O Partido Democrata deve colocar o combate à corrupção do governo Donald Trump no centro de sua agenda no Congresso dos Estados Unidos, uma vez que a dimensão dos negócios envolvendo o presidente, sua família e integrantes de seu governo finalmente começa a ganhar atenção política.
A afirmação é do economista Paul Krugman, em artigo publicado em seu Substack, onde destaca que uma eventual maioria democrata no Congresso daria ao partido instrumentos para ampliar investigações sobre possíveis conflitos de interesse, favorecimentos e uso do poder público em benefício privado.
O economista cita uma série de episódios que, segundo ele, evidenciariam uma relação sem precedentes entre o exercício do poder e interesses financeiros ligados à família Trump e a integrantes de seu governo. Entre os casos mencionados estão negócios envolvendo Jared Kushner, genro do presidente, contratos de aeronaves para deportação e investimentos relacionados ao mercado de criptomoedas.
Krugman também destaca a morte do banqueiro britânico Simon Andriesz, que havia denunciado ao Senado vínculos de Howard Lutnick, secretário de Comércio de Trump, com Jeffrey Epstein. O economista relaciona o episódio às ameaças que, segundo Andriesz, teriam atingido sua vida e sua família após seu depoimento.
Corrupção entra no debate eleitoral
Na avaliação de Krugman, a corrupção demorou a se transformar em uma questão central para os eleitores diante de outros problemas do governo Trump, como inflação, tarifas, guerras e conflitos diplomáticos.
Contudo, existem sinais de mudança, como editorial publicado pelo Wall Street Journal em outubro criticando negócios envolvendo a família Trump e uma pesquisa Economist/YouGov que passou a questionar os eleitores sobre qual partido consideram mais associado à corrupção.
Krugman reconhece que os resultados ainda não representam uma vantagem clara para os democratas. Para ele, porém, há uma diferença importante entre eleitores independentes e a base mais fiel ao movimento MAGA, além de uma parcela significativa do eleitorado que não acompanha detalhadamente as notícias políticas.
Nesse cenário, o economista considera que uma eventual maioria democrata na Câmara e no Senado poderia mudar a percepção pública por meio de audiências e investigações parlamentares. O poder de intimação do Congresso, argumenta, permitiria ampliar a exposição de negócios e relações financeiras do governo Trump.
Krugman, porém, alerta que investigar Trump não será suficiente. Caso recuperem o controle do Congresso, os democratas também precisarão demonstrar que não estão sujeitos às mesmas forças econômicas que pretendem combater.
Por isso, o economista defende uma dupla estratégia: investigar e responsabilizar práticas de corrupção associadas ao governo Trump e, simultaneamente, estabelecer padrões mais rigorosos para o próprio Partido Democrata.
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