valdemar Costa 

Neto. Trata-se do sistema que tornou possível o reaparecimento de todos eles  no coração do orçamento público. 

Do instrumento de governo à moeda de poder 

Em uma democracia presidencialista, o orçamento deveria traduzir as  prioridades escolhidas pela população nas urnas. É por meio dele que um  governo transforma seu programa em hospitais, escolas, universidades,  estradas, moradias, programas sociais, investimentos produtivos e políticas de  desenvolvimento. 

O Congresso tem o direito e o dever de participar desse processo. Deputados e  senadores representam estados, municípios e demandas legítimas de suas  comunidades. As emendas parlamentares, portanto, não são uma aberração  em si mesmas. Podem corrigir omissões, atender necessidades locais e  aproximar os recursos federais de regiões frequentemente esquecidas pela  burocracia central. O problema começa quando aquilo que deveria  complementar o planejamento nacional passa a substituí-lo. 

Nas últimas décadas, e de maneira acelerada nos anos mais recentes, o  Congresso ampliou significativamente seu controle sobre a execução  orçamentária. Emendas individuais tornaram-se obrigatórias. Emendas de  bancada também ganharam execução impositiva. Depois veio o chamado  orçamento secreto, operado por meio das emendas de relator, que permitiu a  distribuição de bilhões de reais sem transparência adequada sobre os  verdadeiros autores das indicações. 

O Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional aquele mecanismo.  Mas a lógica política que o produziu não desapareceu. Foi redistribuída por  outras modalidades, especialmente pelas emendas de comissão,  acompanhadas por novos procedimentos, ofícios, listas, atas e indicações que  nem sempre permitem ao cidadão compreender claramente quem decidiu, por  que decidiu e a quem determinado recurso pretende beneficiar. 

O nome pode mudar. A modalidade pode ser reformulada. O mecanismo pode  ganhar uma nova aparência institucional. A lógica de poder, entretanto,  demonstra extraordinária capacidade de sobrevivência. 

O resultado é uma transformação profunda na relação entre Executivo e  Legislativo. O presidente da República continua sendo cobrado pelo  crescimento, pelo emprego, pela saúde, pela educação e pela infraestrutura.  Mas uma parcela crescente dos recursos necessários à execução dessas  políticas deixou de obedecer exclusivamente ao planejamento elaborado pelo  governo eleito. Não foi apenas dinheiro que mudou de mãos. Foi poder.

Eduardo Cunha e o método da chantagem política 

É impossível compreender essa transformação sem retornar ao período em  que Eduardo Cunha presidiu a Câmara dos Deputados. 

Cunha não inventou as emendas parlamentares, tampouco foi o único  responsável pelo fortalecimento do Legislativo. Mas foi uma das figuras que  melhor encarnaram um método de exercício do poder baseado no controle da  pauta, na pressão permanente sobre o Executivo e no uso das prerrogativas  institucionais como instrumento de negociação política. 

Sua presidência da Câmara, iniciada em 2015, converteu-se em um centro de  desestabilização do governo Dilma Rousseff. Cunha utilizou o cargo para impor  derrotas, criar dificuldades e elevar o preço político de cada votação. Sob sua  direção, a Câmara deixou de funcionar apenas como espaço de deliberação legislativa e tornou-se uma máquina de constrangimento contra o governo  eleito. 

Foi também Cunha quem acolheu, em dezembro de 2015, o pedido de  impeachment contra Dilma, pouco depois de deputados do PT anunciarem que  votariam pela continuidade do processo contra ele no Conselho de Ética. A  coincidência entre os dois movimentos nunca poderá ser separada do contexto  político daquele momento. 

O impeachment foi aprovado pela Câmara em abril de 2016, numa sessão  presidida pelo próprio Cunha, marcada por discursos em nome de Deus, da  família, dos filhos, das esposas, dos municípios e até de conhecidos pessoais  — quase tudo, menos a apresentação de provas consistentes de crime de  responsabilidade cometido pela presidenta. 

Pouco depois, o próprio Cunha foi afastado da Presidência da Câmara pelo  Supremo Tribunal Federal (STF). Em setembro de 2016, perdeu o mandato por  450 votos a 10, acusado de ter mentido sobre a existência de contas no  exterior. 

Dilma Rousseff, que não tinha conta secreta nem foi acusada de apropriar-se  de dinheiro público, perdeu a Presidência. Ela hoje comanda o Banco do  BRICS. 

Cunha, que comandou a abertura do processo e a consumação do golpe de  Estado contra Dilma, foi cassado logo depois. Essa inversão resume uma das  páginas mais perversas da história política recente do Brasil.

Agora, o personagem reaparece. Não para prestar contas ao país, não para  reconhecer o papel que desempenhou na ruptura institucional de 2016, mas  para pedir novamente o voto dos brasileiros. 

E reaparece cercado por novas suspeitas relacionadas às emendas  parlamentares. Segundo a Polícia Federal, haveria indícios de sua atuação na  definição e no remanejamento de recursos, apesar de já não exercer mandato.  Sua defesa contesta as conclusões e nega que tenha praticado irregularidades. 

O que chama atenção não é apenas a ousadia individual. É a permanência de  um método: exercer poder sem assumir publicamente a responsabilidade  correspondente. 

Tuca não é o sistema, mas ajuda a enxergá-lo 

É nesse contexto que surge Mariângela Fialek, conhecida como Tuca. 

A servidora tornou-se conhecida nacionalmente depois de ser alvo da  Operação Transparência, realizada pela Polícia Federal em dezembro de 2025.  Seu nome aparece nas investigações como uma possível operadora  administrativa da destinação de emendas parlamentares. Conversas e  documentos apreendidos passaram a subsidiar apurações sobre a atuação de  diferentes personagens políticos. 

Não se deve transformar Tuca na grande vilã dessa história. 

Seria uma maneira cômoda de reduzir um enorme problema institucional à  conduta de uma funcionária. Sua responsabilidade individual deve ser definida  pelas investigações e pelo devido processo legal. O que interessa  politicamente é compreender por que uma servidora adquiriu tamanha  centralidade em um sistema que movimenta bilhões de reais. 

Toda grande estrutura de poder produz seus operadores. 

Quando a destinação das emendas passa a depender de listas, ofícios,  substituições, remanejamentos e decisões tomadas em diferentes instâncias da  Câmara, surge necessariamente uma burocracia especializada na  administração dessa engrenagem. Essa burocracia sabe quem pode indicar,  quais documentos precisam ser apresentados, de que forma as prioridades são  alteradas e como os recursos percorrem o caminho entre o desejo político e a  execução administrativa. 

Tuca, portanto, importa menos como indivíduo do que como símbolo.

Sua permanência na estrutura da Câmara, mesmo depois de tornar-se alvo da  investigação, foi questionada publicamente por parlamentares. Em junho de  2026, o deputado Glauber Braga afirmou no plenário que ela continuava  atuando na operação das emendas e anunciou que levaria a questão ao STF.  Trata-se de uma acusação política que ainda deve ser apurada, não de uma  condenação. Mas a manifestação evidencia o grau de desconfiança que  passou a cercar a engrenagem administrativa das emendas. 

A pergunta importante não é apenas o que Tuca fez ou deixou de fazer. É  como o país permitiu que a execução de uma parcela tão expressiva do  orçamento passasse a depender de procedimentos que o cidadão comum não  consegue acompanhar. 

Quem decide? Quem indica? Quem altera? Quem substitui o nome do  verdadeiro solicitante? Quem verifica se o dinheiro chegou ao destino  anunciado? Quem responde quando a emenda financia uma obra inacabada,  um equipamento superfaturado ou um serviço que jamais foi entregue? 

Quando essas respostas não são claras, a opacidade deixa de ser uma falha  ocasional. Torna-se parte do funcionamento do sistema. 

O orçamento dos que não têm mandato 

O caso de Valdemar Costa Neto acrescenta outro elemento perturbador. Presidente nacional do PL, Valdemar não exerce mandato parlamentar. Ainda  assim, decisão judicial baseada em investigação da Polícia Federal apontou a  suspeita de que teria indicado pelo menos 21 emendas, no valor total de  aproximadamente R$ 119 milhões. Flávio Dino determinou o bloqueio de bens  e a suspensão das despesas relacionadas às emendas investigadas. Valdemar  afirmou que as indicações eram sérias, que as obras foram executadas e que  não houve irregularidade. 

Mais uma vez, não se trata de antecipar uma condenação. 

Mas o fato político é devastador: a indicação de emendas é uma prerrogativa  de deputados e senadores. Como explicar que o presidente de um partido, sem  ocupar cadeira no Congresso, possa aparecer nas investigações como alguém  com capacidade para sugerir ou influenciar a destinação de recursos públicos? 

Valdemar Costa Neto não representa apenas a força de um cacique partidário.  Representa uma arquitetura de poder na qual as bancadas, os dirigentes  partidários e os operadores administrativos podem formar circuitos de decisão  que atravessam os mandatos formais.

Nesse sistema, o deputado empresta o nome. O dirigente partidário exerce a  influência. O operador organiza o procedimento. O Executivo libera o recurso.  O prefeito recebe a verba. E a população, que financiou toda a operação por  meio de seus impostos, frequentemente não consegue descobrir quem foi o  verdadeiro responsável pela escolha. 

É o poder sem rosto. 

E, portanto, o poder sem responsabilidade. 

Um presidencialismo esvaziado 

O Brasil caminha para uma forma disfarçada de semiparlamentarismo  orçamentário. A expressão pode parecer exagerada, mas descreve uma  realidade cada vez mais evidente. 

O presidente é eleito nacionalmente e responde politicamente pelo  desempenho do país. Entretanto, o Congresso controla uma parcela crescente  dos recursos públicos e interfere diretamente em sua execução. Não existe,  porém, um gabinete parlamentar formalmente responsável pelo governo, como  ocorre nos regimes parlamentaristas. 

Temos, assim, o pior dos dois mundos. 

O Executivo conserva a responsabilidade e perde parte dos instrumentos. O  Congresso amplia seus instrumentos e não assume a responsabilidade geral  pela condução do Estado. 

Quando falta dinheiro para uma política nacional, cobra-se do presidente.  Quando uma emenda é destinada a uma obra local sem planejamento,  raramente se identifica o parlamentar ou dirigente que determinou a prioridade.  Quando o investimento público é pulverizado em milhares de pequenas  intervenções, ninguém assume a responsabilidade pela ausência de uma  estratégia nacional. 

Esse modelo enfraquece a capacidade do Estado de planejar. Um país com as  dimensões e as desigualdades do Brasil não pode ser governado pela simples  soma de interesses locais. Precisamos de infraestrutura integrada, política  industrial, transição energética, ciência, tecnologia, universidades, segurança  hídrica, proteção ambiental, saúde pública e educação nacional. 

Essas prioridades exigem coordenação, continuidade e escala. 

Uma escola municipal pode ser construída com uma emenda. Um sistema  nacional de educação não.

Um equipamento hospitalar pode ser comprado por indicação parlamentar. O  Sistema Único de Saúde não pode ser planejado como uma coleção de favores  distribuídos por gabinetes. 

Uma estrada local pode receber recursos fragmentados. Uma política nacional  de logística exige visão estratégica. 

Sem planejamento, o orçamento perde coerência. Sem coerência, o Estado perde capacidade de transformar recursos públicos em desenvolvimento. 

O Congresso não pode substituir o país 

Defender a recuperação da capacidade de planejamento do Executivo não  significa negar o papel constitucional do Congresso. Muito menos defender um presidente sem limites. 

O Parlamento deve discutir o orçamento, fiscalizar sua execução, alterar  prioridades e representar as necessidades regionais. O que não pode fazer é  transformar o orçamento nacional em patrimônio político de presidentes de  partidos, dirigentes das Casas, líderes de bancada e operadores invisíveis. 

Emendas parlamentares devem ter autoria clara, critérios transparentes,  rastreabilidade completa e mecanismos rigorosos de fiscalização. A sociedade  precisa saber quem indicou, qual problema pretendeu resolver, quem recebeu,  quanto foi gasto e qual resultado foi alcançado. 

O princípio é elementar: quem decide sobre dinheiro público deve responder  publicamente pela decisão. 

A participação do Congresso não pode servir como pretexto para destruir a  capacidade de planejamento do Estado. Tampouco a autonomia parlamentar  pode transformar-se em licença para ocultar autores, intermediários e  beneficiários. 

Não se trata de retirar dos parlamentares o direito de participar do orçamento.  Trata-se de impedir que essa participação seja capturada por redes informais  de poder. 

A engrenagem que sobrevive aos seus operadores 

Eduardo Cunha saiu da Câmara em 2016, mas o método de exercício do poder  que ele ajudou a consolidar sobreviveu. 

O controle da pauta transformou-se em controle ampliado do orçamento. A  chantagem política assumiu formas institucionalmente mais sofisticadas. As 

negociações antes concentradas nas votações passaram a envolver a  distribuição direta de recursos públicos. 

Tuca poderá permanecer ou sair da estrutura da Câmara. Valdemar poderá ser  responsabilizado ou absolvido. Eduardo Cunha poderá ou não retornar ao  Parlamento. Cada um deverá responder pelos próprios atos dentro das  garantias do Estado de Direito. 

Mas nenhum desfecho individual resolverá o problema. 

Afastar um operador sem desmontar a engrenagem apenas cria uma vaga  para o operador seguinte. 

Substituir um dirigente partidário sem alterar as regras mantém intacta a  estrutura de influência. 

Impedir o retorno de Eduardo Cunha seria politicamente saudável, mas  insuficiente se o sistema que ele tão bem representa continuar funcionando. 

O verdadeiro escândalo não é apenas que Cunha reapareça como candidato  dez anos depois de comandar a abertura do impeachment de Dilma Rousseff e  ser cassado pela própria Câmara. 

O verdadeiro escândalo é que ele encontre diante de si um ambiente político  ainda mais favorável ao tipo de poder que sempre soube exercer: informal,  fragmentado, opaco e separado da responsabilidade pública. 

Cunha não reaparece do nada. Ele reaparece porque o terreno continua  preparado para ele. 

O que estará em disputa em 2026 

As eleições de outubro não decidirão apenas quem ocupará o Palácio do  Planalto e as cadeiras do Congresso. Decidirão se o Brasil pretende recuperar  a capacidade de governar seu orçamento em nome de um projeto nacional ou  se aceitará a consolidação de uma República das Emendas, na qual o dinheiro  público se transforma em instrumento permanente de reprodução do poder  parlamentar e partidário. 

A escolha não é entre um Executivo absoluto e um Congresso submisso. A  democracia exige equilíbrio entre os Poderes. Mas equilíbrio não significa  permitir que o governo seja responsabilizado por políticas cujos recursos foram  pulverizados por decisões tomadas em gabinetes, comissões e direções  partidárias. Tampouco significa aceitar que pessoas sem mandato exerçam  influência sobre verbas que somente representantes eleitos poderiam indicar.

O orçamento público não pertence ao presidente da República. Também não  pertence ao presidente da Câmara, aos líderes parlamentares, aos presidentes  de partidos, aos operadores administrativos ou aos velhos caciques que tentam  retornar à cena política. O orçamento pertence ao povo brasileiro. 

Deve servir à redução das desigualdades, ao desenvolvimento econômico, ao  fortalecimento dos serviços públicos e à construção de um país menos injusto.  Não pode ser transformado em moeda eleitoral, mecanismo de fidelização de  bancadas ou instrumento de sobrevivência de oligarquias políticas. 

Eduardo Cunha saiu de cena. Agora pretende voltar. 

Tuca tornou-se conhecida. Amanhã poderá ser substituída por outro operador. Valdemar um dia deixará a presidência de seu partido. 

As pessoas passam. A engrenagem permanece. 

Eis o verdadeiro desafio da democracia brasileira: não apenas impedir que  velhos personagens retornem, mas desmontar o sistema que permite que  continuem exercendo poder mesmo quando já não possuem mandato,  legitimidade ou qualquer autorização popular para decidir o destino do dinheiro  público. 

Porque o problema nunca foi somente quem opera a máquina. O problema é a máquina.

Maria Luiza Falcão Silva – MSc em Economia (University of Wisconsin–Madison), PhD (Heriot-Watt University), Professora aposentada da Universidade de Brasília (UnB), membro da ABED e do Grupo Brasil-China de Economia das Mudanças do Clima (GBCMC/NEASIA).

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Maria Luiza Falcão Silva

Maria Luiza Falcão Silva – MSc em Economia (University of Wisconsin–Madison), PhD (Heriot-Watt University), Professora aposentada da Universidade de Brasília (UnB), membro da ABED e do Grupo Brasil-China de Economia das Mudanças do Clima (GBCMC/NEASIA).

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