Bolsonaro usa tempo para cutucar governadores e exaltar hidroxicloroquina

Presidente critica isolamento social e usa nome de Roberto Kalil para elogiar medicamento que ainda não teve eficácia comprovada

Jornal GGN – Ao invés de transmitir tranquilidade à população, o presidente Jair Bolsonaro voltou a usar seu tempo na rádio e televisão para agir como garoto de recados indiretos e mostrar uma imagem moderada que não existe.

Em poucos minutos, o presidente tomou os holofotes para si, falando que a equipe de ministros que escolheu para conduzir os destinos da nação deve estar sintonizada com ele – “Tenho a responsabilidade de decidir sobre as questões do País de forma ampla, usando a equipe que escolhi para conduzir os destinos da nação. Todos devem estar sintonizados comigo”.

Neste novo pronunciamento, Bolsonaro não perdeu a oportunidade de cutucar os governadores que continuam com as medidas de restrição social, mesmo que seja de conhecimento público que é o isolamento social a forma mais eficiente de se evitar a disseminação do vírus e, por consequência, não sobrecarregar o sistema de saúde. “Respeito a autonomia dos governadores e prefeitos. Muitas medidas, de forma restritiva ou não, são de responsabilidade exclusiva dos mesmos. O governo federal não foi consultado sobre sua amplitude ou duração”.

Bolsonaro também citou o diretor-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde) e usou os mais pobres como forma de externar sua contrariedade contra o isolamento social que está em andamento.  “Como afirmou o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, cada país tem suas particularidades, ou seja, a solução não é a mesma para todos”, disse. “Os mais humildes não podem deixar de se locomover para buscar o seu pão de cada dia. As consequências do tratamento não podem ser mais danosas do que a própria doença”, afirmou o presidente.

Considerando a forma como o discurso de Bolsonaro ecoa nas áreas periféricas, quem está capacitando pessoas para ajudar no combate ao coronavírus nas favelas terá um problema extra para lidar após o discurso desta quarta-feira.

Exaltação à hidroxicloroquina

Bolsonaro também voltou a falar da hidroxicloroquina, exaltando-a como forma de tratamento mesmo que os testes que comprovem sua eficácia não tenham sido comprovados. Para isso, citou o cardiologista Roberto Kalil, do hospital Sírio-Libanês – que admitiu ter usado a cloroquina para combater a covid-19 e defendeu seu uso em pacientes internados, conforme informações da jornalista Monica Bergamo, do jornal Folha de São Paulo. Além de elogiá-lo, Bolsonaro disse que “mesmo não tendo finalizado o protocolo de testes, (Kalil) ministrou o medicamento agora, para não se arrepender no futuro”.

O presidente também falou do acordo fechado com a Índia para a importação de material para a fabricação do medicamento, além de abordar as medidas de ajuda aos trabalhadores que começarão a ser colocadas em vigor, como o pagamento de R$ 600 ao longo de três meses, depósito complementar para os beneficiários do programa Bolsa-Família e o saque de R$ 1.045 a quem tem conta vinculada do FGTS (que custou a extinção do fundo PIS/PASEP).

“Tenho certeza que a grande maioria dos brasileiros quer voltar a trabalhar. Esta foi sempre a minha orientação a todos os ministros, observadas as normas do Ministério da Saúde”, disse o presidente ao final do discurso, na única vez que citou a pasta comandada por Luiz Henrique Mandetta, com quem tem tido atritos constantes por conta da forma de combate ao coronavírus.

Em linhas gerais, Bolsonaro tentou conter sua agressividade, mas não deu muito resultado. E seu circo de horrores continua a circular pelas redes sociais.

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