O ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña, foi detido nesta sexta-feira (6), imediatamente depois de o Senado concluir a votação que o destituiu do cargo. Ele cumprirá prisão domiciliar.
A prisão ocorre no âmbito das investigações sobre suspeita de gestão fraudulenta e outros crimes ligados ao escândalo financeiro do banco Ueno.
O mandado foi expedido por quatro promotores do Ministério Público responsáveis pelo caso. Agentes da polícia federal paraguaia foram à residência de Peña assim que o julgamento no Senado terminou.
De acordo com o promotor Cristian Benítez, a ordem de prisão se baseia nos crimes de lesão de confiança, tráfico de influência e administração em proveito próprio. Em entrevista à imprensa local, ele ressaltou que essas são classificações preliminares e que o Ministério Público ainda precisa definir os fatos específicos e as circunstâncias de cada delito.
Participação no Ueno
Em 2023, Peña declarou ter ações da Ueno Holding avaliadas em 6,144 bilhões de guaranis (cerca de R$ 5,41 milhões), vendidas em abril de 2025. Ele também informou possuir um certificado de depósito de 2,4 bilhões de guaranis (aproximadamente R$ 2,11 milhões) no próprio banco Ueno e um título da Itti, empresa de desenvolvimento de softwares financeiros.
O irmão do ex-presidente, por sua vez, consta como sócio da U Holding SARL, empresa que, segundo as suspeitas, seria o veículo pelo qual o grupo controlaria o Ueno Bank.
Nova denúncia
Conforme o jornal paraguaio “ABC Color”, a apuração foi ampliada após um grupo de parlamentares apresentar, na quinta-feira (5), uma nova denúncia. O documento acrescenta três fatos à representação anterior, protocolada em 22 de outubro de 2025, e trata de possíveis conflitos de interesse envolvendo Peña, pessoas próximas a ele e o grupo Ueno.
Um dos pontos questiona a atuação do Banco Central do Paraguai (BCP). Segundo os autores da denúncia, a instituição sabia dos problemas financeiros do banco desde abril de 2026, mas não tomou, na hora certa, as medidas legais necessárias para evitar o agravamento da crise. O presidente do BCP, Carlos Carvallo, está entre os citados.
Outro ponto diz respeito a depósitos de recursos públicos no Ueno Bank. Entre as instituições que mantinham dinheiro no banco estavam o Instituto de Previdência Social (IPS), a usina binacional de Itaipu (da qual o Brasil detém metade), a entidade binacional Yacyretá (dividida com a Argentina) e o Ministério da Economia.
Os parlamentares pedem que as decisões que levaram à aplicação desses recursos sejam examinadas uma a uma, para esclarecer se o Estado foi lesado ou se houve conluio entre os responsáveis pelas operações.
*Com informações do g1.
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