3 de novembro de 2026

Fracasso do tarifaço de Trump pode favorecer livre comércio

Tarifas elevaram preços e não reduziram déficit comercial ou desemprego industrial; economista vê pressão eleitoral como possível caminho para recuo protecionista
Foto de Wolfgang Weiser via pexels.com

Tarifas de Trump não estimularam indústria, nem reduziram déficit; elevaram custos e aumentaram incertezas para empresas e parceiros.
Preço do aço subiu 52%, gasolina 34% e passagens aéreas 22%; déficit comercial dos EUA chegou a US$ 1,2 tri em 2025.
Comércio global resistiu e pressão eleitoral pode levar a recuo nas tarifas, favorecendo cooperação internacional e investimentos.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

A política tarifária do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não alcançou os objetivos anunciados pelo governo: estimular a indústria nacional, criar empregos e reduzir o déficit comercial.

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Em vez disso, elevou os custos de produção, pressionou os preços e aumentou a incerteza para empresas e parceiros comerciais. Para a economista Anne O. Krueger, o fracasso da estratégia pode abrir caminho para uma retomada do livre comércio.

Em artigo publicado no Project Syndicate, a ex-economista-chefe do Banco Mundial e ex-vice-diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI) afirma que Trump aprofundou o enfraquecimento do sistema multilateral de comércio construído após a Segunda Guerra Mundial.

Desde seu retorno à Casa Branca, o presidente impôs tarifas a dezenas de países, com alterações frequentes nas alíquotas e nos produtos atingidos.

As medidas beneficiaram alguns setores, mas prejudicaram outros. A tarifa de 50% sobre o aço importado, por exemplo, contribuiu para uma alta de 52% no preço médio do aço laminado a quente nos Estados Unidos em um ano, favorecendo siderúrgicas, mas elevando os custos de fabricantes de automóveis, máquinas agrícolas e eletrodomésticos.

Tarifas elevam custos, mas não reduzem déficit

Os efeitos chegaram aos consumidores. Segundo os dados apresentados por Krueger, a gasolina subiu 34%, o óleo combustível aumentou 74%, os softwares de computador ficaram 28% mais caros e as passagens aéreas registraram alta de 22%.

O déficit comercial americano também permaneceu elevado. Em agosto, o saldo negativo nas trocas de bens chegou a US$ 114,7 bilhões. Embora o déficit com a China tenha diminuído 32%, as importações de outros países compensaram a redução. Em 2025, o déficit comercial de bens alcançou US$ 1,2 trilhão.

A promessa de recuperação do emprego industrial tampouco se concretizou. O setor perdeu 0,7% dos postos de trabalho em 2024 e outros 1,2% em 2025. Parceiros comerciais dos Estados Unidos também foram prejudicados, incluindo Canadá, México, Austrália e Reino Unido, enquanto empresas passaram a enfrentar dificuldades para planejar investimentos diante das mudanças frequentes nas regras tarifárias.

Para Krueger, o problema é estrutural: tarifas não corrigem os desequilíbrios entre produção, consumo e poupança de um país. Restringir importações de um parceiro comercial pode apenas deslocar as compras para outros fornecedores, sem eliminar o déficit externo.

Comércio mundial resiste e pressão eleitoral pode mudar cenário

Apesar das tensões, o comércio internacional apresentou desempenho melhor do que o esperado. A maioria dos países evitou responder às tarifas americanas com medidas equivalentes, limitando o risco de uma escalada protecionista.

O FMI revisou sua projeção de crescimento mundial para 2026 de 3% para 3,1%. Já a Organização Mundial do Comércio (OMC) mais que dobrou a estimativa de expansão do comércio internacional neste ano, de 1,9% para 3,9%.

Na avaliação de Krueger, a resistência do comércio global e a impopularidade das tarifas entre os eleitores americanos podem favorecer uma mudança de direção – e as eleições de meio de mandato, realizadas nesta terça-feira (3), também podem aumentar a pressão sobre os republicanos para evitar novos aumentos tarifários.

A economista considera que uma eventual redução das tarifas poderia iniciar um ciclo positivo, com alívio sobre os preços, menor incerteza para as empresas e recuperação dos investimentos. O recuo do protecionismo americano, nesse cenário, representaria uma oportunidade para fortalecer novamente a cooperação comercial internacional.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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