Frases soltas, mas nem tanto! (I), por Izaías Almada
Enquanto as facções de direita na América do Sul sonham acordadas com uma intervenção estrangeira nas eleições presidenciais brasileiras de outubro, e isso e não está fora de propósito para os vendilhões da pátria, considerei a possibilidade de procurar em alguns dos clássicos da literatura frases que pudessem nos fazer refletir sobre a condição humana e suas grandezas ou fraquezas… Vamos a elas:
“A meio do caminho desta vida achei-me a errar por uma selva escura, longe da boa vida, então perdida… Ah! Mostrar qual a vi é empresa dura, essa selva selvagem, densa e forte, que ao relembrá-la a mente se tortura!”
Dante Alighieri/Divina Comédia/canto I
“Sucede com a miséria, o que sucede com quase tudo. Chega tornar-se possível. O indivíduo, sujeito a essa contingência, vegeta, isto é, vive miseravelmente, o suficiente para não morrer de fome. Eis a que estado chegara Mário. A força da fadiga, de perseverança e de ânimo, chegara a ganhar pelo seu trabalho uns parcos francos mensais…”
Victor Hugo/Os Miseráveis/Livro Quinto
“O sertão é onde manda quem é forte, com as astúcias. Deus mesmo, quando vier, que venha armado!”
Guimarães Rosa/Grande Sertão Veredas
“Toda busca do ser está fadada ao fracasso; esse mesmo fracasso, porém, pode ser assumido. Renunciando ao sonho vão de nos tornarmos deus, podemos satisfazer-nos simplesmente em existir. Saber não é possuir e, no entanto, não me canso de aprender”.
Simone de Beauvoir/Balanço Final/Cap.01
“Então ele a beijou no mesmo lugar, como fizera com os dedos, e não pôde fazê-lo uma segunda vez porque ela se voltou para ele com todo o seu corpo monumental, ávido e quente, e ambos rolaram pelo chão abraçados”.
Gabriel García Márquez/O Amor nos Tempos do Cólera
“Curioso como as armas das pessoas – o silêncio de Marpessa, a cólera de Agamenon – permanecem sendo sempre as mesmas. Eu, pelo contrário, fui depondo minhas armas pouco a pouco. Esta era a única mudança possível para mim”.
Christa Wolf/Cassandra
“Eu sou Cristóvão Sly! Não me chamem de honra nem de senhoria. Nunca bebi xerez em toda a minha vida. E se querem me oferecer conservas que sejam de carnes de vaca. Também não venham perguntar que roupa quero usar, pois não tenho mais roupas do que corpo, mais meias do que pernas, nem mais sapatos do que pés, isto é, às vezes tenho mais pés do que sapatos, que é quando meus dedos ficam olhando pelos buracos do couro”
Shakespeare/A Megera Domada/Cena 2
Amigo leitor, se ainda não o fez, que tal ler alguns desses livros? E desligue o celular por algumas horas, rsrsrs… Descanso para o cérebro e paz no coração…
Senão nos transformamos numa espécie de Javier Milei, já pensou? Se ele cair de quatro no chão não levanta mais…
Izaías Almada é romancista, dramaturgo e roteirista brasileiro nascido em BH. Em 1963 mudou-se para a cidade de São Paulo, onde trabalhou em teatro, jornalismo, publicidade na TV e roteiro. Entre os anos de 1969 e 1971, foi prisioneiro político do golpe militar no Brasil que ocorreu em 1964.
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