O faturamento real da indústria de transformação cresceu 0,8% em junho, na comparação com maio, mas encerrou o primeiro semestre de 2026 com queda de 1% em relação ao mesmo período do ano passado. Os dados fazem parte dos Indicadores Industriais, divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
O resultado mostra que, apesar da recuperação registrada no mês, a atividade industrial ainda enfrenta dificuldades para ganhar ritmo. Em junho, o faturamento avançou 7,3% em relação ao mesmo mês de 2025. Com o desempenho positivo, o indicador completou oito meses consecutivos sem variações negativas na comparação mensal, considerando a série livre de efeitos sazonais.
O cenário, contudo, muda quando considerado o acumulado do ano. Entre janeiro e junho, o faturamento ficou 1% abaixo do registrado no primeiro semestre de 2025, sinalizando que o crescimento observado nos últimos meses ainda não foi suficiente para recuperar as perdas acumuladas.
Emprego industrial recua no semestre
O mercado de trabalho industrial também apresenta sinais distintos. O emprego cresceu 0,2% em junho, mas o resultado mensal não foi suficiente para reverter a retração acumulada no ano.
Na comparação com junho de 2025, o emprego industrial caiu 0,4%. Já no primeiro semestre de 2026, houve redução de 0,6% dos postos de trabalho em relação aos seis primeiros meses do ano passado.
Por outro lado, os indicadores de renda apresentaram desempenho positivo. A massa salarial real cresceu 0,9% em junho e acumulou alta de 0,8% no primeiro semestre, na comparação com o mesmo período de 2025.
O rendimento médio real dos trabalhadores também avançou. O indicador subiu 0,6% em junho e acumulou crescimento de 1,4% no primeiro semestre.
Menos horas trabalhadas e menor utilização das fábricas
Os dados da CNI mostram desaceleração também no volume de trabalho empregado na produção. O número de horas trabalhadas avançou apenas 0,2% em junho, na comparação com maio. Frente a junho de 2025, houve alta de 0,7%, mas o acumulado dos seis primeiros meses do ano registra queda de 1,1%.
Outro indicador que aponta para a perda de ritmo é a Utilização da Capacidade Instalada (UCI). O índice passou de 77,4% em maio para 76,8% em junho, uma redução de 0,6 ponto percentual. Na comparação com junho de 2025, a queda foi de 2,3 pontos percentuais. Na média do primeiro semestre, a utilização das fábricas ficou 1 ponto percentual abaixo da observada no mesmo período do ano passado.
Para a CNI, o desempenho está relacionado a um conjunto de fatores que dificulta a expansão da atividade industrial. “A indústria vem andando de lado”, afirma Larissa Nocko, especialista em Políticas e Indústria da entidade.
Segundo ela, entre os principais obstáculos estão o patamar elevado dos juros e seus efeitos sobre a atividade econômica, o alto endividamento de famílias e empresas, o aumento dos custos de produção e a entrada de produtos importados.
Nesse cenário, a concorrência com os importados limita a capacidade das empresas de repassar o aumento dos custos aos preços, comprimindo as margens da indústria.
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