Eleição. O voto inocente no país de maricas e hemorroida culposa, por Armando Coelho Neto

No país de maricas, milicos e hemorroidas, a República é filha de um golpe que aniversariou ontem. As elites queriam ser indenizadas pela perda dos escravos por conta da Abolição e tiveram apoio dos milicos.

Eleição. O voto inocente no país de maricas e hemorroida culposa

por Armando Rodrigues Coelho Neto

Coisas de “Pais de Maricas”, sujeito a coceiras na hemorroida presidencial. Por pouco o Brasil não declarou guerra à Venezuela, não rompeu de vez com a China, nosso maior parceiro comercial. Bozo não reconheceu a vitória de Joe Biden e já lhe passou um pito:  se ele se meter com a Amazônia “Vai ter pólvora” (Risos).

Sempre que critico as Forças Armadas, registro: exceções silentes. Desta feita, as exceções falaram, rejeitando as fanfarronices do Bozo. Justo ele, que de há muito vem expondo as FFAA ao ridículo, com endosso e subserviência dos que estão pendurados no mais novo cabide de emprego militar desses tempos sombrios.

O general Edson Leal Pujol, comandante do Exército, durante uma live no Instituto para a Reforma das Relações entre Estado e Empresa criticou as estultices do Bozo. Quando li a fala do tal milico, fui reler meu texto veiculado neste GGN, no qual conto como as FFAA chafurdam no lamaçal político.

Reli meu texto para rever o vídeo no qual mostro o General Ajax, que faz sabe-se lá o que no STF, em plena campanha política pedindo voto pro Bozo e chamando Fernando Haddad de monitorado por um presidiário. Mostrei também o Bozo fazendo campanha dentro da Academia Militar das Agulhas Negras – Aman.

A Aman é a usina diabólica dos “verdinhos”, braço forte mão amiga das elites desde o primeiro golpe no Brasil (15/11/1889). É lá que cantam “Somos a esperança de um Brasil inteligente”. Vai ver que por isso apostaram todas as suas fichas na inteligência do mais histriônico e desumano presidente do Brasil.

Atenção! Para minha surpresa, os vídeos citados no texto, que provam militares fora de suas funções constitucionais, foram excluídos do YouTube. Calma! Há versões noutras plataformas – “Vai qui, né?”. Além do vídeo, há citação a um site argentino que também provam que Bozo é o candidato das Forças Armadas.

O material citado mostra que no país de maricas e hemorroidas, não se pode confiar nem numa nota oficial do Ministério da Defesa. O material se soma a ameaças de golpe, ataques à democracia, às instituições, interferência nos julgamentos de Lula, de forma a desacreditar aquela fala. Isso é papel de militar?

Nunca é demais lembrar que nos primórdios do golpe com “Supremo e tudo”, a presidenta Dilma Rousseff foi grampeada quando sob proteção do GSI (não se saber se por negligência, conivência ou traição), por ordem de um juizeco de primeira instância. Onde está o respeito à Constituição Federal, caro general?

A nota emitida soa como chorumela e mimimi. É mais do mesmo às vésperas das eleições. Se as FFAA estivessem cumprindo seu papel constitucional, nem nota teria, sequer para dizer que não vai ter golpe, quando seus altos integrantes faziam ataques à democracia, com a Suprema Corte sob a mira foguetes.

No país de maricas, milicos e hemorroidas, a República é filha de um golpe que aniversariou ontem. As elites queriam ser indenizadas pela perda dos escravos por conta da Abolição e tiveram apoio dos milicos. Depois disso, as FFAA apareceram nas Reformas de Jango e no projeto de inclusão social Lula/Dilma.

Maricas, milícias e milicos à parte, temos eleições presididas por um juiz eleitoral que não se dá o trabalho de explicar seu nome (legal ou ilegalmente) no Caso Banestado, em que pese sistemáticas cobranças do Canal Duplo Expresso. É muita pimenta para uma hemorroida só. Haja olho de boi nessa cloaca!

Urnas abertas, o PT ainda sofre os impactos do golpe/2016. O PT sai ferido, não destruído. Em São Paulo, no afã de resistir, gente como eu migrou ontem paro Boulos. A esquerda está viva apesar de pólvoras, gripezinha, vacina contra Covid sabotada, maricas, milícias, milicos, maçons, Marinhos, Mesquitas, Malafaias.

Eleições? O povo quer comunismo/socialismo, mesmo sem saber chamar o que quer pelo nome. O povo quer estado presente na saúde, segurança, educação, emprego garantido, direitos trabalhistas, aposentadoria, respeito à sua origem, orientação sexual. O povo não aceita estupro ou hemorroida culposa, como Bozo.

Enganado, o povo odeia o nome do que deseja. Mas o povo é bom. Quando Sarney deixou a Presidência da República, desceu a rampa sob vaias e escorraçado. Aí, uma mulher solitária gritou: “obrigado pelo Vale-Leite!”. Sarney olhou para a grata senhora, tirou um lenço e chorou. As vaias viraram aplausos.

Em suma, o povo quer coisas que o capitalismo da elite maricas se recusa a reconhecer, de olho em suas próprias hemorroidas e coturnos sujos de sangue e do odor de mais de 165 mil vítimas de uma pandemia inacabada. Afinal, todo mundo vai morrer um dia de alguma coisa, menos de vergonha.

No país de maricas, loteria e jogo do bicho traz mais esperança do que Deus. Com poucos reais, a esperança se renova todo dia, pois o cristão pode ficar milionário da noite pro dia, ainda não fique, nem conheça quem ficou. Sim, há muita fé no país das hemorroidas: bispos Macedo, Malafaia, devocional Cid Moreira.

No país de maricas e hemorroidas, há intenso trabalho midiático para transformar em poder a inocência popular, mas não em favor do povo. Incute no povo o ideário do capitalista sem capital e do latifundiário sem quintal. É a inocência convertida em voto, cuja dignidade gente como Tatto e Boulos tentam resgatar. Parabéns!

Há tempos, fui na Vinícula Concha Y Toro (Chile). Pela lenda, um bom vinho ficava escondido numa casinha (Casilero), dentro de numa gruta protegida por um diabo. Com medo do diabo o povo não bebia o bom vinho – então o Casillero Del Diablo. O povo crê nos medos impostos pelas elites que protegem o vinho delas.

É por isso, como diz o escritor Mia Couto, que muita gente tem medo que o medo acabe. A inocência também.

Armando Rodrigues Coelho Neto – jornalista, delegado aposentado da Policia Federal, ex-integrante da Interpol em São Paulo.

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