O Estado fascista e os petroleiros, por Francisco Celso Calmon

Na conjuntura atual não há coluna do meio: ou fica cúmplice ao bolsonarismo ou contra. Propor meio termo é um ardil para ficar tudo na mesma até as eleições de 2020.

O Estado fascista e os petroleiros

por Francisco Celso Calmon

A nação brasileira está sob o jugo de um Estado Policial, de natureza ideológica nazifascista, mantido por militares, policiais, milicianos e togas deformadas, cada vez mais autoritário e subserviente aos interesses do capital financeiro e dos EEUU.

Acrescentar sufixos ao fascismo, neo, proto ou nazi, a rigor não distingue a sua essência. É essa essência que devemos estar certos e determinados a combater com todo o arsenal disponível.

Quem mais conheceu e combateu, na teoria e na prática, livre ou encarcerado, o fascismo foi Bertolt Brecht, é dele a mais precisa descrição da essência do fascismo.

 “O fascismo é uma fase histórica do capitalismo; neste sentido, é algo novo e ao mesmo tempo antigo. Nos países fascistas, o capitalismo continua a existir, mas apenas na forma de fascismo; e o fascismo apenas pode ser combatido como capitalismo, como a forma de capitalismo mais nua, sem vergonha, mais opressiva e mais traiçoeira.

Mas como pode alguém dizer a verdade sobre o fascismo, a menos que esteja disposto a falar contra o capitalismo, que o traz à tona? Quais serão os resultados práticos de tal verdade?

Aqueles que são contra o fascismo sem serem contra o capitalismo, que lamentam a barbárie que sai da barbárie, são como pessoas que desejam comer carne de vitela sem matar o bezerro. Eles estão dispostos a comer o bezerro, mas não gostam da visão de sangue. Eles ficam satisfeitos com facilidade se o açougueiro lavar as mãos antes de pesar a carne. Eles não são contra as relações de propriedade que geram a barbárie; eles são apenas contra a própria barbárie. Eles levantam as suas vozes contra a barbárie e fazem-no em países onde prevalecem exatamente as mesmas relações de propriedade, mas onde os açougueiros lavam as mãos antes de pesar a carne.”

Na conjuntura atual não há coluna do meio: ou fica cúmplice ao bolsonarismo ou contra. Propor meio termo é um ardil para ficar tudo na mesma até as eleições de 2020. Diante do extremo do fascismo há de se contrapor com o extremo da democracia socialista e popular.

As tentativas de formar frentes contra a “cadela que não sai do cio”, são válidas e importantes, contudo, contribuir para que o povo se organize e levante contra o bolsonarismo, promotor desse fascismo nativo, é fundamental, se o objetivo for derrotá-lo.

Várias categorias de trabalhadores estão em estado de greve, sendo que os petroleiros estão à frente, pela importância da categoria, pelo seu objetivo, por sua abrangência nacional, pelo tempo de manutenção da greve, pela resistência aos obstáculos repressores – sejam os colocados pelo judiciário, seja os da policia e da mídia, por tudo, é o  momento propício e necessário para que todos se solidarizem, e a juventude em especial, com o seu desprendimento e coragem, deflague um movimento aderente a esta greve que já faz história.

Lutar pelo Brasil, lutar pela democracia, lutar por moradia, comida e trabalho, é direito e dever de todo brasileiro. 

Francisco Celso Calmon é Advogado, Administrador, Coordenador do Fórum Memória, Verdade e Justiça do ES; autor do livro Combates pela Democracia (2012) e autor de artigos nos livros A Resistência ao Golpe de 2016 (2016) e Comentários a uma Sentença Anunciada: O Processo Lula (2017).

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1 comentário

  1. Tem toda razão o articulista. Me lembrei da frase: “se você está numa mesa onde se assentam 11 fascistas e não se levanta, nessa mesa há 12 fascistas!”. Com fascista não se debate, não se assenta, não se conversa, não se busca consenso. Apenas se combate!

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