O senador Rogério Marinho (PL-RN), atual líder da Oposição, anunciou nesta quarta-feira (4) sua candidatura à presidência do Senado para o biênio 2027-2028. A indicação foi oficializada após reunião da bancada do Partido Liberal, em Brasília. Marinho deve ter como principal adversário o atual presidente, Davi Alcolumbre (União-AP), que tenta a reeleição.
“Nós, se Deus quiser e o povo, que são os senadores, nos derem essa honra, seremos o presidente do Congresso Nacional. E vamos tratá-los de forma diferente. Vamos respeitar a proporcionalidade. Vamos respeitar a democracia. Vamos respeitar a dissidência! Porque, ao contrário do que eles dizem, nós somos democratas”, afirmou ao lançar a candidatura.
Impasse
O principal obstáculo é a intenção da senadora Tereza Cristina (PP-MS) de também disputar o cargo. A oposição avalia que, com os dois nomes na disputa, a fragmentação da direita favorece Alcolumbre. Aliados de Marinho tentam convencer a senadora a desistir.
Marinho disse que deve haver convergência com Tereza “em momento oportuno” e que ela defende as mesmas bandeiras. “A senadora Tereza é nossa parceira, está do mesmo lado, comungamos das mesmas bandeiras, dos mesmos propósitos. E, juntos, faremos o possível para derrotar o atual presidente, senador Davi Alcolumbre”, declarou. O líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), afirmou à CNN que o impasse será resolvido: “Tereza sempre esteve conosco e seguirá”.
Disputa
A eleição ocorre na primeira semana de fevereiro, por votação secreta, e o vencedor precisa da maioria absoluta, ou seja, no mínimo 41 votos. O PL elegeu 19 senadores em 2026 e terá, a partir de fevereiro de 2027, a maior bancada da Casa.
Mesmo assim, Marinho terá de negociar com outros partidos, e mencionou conversas com parlamentares do PP e do Republicanos. Em discurso na reunião da bancada, afirmou já reunir mais de 40 votos. “A eleição não é uma ação de força, é uma ação de convencimento”, disse a jornalistas.
Alcolumbre conta com o apoio já anunciado da federação União-PP, de nomes do MDB e do PSD e de parte do centrão, além da base do governo. O presidente Lula (PT) garantiu estar ao lado dele na disputa. O atual presidente do Senado também tenta votos entre aliados do governo e de direitistas.
Perfil
Aos 62 anos, Marinho é economista e está no primeiro mandato como senador, eleito em 2022. Foi deputado federal, relator da reforma trabalhista na Câmara em 2017 e, no governo de Jair Bolsonaro, secretário de Previdência e ministro do Desenvolvimento Regional. Em 2026, coordenou a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), derrotado por Lula em outubro. Ele disse que sua candidatura é um “gesto” para pacificar o país.
Marinho defendeu o voto aberto na escolha do presidente do Senado, embora o Regimento Interno preveja votação secreta, e se declarou favorável a um projeto de anistia aos condenados pelo 8 de Janeiro e pela trama golpista, ressalvando que a decisão caberá ao conjunto dos senadores. Sobre o impeachment de ministros do STF, pauta defendida por bolsonaristas, afirmou: “Nós não seremos candidatos com o tema de impeachment de quem quer que seja, mas de respeito à Constituição”. Segundo ele, o Senado não será omisso caso algum ministro cometa crime de responsabilidade.
Em jogo
O presidente do Senado também comanda o Congresso Nacional. Entre suas prerrogativas estão escolher, com os líderes partidários, as propostas e projetos que vão ao plenário e decidir se abre ou arquiva pedidos de impeachment contra ministros do STF e o procurador-geral da República.
A corrida deve intensificar as negociações de bastidores nos próximos meses, com a distribuição da 1ª Vice-Presidência e de postos estratégicos, como as presidências da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).
*Com informações do g1 e da CNN.
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