Aldo Fornazieri
Cientista político e professor da Fundação Escola de Sociologia e Política.
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Copa, oportunismo e Aécio Neves, por Aldo Fornazieri

A Copa do Mundo começou sem o apocalipse em estádios e aeroportos, anunciado por vastos setores da imprensa. Independentemente de quem for o campeão, a primeira rodada indica que o evento tende a se firmar como um sucesso mundial. As manifestações anticopa, direito democrático, ocorreram, mas sem a envergadura que se projetava. A política militar de São Paulo agiu de forma violenta, constatação feita pela imprensa internacional, pela Defensoria Pública e pela Anistia Internacional. A polêmica que ainda segue, e é salutar que siga, diz respeito aos gastos da Copa é às prioridades do país.

A outra polêmica instalada se refere aos xingamentos recebidos pela presidente Dilma Rousseff na abertura da Copa. Antes de tudo, convém assinalar que vaiar e xingar os governantes e os políticos em geral é um direito vinculado à liberdade de expressão e, para o bem ou para o mal, constitui um elemento irredutível da democracia. Por serem servidores do povo, os governantes e os políticos devem estar sujeitos ao seu crivo, à sua crítica da opinião pública. Sem a garantia da liberdade de expressão a democracia não sobrevive. Hoje, esse direito, é protegido pelas cláusulas pétreas da Constituição. Mas o fato de as vaias e xingamentos dirigidos aos políticos serem direito irredutível, isto não implica que não possam ser atos criticados e contestados no debate público. Aliás, só o debate público, e não leis ou punições, pode dar conta desse problema que é inerente à natureza da democracia.

Ressalvado o direito à vaia e ao xingamento, o ato ocorrido na abertura da Copa deve ser submetido à crítica pública através do exame de seu conteúdo, da sua forma e da sua oportunidade. Partido da ala VIP do Estádio, o xingamento foi inconveniente e expressou, pelo seu conteúdo de baixo calão, uma manifestação clara de má educação e de falta de civilidade. Foi inconveniente porque maculou a imagem do Brasil perante o mundo num evento de natureza global. Neste sentido, os que proferiram os impropérios não foram tolerantes. Mesmo supondo que odeiem Dilma, a virtude da tolerância, que deve ser exercida nos momentos adequados, recomendava que naquele momento as hostilidades não fossem manifestas daquela forma por estar em jogo um bem maior, que é a imagem do Brasil perante o mundo.

O xingamento, por ter sido a expressão de uma grosseria, de uma má educação e de uma falta de civilidade, dirigido contra a chefe de Estado e contra uma mulher, revela a ausência da virtude do respeito. O respeito, segundo as melhores definições, se refere ao reconhecimento da dignidade própria e alheia e é a atitude que se inspira nesse reconhecimento. O filósofo antigo Demócrito proferiu uma formulação acerca do respeito da qual derivou a máxima “não faça aos outros o que não queres que façam a ti mesmo”. Para Platão, respeito e justiça eram componentes fundamentais à arte política, pois via neles princípios ordenadores das cidades (polis) e do convívio humano. Aristóteles e Kant identificaram o respeito como um sentimento moral referido sempre às pessoas. Em síntese, o respeito é o reconhecimento da dignidade das outras pessoas e de si mesmo que se tem o dever de salvaguardar. Foi essa ausência de reconhecimento da dignidade alheia que incorreram aqueles que xingaram a presidente Dilma.

O Duplo Oportunismo de Aécio Neves

Aécio Neves e Eduardo Campos procuraram, de imediato, tirar proveito político e eleitoral dos xingamentos proferidos contra Dilma. Imputaram a culpabilidade dos xingamentos à própria presidente, o que revela uma falta de ética. O homem público, principalmente alguém que alimenta a pretensão de ser presidente do Brasil, tem o dever político e moral de dar o bom exemplo. O bom exemplo dos governantes é fundamental para a constituição de uma adequada moralidade social. Tentar tirar proveito de atitudes desrespeitosas, antes de tudo, também revela uma falta de respeito. Percebendo que esta atitude poderia voltar-se contra ele mesmo, Aécio emitiu uma desaprovação envergonhada aos xingamentos na sua página no Facebook.

A conduta do candidato tucano revela um duplo oportunismo: nos dois casos, não foi ditada pelo dever moral, mas pela conveniência de extrair vantagem eleitoral de uma atitude, moral e politicamente condenável. O oportunismo político é avesso à moralidade política ou à chamada ética da responsabilidade de Weber. Ele desvincula a necessária adequação entre meios e fins para fazer pontificar a tese de que todos os meios são justificados pelo fim. O oposto do oportunismo pode ser definido como o dever moral da honestidade. Esta ensina que, mesmo na ação política, deve haver limites tantos nos meios, quanto nos fins. Somente assim se pode conciliar a ética das convicções com a ética da responsabilidade. Se não existissem limites morais na ação política não existiriam crimes políticos e nem mesmo crimes de guerra.

Ao conduzir-se dessa forma oportunista, Aécio Neves desmente na prática aquilo que vem prometendo em entrevistas: resgatar a dignidade da política, unir o Brasil e abandonar a política do ódio. Os xingamentos de baixo calão à Dilma são a pura expressão do ódio. Partindo de onde partiram, tudo indica que as suas motivações foram os méritos de Dilma e do PT e não as suas falhas, que são muitas e merecem ser debatidas e criticas. Sabe-se que a chamada “elite branca paulista”, no dizer de Cláudio Lembo, odeia o Bolsa Família, o Prouni, o salário mínimo e as demais políticas sociais que, de alguma forma ou de outra, contribuem para a redução da desigualdade no país.

Essa mesma “elite branca”, que condena a corrupção, mas a atribui apenas ao PT e se recusa em ver a corrupção do PSDB e de outros partidos, é bastante dada à prática da sonegação fiscal. Corrupção e sonegação se equivalem e provocam danos irreparáveis ao bem público e à moralidade social. Mas os danos causados pela sonegação são muito mais graves: estimativas indicam que a corrupção promove o desvio de R$ 85 bilhões anuais dos cofres públicos. Nos primeiros cinco meses de 2014, a sonegação já atingiu os R$ 200 bilhões. Dessa forma, espera-se que todos os candidatos se pronunciam também sobre a sonegação durante a campanha eleitoral.

Se os candidatos não tiverem a coragem de conduzir política e moralmente seus adeptos nenhuma dignidade da política será resgatada e a campanha corre o risco de descambar para o superficialismo e para a vulgaridade. O fato é que existe uma crise de representação e uma deslegitimação dos políticos. Os índices de rejeição de Aécio e de Eduardo Campos não são tão diferentes dos de Dilma. A dignidade da política será minimamente resgatada se tanto os candidatos quanto os eleitores se esforçarem no sentido de promover um debate qualificado e respeitoso acerca dos problemas, dos desafios e do futuro do Brasil.

Aldo Fornazieri – Cientista Político e Professor da Escola de Sociologia e Política.

Aldo Fornazieri

Cientista político e professor da Fundação Escola de Sociologia e Política.

36 Comentários

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  1. Quem quiser que “coma a

    Quem quiser que “coma a gaiva” de Aécio Neves.

    Aécio tem aquele jeito escorregadio do político mineiro, mas vai além, com a falsidade, o que o torna um político mais desprezível.

    A constatação de Aldo Fornazieri se torna redundante para quem acompanha as realizações, o discurso e a prática de Aécio:

    “Aécio Neves desmente na prática aquilo que vem prometendo em entrevistas: resgatar a dignidade da política, unir o Brasil e abandonar a política do ódio.”

    Nesse sentido Serra é muito mais honesto que Aécio.

  2. O problema que estamos

    O problema que estamos sofrendo é que os dois lados da politica fizeram apostas arriscadas.

    O Lula no auge do seu sucesso, sem antever uma crise economica que aconteceu depois, acreditou na positividade da realização deste mega evento.

    Ja a oposição jogou pelo fracasso de uma festa, que mobiliza e alegra povos de todo o planeta.

    Apostas arriscadas, quem perder pode pagar caro.

    Ate o momento, apesar de todas as tramas,manifestações e macumbas, o sucesso do evento tem aparecido por todos os cantos da terra.

    É uma grande festa mundial e nessa especialidade os brasileiros são imbativeis.

    Restou a oposição, que mostra não saber perder, destilar o odio, a raiva, a ofensa violenta.

    Uma coisa ficou clara para os brasileiros que não foram atingidos por um enorme processo de lavagem cerebral moderno, virtual: a direita, para conquistar o poder, é capaz de sabotar ate os interesses da propria nação. No caso, o sucesso de uma copa.

  3. “maculou a imagem do Brasil perante o mundo”

    acho que os demais posts mostram que os estrangeiros devem estar percebendo que os que estavam nos tais “camarotes VIP’s” (sic) da Arena Corinthians não representam nada além deles mesmo.

  4. Sonegadores

    Mas… Não venham com aquelas campanhas publicitarias ridiculas caçando os pequenos comerciantes para que emitam as notas fiscais.

    Pior, cristaliza-se no Brasil o mantra de que sonegar é um ato de autodefesa. Francamente, é preciso esclarecer que os maiores responsáveis pelo rombo de 415 bilhões em 2013 e os 200 bi de 2014 não o fizeram e não o fazem para se defender, mas por ganância mesmo!

    Os responsáveis por esta sangria bilionária, coberta pelos impostos pagos pela imensa maioria dos cidadãos brasileiros, não são o sacoleiro, o profissional liberal ou o empresário que trabalha mais de 12 horas por dia para sobreviver, gerar emprego e renda. Ao contrário, são criminosos de colarinho branco que se escamoteiam na cortina de fumaça da corrupção e da má administração pública. E para esses que vivem da sonegação, o que importa é saber que nada vai mudar enquanto as estruturas de controle fiscal e de cobrança jurídica do Estado, como a PGFN (Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional) continuarem sucateadas.

    Já o cidadão comum, que chega a trabalhar mais de 4 meses só para pagar tributos, este sim, não tem como se “defender” sonegando. Os tributos, para o trabalhador, são cobrados de forma automática, principalmente em seu contra-cheque e nos atos cotidianos de consumo: supermercado, posto de combustível, farmácia, escola etc.

  5. pgbi “partido do grupelho branquinho intolerante”

    Foi o pgbi, partido do grupelho branquinho intolerante, se manifestando. O aécio e o psdb não podem desqualificar e criticar o pgbi porque ele é o centro do seu apoio. Está apoiado neste excremento e sem ele aécio demorona. Vai se dar mal. Já se deu mal.

    Vejam onde o aécio se meteu ao se basear no apoio do pig corrupto e criminoso.

  6. Fraquissimo o texto.Esta

    Fraquissimo o texto.

    Esta idéia que a elite vaiou Dilma é balela…. As vaias foram generalizadas e o PT sempre utiliza o nós contra eles. Para com isto….. a insatisfação é enorme. Para quem quer verificar é só ver as pesquisas eleitorais, cada dia pior para o governo.

    1. Vaias generalizadas????

      Vaias generalizadas????

      Qual parte do “O Dilma VTNC” você não ouviu? Deve ter sido o  “Dilma” – as vaias foram pessoais e intransferíveis meu caro, não adianta querer justificar.

    2. As falhas…

      Quais pesquisas, hein, recém-chegado de Marte?

      As falhas pesquisas do data-falha?

      Você se imagina merecedor de ser levado a sério?

    3. Sabe de nada, inocente!

      12 anos promovendo o Aécio e ainda não conseguiram nem uma indicação de 2° turno, e acha as pesquisas grande coisa…

  7. Não concordo.

    Que negócio é esse de direito a xingamento? A um esforço de muitos intelectuais de minimizar os xingamentos, de relativizar os feitos do PT. A coisa é o seguinte o PT com todos seus defeitos é muito superior a oposição e a elite branca. A elite brasileira é atrasada, ignorante, burra e não é patriota. Mas, não se preocupem o povo pobre, pelo contrário é muito superior em moral e ética a sua elite, é por isso que até hoje não houve uma resposta violenta a essa gente.

  8. Análise completa essa do xará.

    Parabéns ao Fornazieri pelo seu texto que contempla o xingamento à Presidenta em todas as suas nuances.

    Faço apenas o seguinte reparo: nada porém do que foi falado no texto do ponto de vista ético, de valores, princípios, dignidade etc alcança os autores da nauseante façanha pelo simples fato que são códigos impossíveis de assimilarem porque esse comportamento vil lhes é inerente e proporciona um prazer que não tem preço.

    São os Black blocs irrecuperáveis para a moralidade e a decência.

  9. Palavras sábias.

    Aldo, voce foi muito claro e objetivo, em especial quando fala sobre o aspecto ético da política, o oportunismo de Aécio e Campos, além da conivência da mídia em relação à corrupção de outros partidos. Mas não tenha dúvidas de que milhões. a partir da atitude deseducada da elite paulista, se tornarão cabos eleitorais de Dilma. EU SOU UM DESSES!!!

  10. se os xingamentos foram aprovados por toda oposição…

    até parece que escreve sobre os que respeitam a Democracia

    incluindo os que fundaram um partido que chamaram de Solidariedade sem saber que o a principal manifestação de solidariedade é respeitar a dignidade humana de todos

    foi por isso que recomendei que esqueçamos o assunto, porque tem muitos por aí que se aproveitam da repercussão para também ofender a Dilma com suas análises escrotas sobre liberdade de expressão

     

    1. Aécio Neves em entrevista a

      Aécio Neves em entrevista a Renata Lo Prete reclamando que o PT ofereceu vários cargos para ter as alianças e que ele iria fazer diminuir o número de partidos no Brasil, a reporter singelamente perguntou:

      Candidato, o senhor mesmo apoiou a criação do  partido solidariedade…

      Aécio ficou batendo o pé no chão e disse, em outras palavras, que uma coisa é uma coisa…

    1. Então se o chulo agora é a regra:

      o texto é uma m…, provando mais uma vez que no globo só se escreve m…

      È meu comentário definitivo.

    2. Pode ser

      Mas, sempre contra O TIME adversário… O time de cá xinga, o de lá também. No caso da Presidente, o lado de lá xingou…

      A arquibancada não se posiciona de forma xula contra autoridades presentes (há raras excessões). Não confundir a rivalidade clubística, cheia de palavrões de AMBOS os lados, com ofensas políticas. 

  11. Desacato:          Art. 331 

     

    “Mas o fato de as vaias e xingamentos dirigidos aos políticos serem direito irredutível, isto não implica que não possam ser atos criticados e contestados no debate público.” 

     

    Desacato:

              Art. 331 – Desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela:

              Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, ou multa.

     

    1. Isso não é desacato, é injúria!

      Código Penal:

       

      CAPÍTULO V DOS CRIMES CONTRA A HONRA

       

      Injúria

      Art. 140 – Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro:

      Pena – detenção, de um a seis meses, ou multa.

      § 1º – O juiz pode deixar de aplicar a pena:

      I – quando o ofendido, de forma reprovável, provocou diretamente a injúria;

      II – no caso de retorsão imediata, que consista em outra injúria.

      § 2º – Se a injúria consiste em violência ou vias de fato, que, por sua natureza ou pelo meio empregado, se considerem aviltantes:

      Pena – detenção, de três meses a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência.

      Disposições comuns

      Art. 141 – As penas cominadas neste Capítulo aumentam-se de um terço, se qualquer dos crimes é cometido:

      I – contra o Presidente da República, ou contra chefe de governo estrangeiro;

      II – contra funcionário público, em razão de suas funções;

      III – na presença de várias pessoas, ou por meio que facilite a divulgação da calúnia, da difamação ou da injúria.

      IV – contra pessoa maior de 60 (sessenta) anos ou portadora de deficiência, exceto no caso de injúria. (Incluído pela Lei nº 10.741, de 2003)

      Parágrafo único – Se o crime é cometido mediante paga ou promessa de recompensa, aplica-se a pena em dobro.

       

  12. querem saber qual é ordem do dia para alguns?

    como a Dilma sobreviveu às torturas físicas, façam de tudo para que ela não sobreviva às nossas análises com repercussão do acontecido sempre contra ela

     

    1. Desculpe, peregrino, mas vc tá errado, é preciso falar disso sim

      Nao é argumento contra Dilma, é contra essa oposiçao que incentivou isso e aprovou isso (os 2 outros candidatos…). O povo nao aprovou. 

  13. gente estranha…………………………………………..

    nunca vi coisa igual…………………………………………………………………………………………………..

    comparando atitudes, vou acabar concluindo que fomos torturados por verdadeiros Santos militares

  14. AÉ-5

    Aécim é mais raso que um pires. Tirando em momentos como naquela safadeza em que se tornou o Roda Viva ( em que os caras levantavam pra AÉ-5 cortar),  esse cara não sabe falar, é muito fraco, atinge níveis exorbitantes de cinismo renitentemente. Não cola mais não.

  15. Vaiar sim, mas xingar???

    “que vaiar e xingar os governantes e os políticos em geral é um direito vinculado à liberdade de expressão e… constitui um elemento irredutível da democracia. Sem a garantia da liberdade de expressão a democracia não sobrevive.”

    Xingar é liberdade de expressão ou “libertinagem” de expressão. Os xingamentos foram de carater ideológico sem respeito algum a democracia, já que ela é o nosso chefe de estado eleito democraticamente, a partir desse princípio a nossa República democrática vira uma “zona”, porque, ser for alguém de direita no poder, as pessoas de ideologia à esquerda podem xingar esse chefe de Estado?? Vai virar uma “zona”. Para mim democracia se respeita, o chefe de estado representa a nossa nação.

    Segundo o autor, todos a partir de hoje devem xingar políciais, juízes, promotores, qualquer funcionário público, na verdade xingar todo mundo, para exercer a “democracia”, a “liberdade de expressão”. Para mim este texto é absurdo, mas….

  16. Uma questão de léxico. (Xingamentos a Presidente)

    Uma questão de léxico.

    Quem sou eu para querer corrigir blogueiros e jornalistas? Mas, com perdão da ousadia, quero esclarecer o léxico. Grande parte da repercussão dada pelos blogueiros e formadores de opinião, sobre as vaias e xingamentos ocorridos no jogo do Brasil, estão escorregando no léxico e no que imaginam acontecer no mundo exterior. Erram, para mim, ao se referirem aos vaiantes e xingantes, de Dilma, como sendo a “elite” brasileira. Elite é dicionarizada como: “s.f. 1. O que há de melhor numa sociedade; o escol, a flor, a nata. 2. Sociologia, Minoria mais culta ou mais forte, dominante no grupo”. Não. Não foi a “elite” que vaiou a presidente eleita democraticamente e representante de nosso país para o mundo. Foram alguns riquinhos, plutocratas, burgueses, ou melhor: foi a ralé, a escória, o que há de pior em nosso povo. Aproveito, também, para discordar do que foi suposto pelos blogueiros e jornalistas publicados e lidos por mim na internet. Eles, (os supostos observadores do resto do mundo), não tiveram uma visão negativa de nosso país. Pelo contrário. Demos ao mundo uma lição de democracia. Uma lição de civilidade.
    Imagino-me em outro país, vendo o chefe de a nação ouvindo vaias e gritos de vai tomar no cu, por um grupo de riquinhos mal educados e não ver a polícia ou mesmo o exercito invadir os camarotes descendo o cacete naquela gentinha. Eu pensaria assim: que país evoluído é o Brasil que se pode mandar a Presidente tomar no cu e ninguém é processado e preso. Ou mesmo torturado e morto. Que povo democrático é este que aceita uma imprensa que desdenha de sua total liberdade para ter o prazer, sádico, de dar manchetes a esse lamentável incidente. Uma imprensa visivelmente parcial, hipócrita, que predisse inverdades e, mesmo assim, continuar ilesa. Que país é esse que após vinte anos de ditadura e traz um evento dessa grandeza, é rechaçado por uma ínfima e descontente minoria e mantém a serenidade. Não. Não foi a elite que vaiou e xingou Dilma e o representante da FIFA Joseph S. Blatter. Foi um grupinho que não sabe aceitar uma derrota democrática, uma gentalha que só tem dinheiro. Perdoem-me senhores jornalista, esses abastados não representam sequer a elite paulista, muito menos, representam a elite brasileira.
    Ricardo Matos.

    1. Impressionante…

      Ricardo Matos, você foi brilhante no que concerne ao seu comentário sobre a postura do Governo Brasileiro, no caso a Presidente Dilma! E em toda a sua dissertação! Nossa represetante deu, sim, lição de democracia! Mas acima de tudo, deu lição de postura, coragem, civilidade e de paz! Se a “dita” elite brasileira, que realmente não o era a da Arena Corinthians como você comentou, não tem civilidade, postura e educação, o mesmo não se dá com nossa Presidente! É isso! Parabéns pelo comentário, peço licença para publicá-lo, com os créditos, é claro! Orgulho de ser brasileira! 🙂

    2. Matou a cobra e mostrou o pau

      Ricardo, parabens por sua observacao super pertinente com relacao ao que constitui “elite”.

      Precisamos desmistificar esse conceito de “elite” que e’ ainda amplamente usado por todos indistintamente.

      Precisamo separar o joio do trigo, como voce sugere: elite e’ o que ha’ de melhor, e nao deveria ser confundido com a escoria, que vimos no Itaquerao semana passada.

      Interessante e’ que na Republica, de Platao, e historicamente no sistema antigo da India, comerciantes e homens de negocio eram considerados importantes, claro, por suprir as necessidades materiais da sociedade. Mas eles nao eram considerados parte da elite.  A eles era vedada a participacao nas atividades politicas, atividades privativas das duas castas superiores, a dos filosofos e administradores (tambem guerreiros).

      Creio que a razao para isto pode ser observada a olho nu na sociedade capitalista contemporanea: existe um conflito de interesses entre o que o homem de negocios busca realizar – o lucro e aumento de sua riqueza pessoal, a busca da maximizacao do ganho pessoal (maximization of self interest), por um lado; e os interesses da sociedade, o interesse publico, do outro. E se este homem de negocios nao for uma pessoa muito evoluida, moralmente, o interesse pessoal ira’ se sobrepor fatalmente e atropelar a preocupacao com o interesse publico.

      Hoje vivemos num mundo em que 85 bilionarios (algo como 0,000.000.005 por cento da populacao mundial) possuem a riqueza equivalente ‘a possuida por 50 por cento da populacao humana. Existe um quase consenso, por parte de observadores e estudiosos desinteressados, de que os Estados Unidos e’ um regime plutocratico (o grande modelo de nossa oligarquia dominante) onde manda uma minoria detentora de uma quantidade fabulosa de dinheiro. E o tipo de sociedade que eles estao criando esta’ muito longe dos padroes que seriam de se esperar de um pais tao poderoso, rico, e extraordinario mesmo em varios quesitos.

      Para botar este comentario em perspectiva, comparemos a sociedade norte americana com as sociedades escandinavas, onde uma riqueza nacional bem menor, mas melhor distribuida, criou sociedades bem mais civilizadas, em todos os criterios que se utilizem para tal avaliacao.

  17. Quando se fala de índice de

    Quando se fala de índice de rejeição da Presidenta DILMA devemos levar em conta a influência da velha mídia.

    Se existisse no Brasil um Jornalismo isento, sem partidarismo e que tivesse a coragem de mostrar o governo DILMA como ele é, mostrando suas obras, seus mecanismos de combate à corrupção, seus programas sociais, claro que apontando as falhas, também, teríamos, ai sim, uma possibilidade de medir sua rejeição e popularidade de forma honesta.

    Não queiramos medir a rejeição da Presidenta sem colocar o contexto real da velha mídia e sua oposição sistematica ao Governo Petista.

    Com esse monopólio das comunicações e a descarada oposição da velha mídia diante do Governo DILMA, além, do escancarado apoio às oposições e seus candidatos: AÉCIO e EDUARDO fazer uma análise da rejeição e popularidade  de qualquer candidato mostradas em pesquisas sem resalvas não dá.

    Sem contar que o apoio ou não de parcelas da sociedade à Política, aos políticos e partidos políticos; a concepção de corrupção generalizada é diretamente ligada à Imprensa hegemônica e patrocinado pelo Sistema, que a velha mídia é a representante dele no Brasil. 

    A velha mídia é formadora de opinião no Brasil, desde sempre, e ainda tem forças para influenciar uma parcela significativa da população brasileira. 

  18. Aécio é sonso e dissimulado.

    Aécio é sonso e dissimulado. Seu caráter pode ser medido pela reação a essa injúria contra uma senhora já avó que circunstancialmente está na presidência da República. 

    Acredito que tenha perdido um bom naco de votos junto ao eleitorado feminino. Idem Eduardo Campos. 

  19. Prezado Sr. Fornazieri,

    Prezado Sr. Fornazieri, algumas considerações sobre o que foi dito por V.Sa.:

     

    a) é provável que a vaia tenha partido de uma camada mais favorecida da sociedade; a razão é óbvia: estava presente no estádio quem tinha dinheiro para pagar os altos preços dos ingressos; ou seja o país (leia-se PT) gastou fortunas na construção de estádios para os favorecidos manifestarem seu desapreço pela “Presidenta”; não sou a favor – como qualquer pessoa de bem não o será – do xingamento; Dilma, gostem ou não, representa a República e como tal não pode nem deve sofrer este tipo de constrangimento;  mas, anote-se que o uso de palavras impróprias é prática abraçada pelo querido “Lula” (certamente não meu mas talvez seu) ao usar “babaquice” ao se referir ao que não gosta e outras expressões certamente inadequadas a quem é ex-Presidente; talvez ele imagine que agrada os mesmos que se manifestaram contra Dilma no Itaquerão;

    b) oportunismo é arma de político;  a maior prova é a aliança do PT com o Sr. Paulo Maluf, aquele que nega a própria assinatura ou que tenha tido qualquer conta no exterior; portanto, alargue seus horizontes e critique o oportunismo da pretensa esquerda brasileira, pois as alianças espúrias são muitas;

    c) méritos e feitos do PT: francamente não consigo apontar um só mérito e feito do PT ou de seu governo que não esteja intimamente ligado aquilo que tenha sido feito ou iniciado no governo de Fernando Henrique Cardoso; o Lula teve mérito, sem dúvida, que foi o de manter durante o seu primeiro mandato a política econômica e social iniciada por FHC; perdeu-se no segundo mandado ao se desviar do caminho deixando de investir na educação, na saúde e na segurança pública para começar a “dar esmolas” com bolsa disso ou daquilo; hoje a Receita Federal e os Estados arrecadam bilhões que são mal utilizados e em sua maior parte sustentam um funcionalismo ineficiente, incompetente e caro; qualquer novo governante  não petista que vier a assumir o governo irá levar anos para colocar a casa em ordem, o que não aconteceu com o PT que recebeu do FHC um estado bem administrado.

    d)  a esquerda tem que parar de arranjar desculpas para encobrir sua incompetencia; a Argentina está falida; a Venezuela idem; a Bolívia não existe, de Cuba então melhor não falar; a Rússia hoje tenta recuperar hegemonia na base da ameaça a um e a outro; o Brasil está indo escada abaixo, e ainda temos que ouvir V.Sa. falar em “elite branca”, com um proselitismo barato como se ser “branco” fosse crime; francamente, somos todos brasileiros, brancos, negros, índios ou seja de que raça, religião ou cor e temos todos o mesmo direito à manifestação (sem utilizar palavras pouco ortodoxas, prática repito, bastante comum aos petistas a começar pelo seu maior líder).

    1. Urgente

      Henrique, voce precisa fazer um upgrade urgente de suas fontes de informacoes.

      Me desculpe a franqueza, mas voce esta’ muito equivocado, e creio que devido ‘a qualidade e procedencia das informacoes com que voce trabalha. Acredito nas suas boas intencoes, algo que nao poderia dizer com a relacao a muito gente que faz comentarios so’ para destilar a negatividade e o derrotismo.

      O seu comentario tem o merito de tentar articular o seu ponto de vista de forma racional, ao contrario de muitos que, hoje no Brasil, recorrem ao xingamento puro e simples como expressao de posicionamento politico. Nao sabem e/ou nao querem debater ou articular racionalmente suas posicoes politicas.

      Mas creio que se voce se informar melhor – e frequentar o blog do Nassif ajuda muito nisso – voce ira’ encontrar muitas razoes para sair desta amargura, deste pessimismo que, de fato, nao encontra sustentacao na realidade brasileira (exceto aquela engendrada pela midia oligarquica e manipulativa).

      Nao que as coisas estejam perfeitas. Nao. Mas tambem olhe ao seu redor, no resto do planeta, e veja que no Brasil temos muito, mas muito mesmo para agradecer. Mazelas criadas durante quinhentos anos nao serao resolvidas da noite para o dia.

      O importante e’ que as coisas estao caminhando na direcao correta, dentro daquilo que e’ possivel na realidade brasileira neste momento. Ha’ muito por fazer, particularmente uma reforma politica de verdade, mas se nos entregarmos ao derrotismo e ao odio, com certeza nao chegaremos a construir o Brasil que queremos. Abraco

  20. O representante compõe interesse alheio divergente na política

     

    Luis Nassif,

    Eu tenho feito críticas a Aldo Fornazieri. Dois posts recentes com textos deles e com críticas minhas podem ser vistos aqui no seu blog. Um mais recente é o post “Protestos: um ano depois, por Aldo Fornazieri” de segunda-feira, 09/06/2014 às 10:06, e que pode ser visto no seguinte endereço:

    https://jornalggn.com.br/noticia/protestos-um-ano-depois-por-aldo-fornazieri

    O segundo post, também recente, aqui no seu blog com texto de Aldo Fornazieri e com críticas minhas e ao qual eu faço referência em comentário que enviei para você segunda-feira, 09/06/2014 às 14:27 no post “Protestos: um ano depois, por Aldo Fornazieri” intitula-se “Clientelismo e corrupção do sistema político, por Aldo Fornazieri” de segunda-feira, 10/03/2014 às 08:18. O endereço do post “Clientelismo e corrupção do sistema político, por Aldo Fornazieri” é:

    http://www.ggnnoticias.com.br/noticia/clientelismo-e-corrupcao-do-sistema-politico-por-aldo-fornazieri

    A minha crítica em relação ao texto do post “Protestos: um ano depois, por Aldo Fornazieri” diz respeito ao uso de dados estatísticos que me pareciam inconsistentes para fazer generalizações sobre a política brasileira que não me pareciam bem fundamentadas. Com os dados ele tentava repassar uma especificidade brasileira quando se tratava de uma ocorrência mundial e que mesmo assim não caberia a interpretação que ele tentava dar do que ele via como especificidade.

    E eu criticava o texto dele no post “Clientelismo e corrupção do sistema político, por Aldo Fornazieri” pela idealização que ele fazia da democracia e da atividade política na democracia representativa.

    A idealização em meu entendimento é o que pior ocorre quando se está realizando a tarefa de entendimento da atividade política. E é isto que ocorre quando se começa a mencionar Platão, Weber e semelhantes. A política de Platão é uma política idealizada. A burocracia de Weber é uma burocracia idealizada. No mundo real tudo é diferente. Platão não idealizou a política representativa. Ele idealizou a democracia direta. Na democracia representativa você não pode renunciar ao interesse do representado, enquanto o indivíduo pode renunciar ao seu próprio interesse na democracia direta.

    Na democracia representativa, o representante em vez de renunciar faz a barganha, o conchavo, o que se chama de fisiologismo, estando apenas limitado pela lei.

    No caso deste texto de Aldo Fornazieri para este post “Copa, oportunismo e Aécio Neves, por Aldo Fornazieri” de segunda-feira, 16/06/2014 às 09:40, não tem tanta importância mencionar que Max Weber também idealiza a burocracia estatal. É importante, entretanto, perceber que o entendimento da democracia requer o entendimento do papel do Estado e para isso é importante entender a natureza do Estado e da burocracia que o compõe, assim como é preciso entender o sistema capitalista que não deve ser avaliado como um modelo idealizado, como ele é idealizado pela corrente austríaca.

    Com as restrições ao pensamento de Aldo Fornazieri já apontadas acima, foi que eu comecei a ler este post “Copa, oportunismo e Aécio Neves, por Aldo Fornazieri”. Os dois primeiros parágrafos são muito bons. Eu acrescentaria logo após a frase que fecha o primeiro parágrafo uma característica sobre a questão da prioridade. Diz Aldo Fornazieri:

    “A polêmica que ainda segue, e é salutar que siga, diz respeito aos gastos da Copa é às prioridades do país”.

    O que eu acrescentaria seria dizer que, enquanto o ser humano não tiver os poderes divinos da profecia, a polêmica sobre as prioridades de um país qualquer não cessará.

    Não teria ressalvas nem acréscimos a fazer ao segundo parágrafo, mas a partir do terceiro parágrafo, Aldo Fornazieri passa a comentar sobre a atividade política não como ela é de fato, mas como ele a idealiza.

    Uma forma de critica à oposição é dizer que na política tudo, desde que feito dentro da lei, é permitido. Não é por outra que quanto era maior a crítica do PT ao governo de Fernando Henrique Cardoso, um prócer do PSDB fez uma artigo mostrando que esta conduta do PT era da natureza da política. Trata-se do artigo de José Arthur Giannotti aparecido na Folha de S. Paulo de 17/05/2001 e intitulado “Acusar o inimigo de imoral é arma política, instrumento para anular o ser político do adversário” e que pode ser visto no seguinte endereço:

    http://www.cefetsp.br/edu/eso/filosofia/artigogiannottigerapol

    Eu prometi fazer uma crítica a este texto de José Arthur Giannotti junto ao post “Chauí e Giannotti” de quarta-feira, 24/08/2005, no blog de Na Prática a Teoria é Outra. O endereço do post “Chauí e Giannotti” é:

    http://napraticaateoriaeoutra.org/?p=300

    Se tiver uma internet discada ou parar o intensedebate é possível ver a data de envio dos comentários lá no post “Chauí e Giannotti”. Eu descobri o post cinco anos depois e só a partir de então eu comecei a enviar os comentários. Ficou faltando uma crítica ao texto de José Arthur Giannotti que não fiz mais por falta de tempo. De todo modo, deixei nos comentários que já enviei indicações de outros posts onde o assunto é tratado.

    O texto de José Arthur Giannotti parece ser de alguém que entende a atividade política tal como ela ocorre na realidade e não tal como ela é idealizada pelos filósofos que mais falavam de democracia direta. A minha crítica básica que eu faria ao texto de José Arthur Giannotti decorre de eu não concordar com a idéia dele de que exista uma zona cinzenta não delimitada onde tudo é possível. O que eu recrimino é a cor da zona dando a entender certa dúvida. A lei determina uma zona em que determinado comportamento não é permitido. Na zona restante o comportamento é permitido. Não existiriam entre elas uma área de dúvida.

    Em suma, em meu entendimento, o ordenamento jurídico é tal que não permite a existência de uma zona não delimitada. O que existe é uma zona em que determinado comportamento não é interditado. Usar deste espaço para fazer crítica ao governo é natural e próprio da atividade política. O pior no pensamento de José Arthur Giannotti, embora eu tenha lido isto em outro texto, é que ele crê que esta zona cinzenta é delimitada pelos grandes homens públicos. Só eles saberiam quais seriam estes limites. Os limites são os da lei. É claro que dúvida pode haver, mas caso seja acionado, o Poder Judiciário não pode negar a prestar o dever jurisdicional alegando dúvida.

    É claro que eu avalio estas manifestações contra o governo da presidenta Dilma Rousseff como uma demonstração de preconceito. Penso, entretanto, que o preconceito é mais contra o PT. Durante muito tempo muitos dos que criticavam o governo do PT ficavam resistente a criticar o governo por parecer uma crítica preconceituosa contra um torneiro mecânico não instruído. Agora com a Dilma Rousseff, uma economista, a crítica foi liberada. E houve a campanha da mídia.

    Então penso que se tem que conviver com manifestações como estas. Elas podem ser criticadas como bem disse o próprio Aldo Fornazieri, mas não há impedimento legal de se fazer estas manifestações. Se a manifestação fosse individual talvez fosse factível acionar o Poder Judiciário, mas tenho por mim que na maioria das vezes o valor de quem injuria é muito baixo para a injúria ser tomada como relevante. É claro que no caso de manifestação generalizada não caberia indiciar todo mundo em crime de injúria. Esta é a realidade da política com a qual quem vive nela tem que acostumar.

    O que se pode dizer é quando uma sociedade bate palma para um representante que usa de modo oportunista estes espaços de crítica, a sociedade se revela no seu atraso. De certo modo, isto seria relevante se existisse alguma sociedade em que os representantes políticos não agissem do modo que Aldo Fornazieri criticou neste texto dele. A sociedade só aceita como bom representante quem defende o interesse do representado acima de qualquer outro interesse. Nesse sentido o representante tem mais é que criticar quem o representado critica. Ele só se sai mal se a crítica do representado for uma crítica minoritária.

    Clever Mendes de Oliveira

    BH, 16/06/2014

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