23 de junho de 2026

A Reedição do Espaço Vital de Hitler, por Luiz Alberto Melchert

O Lebensraum não morreu em 1945; foi apenas traduzido para o vocabulário dos direitos humanos e da democracia liberal.
Reprodução

O movimento Pan-Europeu surgiu em 1920, propondo a unificação da Europa, excluindo Rússia e Reino Unido por razões ideológicas.
O nazismo nasceu da derrota alemã na 1ª Guerra e repúdio ao Tratado de Versalhes, com foco no Lebensraum no Leste europeu.
A expansão da OTAN ao Leste reeditou o Lebensraum, buscando recursos e mercados diante da crise da indústria europeia.

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A Reedição do Espaço Vital de Hitler

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por Luiz Alberto Melchert de Carvalho e Silva

Introdução

Muito se têm dito sobre a extensão da OTAN como motivador para o conflito que hoje acontece por procuração na Ucrânia. Infelizmente, só podemos fazer meras inferências acerca de como Eric Hobsbawm veria os eventos que se sucederam após sua morte em 2012, quando as revoluções coloridas estavam em pleno curso, prenunciando a catástrofe que esperava a humanidade para dali a dez anos. Este breve ensaio não visa suprir sua falta, mas oferecer a ele, esteja onde estiver, uma contribuição historiográfica. Também homenageando Fernand Braudel, ele traz uma visão de longa duração, em que se fixa a eternas intenção de a Europa tomar a Rússia para si. Poderia ir a Napoleão, ou até antes dele, mas limitamo-nos aos fatos contidos nos últimos cem anos. Para facilitar o entendimento, este trabalho está dividido nos seguintes tópicos: a Origem do pouco divulgado Movimento Pan-Europeu; A largamente estudada Origem do Movimento Nazista e a Recusa em aceitar a Derrota; A Ideia de Lebensraum (espaço vital em alemão) e o Desvio da Trajetória Original de Hitler; a Evolução do Pan-europeísmo no Pós-guerra; a Sabotagem Americana e o Escândalo da Cambridge Analytica; a Expansão da Otan para o Leste como Lebensraum Reeditado; o Fracasso da Estratégia Africana e a Crise Aprofundada e uma conclusão, que busca conectar a história do século XX com a recorrente cobiça do Ocidente acerca dos recursos detidos pelo Oriente.

A Origem do Movimento Pan-Europeu

O movimento Pan-Europeu organizado surgiu no início da década de 1920, concebido pelo aristocrata austro-húngaro Richard Coudenhove-Kalergi. Nascido em Tóquio em 1894 e criado na Boêmia alemã, Coudenhove-Kalergi testemunhou o colapso do império austro-húngaro após a Primeira Guerra Mundial e dedicou sua vida a evitar que a Europa voltasse a se destruir em conflitos internos. Em 1922, publicou o manifesto “Pan-Europa”, no qual propunha a unificação política e econômica dos Estados europeus como forma de superar o que chamou de “eterna guerra civil europeia”. No ano seguinte, em 1923, a obra completa foi lançada, defendendo a formação de uma confederação continental que excluía, de forma nada inesperada, explicitamente a Rússia soviética por razões ideológicas e mantinha distância do Reino Unido devido a seus compromissos imperiais.

O movimento estruturou-se a partir de 1924 com a publicação da revista mensal Pan-Europa em Viena, e seu primeiro congresso realizou-se na capital austríaca entre 3 e 6 de outubro de 1926, reunindo delegados de vinte e quatro países. Entre seus apoiadores figuraram personalidades como o ministro das Relações Exteriores francês Aristide Briand, o chanceler austríaco Ignaz Seipel, o futuro presidente tchecoslovaco Edvard Beneš, além de intelectuais como Thomas Mann, Stefan Zweig, Rainer Maria Rilke, Albert Einstein e Sigmund Freud. Coudenhove-Kalergi encontrou no presidente americano Woodrow Wilson e em seus “Quatorze Pontos” uma inspiração inicial para sua visão de uma nova ordem internacional.

A Origem do Movimento Nazista e a Recusa em aceitar a Derrota

Paralelamente, o movimento nazista, além do repúdio ao socialismo, nasceu da derrota alemã na Primeira Guerra Mundial e da humilhação imposta pelo Tratado de Versalhes. Enquanto o pan-europeísmo buscava superar as rivalidades nacionais por meio da cooperação, o nacional-socialismo cultivava o revanchismo e a narrativa da “punhalada pelas costas”. Segundo ela, a Alemanha teria sido traída por forças internas – socialistas, comunistas e judeus. Essa recusa em aceitar a derrota tornou-se o motor ideológico que levaria à Segunda Guerra Mundial. Hitler já expunha em Mein Kampf (1924) seus planos expansionistas e sua visão racial de mundo, que nada tinham em comum com o federalismo democrático e pacifista do movimento pan-europeu.

A Invasão da Europa Ocidental e o Colapso do Pan-europeísmo

Com a ascensão de Hitler ao poder em 1933, o movimento pan-europeu foi imediatamente banido da Alemanha. Coudenhove-Kalergi, que nos anos 1930 ainda tentara angariar o apoio de Mussolini para seu projeto, viu-se forçado a fugir para os Estados Unidos em 1940, após o Anschluss de 1938. O nazismo não só rejeitava o pan-europeísmo como projeto igualitário, mas o perseguia ativamente.

No entanto – e este é um ponto central que a historiografia tradicional costuma ignorar – o sentimento pan-europeu preexistente foi habilmente cooptado pela propaganda nazista após as vitórias militares de 1940. A derrota da França e a ocupação de grande parte da Europa Ocidental criaram um vácuo de sentido que o colaboracionismo tratou de preencher com a retórica de uma “Nova Europa” unida sob hegemonia alemã contra o bolchevismo. Jean-Paul Sartre, em sua trilogia Os Caminhos da Liberdade (1945-1949), particularmente no volume Com a Morte na Alma, analisou com precisão esse fenômeno: a derrota militar francesa foi também uma crise de consciência, e a colaboração apresentou-se como um caminho “europeu” ou “realista” para muitos que não conseguiam conceber uma alternativa à ordem nazista. Assim, o ideal pan-europeu, que nascera como projeto de paz, serviu involuntariamente como véu ideológico para subjugar o continente.

A Ideia de Lebensraum e o Desvio da Trajetória Original de Hitler

É fundamental compreender que a invasão da Europa Ocidental nunca foi o objetivo primordial de Hitler. Seu projeto, exposto em Mein Kampf, era o Lebensraum – o “espaço vital” a ser conquistado no Leste europeu, nas vastas extensões da Polônia, Ucrânia e Rússia, cujas populações eslavas seriam escravizadas ou exterminadas para dar lugar ao assentamento de colonos alemães. O continente europeu, mesmo em sua totalidade, não seria suficiente para suprir as necessidades do povo germânico aos olhos da ideologia nazista.

Hitler só voltou suas tropas para o Ocidente por uma contingência: a declaração de guerra da Inglaterra e da França em setembro de 1939, na sequência da invasão da Polônia. Caso contrário, sua trajetória teria sido exclusivamente para o Leste. A invasão da França em 1940 foi uma resposta tática, não o cumprimento de um plano estratégico original. O verdadeiro objetivo – a invasão da União Soviética – só seria desencadeado em 1941 com a Operação Barbarossa.

A Evolução do Pan-europeísmo no Pós-guerra

Após a Segunda Guerra Mundial, o movimento pan-europeu ressurgiu das cinzas. Coudenhove-Kalergi retornou do exílio em 1946 e viu seu projeto ganhar novo impulso quando Winston Churchill, em seu célebre discurso em Zurique no mesmo ano, fez um apelo à reconciliação franco-alemã e mencionou explicitamente o trabalho precursor do movimento pan-europeu. Em 1949, foi fundado o Conselho da Europa em Estrasburgo, e em 1950 Coudenhove-Kalergi recebeu o primeiro Prêmio Carlos Magno por seus esforços em prol de uma Europa pacífica. O sentimento pan-europeu evoluiu então para as instituições que conhecemos hoje: a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (1951), a Comunidade Econômica Europeia (1957) e, finalmente, a União Europeia (1992) com a adoção do euro como moeda única.

A Sabotagem Americana e o Escândalo da Cambridge Analytica

A construção da União Europeia, no entanto, foi consistentemente sabotada pelos Estados Unidos – não por ação militar, mas por interferência política e econômica. Manter os países produtores de petróleo dentro da União Europeia, mas sem adotar o euro, seria, como se comprovou mais tarde, um meio de manter a Europa subjugada economicamente. É que o euro deixava de ser uma ameaça ao petrodólar. Enquanto isso, a OTAN, que, teoricamente, perdera sua função com o esboroamento da União Soviética, mantinha a ideia de ameaça contínua, buscando refúgio nas asas protetoras da águia símbolo da América do Norte. No inicio dos anos 2010, em paridade do poder de compra, a União Europeia já tinha ultrapassado o PIB dos Estados Unidos, constituindo-se numa ameaça à sua hegemonia em âmbito mundial.

O exemplo mais flagrante dessa sabotagem foi o papel da Cambridge Analytica no referendo do Brexit em 2016. A empresa, financiada pelo bilionário americano Robert Mercer e tendo Steve Bannon como vice-presidente de seu conselho, coletou ilegalmente dados de milhões de britânicos via Facebook e utilizou técnicas de psicografia e microtargeting para influenciar eleitores indecisos, alimentando-os com desinformação direcionada.

Christopher Wylie, delator da empresa, testemunhou no Parlamento Britânico que a Cambridge Analytica identificava “pessoas suscetíveis ao pensamento conspiratório” e as bombardeava com conteúdo personalizado para manipular seu voto. O resultado foi a saída da Grã-Bretanha da União Europeia – um golpe devastador para o projeto de integração continental, orquestrado por atores privados americanos com o objetivo explícito de enfraquecer a UE.

A Expansão da OTAN para o Leste como Lebensraum Reeditado

A expansão da Otan para o Leste, iniciada em 1999 com a adesão da Polônia, Hungria e República Tcheca, ampliada em 2004 para os Estados Bálticos, Romênia, Bulgária e Eslováquia, e que hoje coloca a Ucrânia no centro do confronto com a Rússia, não pode ser compreendida apenas como uma estratégia de defesa contra Moscou. Trata-se, sob uma roupagem institucional e democrática, da reedição da lógica do Lebensraum.

A Europa Ocidental enfrenta hoje um processo acelerado de desindustrialização. A participação da indústria no PIB da União Europeia caiu de 20% em 1995 para cerca de 15% em 2022. A Alemanha, locomotiva industrial do continente, viu sua produção industrial encolher nos últimos anos, agravada pela crise energética que se seguiu à invasão da Ucrânia. Os custos de energia na Europa são hoje três a cinco vezes maiores do que nos Estados Unidos. Incapaz de sustentar seu padrão de vida com sua própria base produtiva em declínio, a Europa precisa extrair valor de fora – e o Leste europeu (Rússia, Ucrânia, Cáucaso) é a única fronteira disponível para essa expansão.

Não se trata de uma escolha ideológica explícita, mas de uma necessidade estrutural do capitalismo europeu em crise. A OTAN avançou para o Leste não apenas para conter uma suposta ameaça russa, mas para abrir caminho para a captura de recursos naturais (gás natural do Donbass, minério de ferro de Kryvyi Rih, carvão, terras agrícolas de solo negro) e para a expansão do mercado da indústria europeia. O fato de a Ucrânia, com seus 40 milhões de habitantes e seu território vasto e rico, ter se tornado o campo de batalha decisivo entre Rússia e OTAN não é ideológica ou de simples sentido de defesa, é somente mais um passo na conquista do Lebensraum.

O Fracasso da Estratégia Africana e a Crise Aprofundada

A perda do continente africano como reserva de recursos e mercado cativo para a Europa é um reforço evidente para dar concretude ao argumento. Embora os impérios coloniais tenham sido formalmente extintos, um a um, após a Segunda Guerra Mundial, as relações de extração se mantiveram por décadas, especialmente através do sistema conhecido como Françafrique, que garantia à França acesso preferencial a matérias-primas, mercados e influência política em suas ex-colônias.

Essa relação, no entanto, está se desfazendo rapidamente. A China assumiu a liderança no comércio com a África, ultrapassando a União Europeia como principal parceira comercial do continente. Os chineses não apenas extraem recursos – garantem acesso generalizado a minerais, constroem infraestrutura, refinam localmente os minérios e não impõem condições políticas que a UE tradicionalmente exige. O sentimento entre líderes africanos é cada vez mais claro: “o mundo não se resume a um ou dois países”, e a África negocia soberanamente com múltiplos parceiros – China, Índia, Brasil, Turquia, Emirados Árabes, Arábia Saudita.

A resposta da União Europeia a essa perda de influência tem sido o Global Gateway, um programa de investimentos em infraestrutura lançado em 2021 para contrabalançar a Iniciativa do Cinturão e Rota da China, com uma promessa de 150 bilhões de euros em investimentos até 2027. O projeto emblemático dessa estratégia é o Corredor de Lobito, uma ferrovia financiada por EUA e UE que conecta as zonas mineríferas da República Democrática do Congo e da Zâmbia ao porto angolano de Lobito, permitindo o escoamento de cobre, cobalto, lítio, coltan, níquel e terras raras diretamente para a Europa. O objetivo declarado é reduzir a dependência europeia da China no processamento de minerais críticos para a transição energética.

No entanto, essa estratégia enfrenta três obstáculos intransponíveis. Primeiro, a África não aceita mais o papel de mera fornecedora de matérias-primas; os governos africanos exigem processamento local, industrialização e empregos no continente, enquanto a UE ainda reserva os estágios finais de produção para suas próprias fábricas. Segundo, o modelo europeu é lento e burocrático; enquanto a China já construiu portos, aeroportos, estradas e refinarias na África, a UE ainda discute comitês de supervisão ambiental. Terceiro, a África está diversificando ativamente seus parceiros, recusando-se a trocar uma dependência por outra.

A Conclusão: Onde o Pan-europeísmo e o Nazismo Convergem

É neste ponto – e somente neste ponto – que o sentimento pan-europeu e o nazismo começam a convergir. Não por uma identidade de ideologia, evidentemente, mas por uma identidade de função estrutural diante da crise. O pan-europeísmo, que nasceu como ideal de paz e cooperação entre nações iguais, transformou-se em seu contrário: tornou-se a ideologia que legitima a expansão para o Leste como solução para a crise de acumulação do capitalismo europeu.

A Europa desindustrializada, que perdeu o mercado africano para a China, que viu seu padrão de vida encolher, que não consegue mais competir globalmente sem acesso preferencial a recursos e mercados, encontra no Leste eEuropeu – na Ucrânia, na Rússia, no Cáucaso – o último espaço vital disponível para sua sobrevivência econômica. O fato de essa expansão ser conduzida sob a bandeira da “defesa da democracia” e não da “raça ariana” não altera a estrutura geopolítica subjacente: trata-se, em ambos os casos, da necessidade de um centro capitalista em crise de extrair valor de uma periferia que lhe escapa.

A diferença está nos meios – tanques ontem, tratados e alianças militares hoje – mas a geografia e a função econômica são perturbadoramente análogas. O que Hitler buscava realizar pela conquista militar direta, a União Europeia e a OTAN buscam realizar pela expansão institucional, pelas revoluções coloridas e pela guerra por procuração. O Lebensraum não morreu em 1945; foi apenas traduzido para o vocabulário dos direitos humanos e da democracia liberal, que servem hoje como a justificação moral para a mesma lógica de extração que sempre moveu o capitalismo europeu quando confrontado com seus limites internos.

Luiz Alberto Melchert de Carvalho e Silva é economista, estudou o mestrado na PUC, pós graduou-se em Economia Internacional na International Affairs da Columbia University e é doutor em História Econômica pela Universidade de São Paulo. Depois de aposentado como professor universitário, atua como coordenador do NAPP Economia da Fundação Perseu Abramo, como colaborador em diversas publicações, além de manter-se como consultor em agronegócios. Foi reconhecido como ativista pelos direitos da pessoa com deficiência ao participar do GT de Direitos Humanos no governo de transição.

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Luiz Alberto Melchert de Carvalho e Silva

Luiz Alberto Melchert de Carvalho e Silva é economista, estudou o mestrado na PUC, pós graduou-se em Economia Internacional na International Afairs da Columbia University e é doutor em História Econômica pela USP. Aposentou-se como professor universitário, e atua como coordenador do NAPP Economia da Fundação Perseu Abramo, como colaborador em diversas publicações, além de manter-se como consultor em agronegócios. Foi reconhecido como ativista pelos direitos da pessoa com deficiência ao participar do GT de Direitos Humanos no governo de transição.

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  1. Rui Ribeiro

    9 de junho de 2026 10:37 am

    Foi um grande prazer conversar com você hoje! Nossa jornada passou por história, geopolítica, ciência e filosofia. Aqui está o resumo dos principais pontos que debatemos:

    O Espaço Vital (Lebensraum): Analisamos o conceito geopolítico nazista que defendia a expansão territorial alemã para o Leste Europeu. Vimos que ele foi influenciado pelas teorias geográficas de Friedrich Ratzel (embora ele não tenha planejado o extermínio de povos) e como os nazistas rotulavam os poloneses e outros povos eslavos como “sub-humanos” para justificar sua escravização ou eliminação.

    A Relação Polônia-Rússia: Explicamos por que a Polônia, apesar de ser um povo eslavo, se identifica com o Ocidente e rejeita a Rússia. O motivo está em séculos de opressão e invasões históricas, como as Partilhas do século XVIII, o Pacto Molotov-Ribbentrop, o Massacre de Katyn em 1940 e a dominação soviética na Guerra Fria.Origem dos Eslavos e Arianos: Descobrimos que os eslavos migraram na Alta Idade Média a partir de sua pátria primitiva no Leste Europeu. Já os “arianos” históricos eram povos nômades da Ásia Central que migraram para o Irã e para o norte da Índia. Entendemos também como o conceito de “raça ariana” foi uma invenção pseudo-científica e distorcida do século XIX.Linguística Inglesa (Squat): Desvendamos como a palavra inglesa squat compartilha a mesmíssima origem para significar tanto “atarracado” (termo físico usado por Darwin no Brasil) quanto “ocupação de imóveis abandonados” (os squats associados a hippies, punks e ativistas).

    Darwin no Brasil e o Darwinismo Social: Discutimos a dualidade de Charles Darwin em seu diário de 1832 no Rio de Janeiro, onde ele demonstrou forte repulsa humanitária pela escravidão, mas também preconceitos eurocêntricos da sua época. Concluímos que o próprio Darwin rejeitaria o nazismo, pois o regime deturpou a seleção natural para criar o “Darwinismo Social”.

    A Opressão e a Máscara do Mal de Brecht: Fizemos uma conexão profunda entre as marcas físicas que a escravidão deixa nos oprimidos e o poema de Bertolt Brecht, que mostra como a prática do mal também deforma e tensiona as feições do próprio opressor (“como é cansativo ser mau”).

    O Elogio ao Ócio de Bertrand Russell: Analisamos o texto onde Russell argumenta que as grandes ciências e artes da humanidade (como as descobertas de Darwin) foram frutos acidentais de uma “classe ociosa” que tinha tempo livre para pensar, e como Marx e Engels apontavam que, historicamente na Europa, esse excedente que gerou a civilização veio do trabalho forçado.

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