O país em tempos de insensatez, por Janio de Freitas

Jornal GGN – Os últimos dias proporcionaram um espetáculo que pode mudar rumos. Caso não seja interrompido o fluxo de equívocos e insensatez dos Poderes, o descontrole pode tomar conta. Este é o diagnóstico de Janio de Freitas frente às últimas manifestações e a indevida reação das forças policiais. O articulista da Folha vê um Temer como joguete entre pressões, fraco e covarde diante de todos, nas mãos de um Meirelles pretensioso. Todos fora da racionalidade e do equilíbrio.

Para Janio, o país tornou-se um supermercado de interesses, com Congresso acatando medidas que desestabilizam mais ainda o país e as instituições. Criou-se uma usina de compensações, onde a irresponsabilidade prevalece. E o otimismo? Está longe de ser sentido, pressentido ou vivido.

Leia o artigo a seguir.

da Folha

Camisa de força financeira aumenta força vulcânica das ruas

por Janio de Freitas

Dentro e fora dos prédios, a Praça dos Três Poderes proporcionou, nas últimas 48 horas, razoável amostra do que se pode esperar daqui para a frente, se não for interrompido o acúmulo de equívocos, irresponsabilidades e insensatez que conduzem a mixórdia atual. No lado de fora, manifestantes e policiais perdiam-se em descontroles e fúrias. No de dentro era discutida, e por fim aprovada altas horas, a loucura de um aprisionamento dos governos por 20 anos, quatro mandatos presidenciais, em violenta camisa de força financeira.

Michel Temer é um joguete entre pressões, fraco e acovardado diante de todas, mas Henrique Meirelles extravasa uma pretensão sobre os tempos e os fatos vindouros que não cabe nos domínios da racionalidade e do equilíbrio. O Congresso propenso a segui-lo, feita já no Senado a primeira aprovação da camisa de força, é um supermercado de interesses. Se há compensação para aprovar seja o que for, e o Planalto e São Paulo são usinas de compensações, a irresponsabilidade prevalece.

Mas na praça de Brasília e nas ruas do Rio, simultaneamente, a sobrecarga de novos ônus para a população, com o desemprego efetivado e o esperado, a queda da “renda” familiar e demais apertos, traz uma resposta com raiz própria. Em 2013, os ataques ao Congresso e a ministérios foram extensões desordeiras, por falta de metas claras e de controle, das manifestações pacíficas. Os recentes ataques ao Congresso e a ministérios; no Rio, a invasão da Assembleia Legislativa e as tentativas de repeti-la, exprimem a indignação que não é mais satisfeita em protestos pacíficos: necessita da violência. É o que se vê, com diferentes graus, em muitas partes do país. A camisa de força vem aumentar essa outra força, vulcânica.

É coerente com o momento a divergência que se acirra entre Judiciário e Legislativo, a poder de equívocos e de insensatez. Com alta contribuição inflamatória. Portadora de um espírito de classe por tantos anos insuspeitado, a ministra Cármen Lúcia, presidente do Supremo, faz um diagnóstico temerário: “(…)busca-se mesmo criminalizar o agir do juízes brasileiros”. É sua reação às discussões, no Câmara, do projeto de medidas contra a corrupção e, no Senado, contra o abuso de autoridade.

O primeiro dos dois nem nasceu na Câmara ou no Senado. Foi criado na Lava Jato. Com ajuda de igrejas evangélicas ativadas por procuradores, colheu as chamadas assinaturas populares. E afinal entregue ao Congresso com a exigência da Lava Jato de que fosse aprovado sem alteração alguma. Até o fim do governo Figueiredo, poderia sê-lo. Depois, não há mais como se admitir, por exemplo, a validação de provas colhidas ilegalmente pela “boa-fé” de procuradores e policiais. Como não há por que conceder mais privilégios, neste país que já paga tanto por eles.

Uma observação paralela: os juízes estão incluídos nos dois projetos só por necessário formalismo. Não os motivaram. Exceto Gilmar Mendes, não é preciso dizer por quê, e Sergio Moro, cujo arbítrio agrada aos ressentidos mal informados, mas, para os outros, suscita preocupação com a legalidade democrática.

São até poucas as manifestações hostis ao Judiciário. O que espera a ministra Cármen Lúcia da soberba com que seu tribunal recebe a publicação de que um processo, como o do senador Valdir Raupp, descansa ali há 18 anos? Não há uma satisfação a dar aos cidadãos? Ou, por outra, não há no Supremo um ministro com a humildade ao menos residual para dá-la? E não são poucos os casos assim.

Nenhum otimismo se justifica, pelo que se vê, ouve, sente.

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10 comentários

  1. Em vez de limitar gastos sociais, taxar grandes fortunas e…

    Em vez de limitar os gastos sociais para gerar superávit primário para banqueiros e agiotas, o Brasil deveria combater a sonegação e taxar as grandes fortunas.

    Mas quem vai pagar o pato são os pobres. E o meu amigo se revoltou contra o PT porque o PT distribuiu um pouquinho melhor a riqueza mas, segundo ele, o PT fez isso com a intenção de se perpetuar no poder e não de mudar, de fato e irreversivelmente, a situação dos deserdados. Eu lhe perguntei se ele queria que esses recursos que foram canalizados para os pobres nos governos petistas deveriam continuar sendo canalizados para os ricos, como vinha sendo feito desde o ‘descobrimento’ do Brasil. Ele diz que não, que teria de ser canalizado para os pobres e trabalhadores mas com a intenção de mudar de fato a realidade. Eu lhe faço a última pergunta:

    Os recursos distribuídos aos pobres nos governos petistas deveriam continuar sendo canalizados para os ricos, já que o PT não os canalizou para os pobres com intenção de solucionar mas apenas de paliar a situação dos explorados e oprimidos. Aí o meu amigo se enrolou.

    De minha parte, eu acho que ainda que os recursos públicos que sempre foram abofelados pelos ricaços tenham sido canalizados para a base da pirâmide sem intenção de solucionar o problema dos pobres isso foi um avanço, primeiro porque a fome não espera e, depois, porque a base da pirâmide pode chegarà á conclusão de que a miséria e a ignorância não é vontade divina, mas capricho da elite. E, chegando a essa conclusão, eles podem chutar o pau da barraca.

    Vivemos dias promissores para dois sentidos contrários: para o avanço ou para o retrocesso.

  2. o país….

    Lembremos que isto é resultado da Constituição Cidadã, elaborada por todas figuras politicas que estão governando o país nestes 30 anos. Esta era a solução, o “novo rumo”  projetado a partir de ideologias e figuras que se diziam democráticos? A quem acusaremos, quem culparemos? Primeiramente, a nós mesmos que cremos em farsantes, em aventureiros que se auto-proclamavam estadistas, intelectuais, honestos, desprovidos de interesses pessoais, embuídos do mais alto interesse nacional e republicano, tudo isto inflado e propagandeado por uma imprensa carregada de certezas, partidarismos e ideologias, mas que se dizia independente. Canalhas. Nada como um dia após o outro. A verdade aparece. O mesmio parasitismo elitista, um cancro que se alimenta do orçamento público, sustentado através da miséria de uma população sub-representada numa farsa rotulada como democracia. 

  3. Não adianta discutirmos

    Não adianta discutirmos posições deste ou daquele agente político,seja ele do executivo,legislativo,judiciário e,até mesmo da mídia porca deste país.

    Neste momento,pouco importa quem está manipulando o golpe. O fato é que estão manipulando e só existe um perdedor declarado: O Brasil e,consequentemente,o povo brasileiro.

    É preciso tapar o nariz e os ouvidos,fechar os olhos e tudo mais que for necessário para reestabelecermos a democracia e a legitimidade dos poderes.

    Está cada vez mais evidente que todos os pderes,de uma forma ou de outra,vem sendo chantageados através da mídia e de seu braço punitivo comandado pelo camisa preta do Paraná e seus shit boys.

    A entrevista coletiva de domingo,onde participaram,além do golpista ocupante da adeira da presidência da república,o presidente do senado e o genro de um ministro gopista,foi bastante eloquente quanto a esta questão,logicamente,concatenada com as capas das revistinhas marginais e seus falidos amigos dos antigos jornais diários.

    É preciso que,para a direita,para o centro ou para a esquerda,sejam realizadas eleições gerais em todos os níveis com anistia total a todos os ocupantes de cargos públicos,eleitos ou não (daí o porque a necessidade de tapar o nariz etc,etc) para que,de alguma forma,retomemos com o menor custo possível a legitimidade dos podere.

     

     

     

     

     

     

     

     

  4. Só podia trabalhar para os

    Só podia trabalhar para os frias. Golpistas da folha são todos assim… pagos para descerem o cacete ou no mínimo falarem mérdas /  encherem inguiças, senão!…

  5. LUPANAR CANDANGO

    Virou o lupanar candango, todos são cafetões e uma moça só para administrar, e todos ganhado acima do teto e a moça não pode pagar, precisa comprar papel higiênico, mas foi cortado porque não pode gastar mais do ganha, porém não ganha nada, os cafetões fura teto não deixa.

  6. É PRECISO COERÊNCIA DIANTE DAS ADVERSIDADES

    Sem dúvida, o que se vê no país é evidência cada vez mais nítida da insana escalada da insensatez. Todavia, diante do destempero e da temeridade, urge clamar pelo bom senso e pela moderação. È dever de quem preza a dignidade humana lembrar a todo instante que o recurso à violência, venha de onde vier, sob qualquer forma, seja a que título for, é sempre injustificável, e constitui um fator que favorece a usurpação fascistoide.

    O tempo presente exige das pessoas lúcidas e das instituições legítimas atitudes muito mais significativas, abrangentes e efetivas, no que tange à defesa dos princípios éticos e dos fundamentos jurídicos do Estado Democrático de Direito, pois este constitui o cerne do arcabouço filosófico, conceitual e instrumental que sustenta a efetiva dignidade.

    É preciso restaurar e amplificar a exata noção de que todas as violações da legalidade constitucional agridem a dignidade humana e, portanto, devem ser combatidas com rigor, nos limites da resistência democrática, sem nenhuma concessão ao arbítrio da violência, seja física, verbal ou institucional. É preciso enfrentar a disseminação do ódio com a prática do amor fraterno, combater as trevas da mentira ilusionista com as luzes da verdade libertária, isolar a violência cega com o vigor do diálogo edificante.

    E urge recordar sempre que a única via capaz de sanear os retrocessos e descalabros é a construção de um amplo projeto político, que catalise um conjunto de forças eleitorais suficientes para constituir uma maioria parlamentar de ¾, oposta à que hoje existe.

    Se a direita, por meio da farsa, da manipulação e da desinformação, conseguiu ter uma maioria de 61 dos 81 senadores, e coisa semelhante na câmara dos deputados, cabe à militância progressista ampliada cumprir o dever de formar maioria de igual dimensão, mas que tenha compromisso com os princípios éticos e com a democracia popular.

    Os tempos atuais são adversos. Porém, é na adversidade que se formam o caráter dos perseverantes e a coerência dos exemplares heróis da resistência democrática. Vamos, pois, senhoras e senhores, juntamente com a vanguarda juvenil e com as ainda legítimas instituições representativas da sociedade, nos elevar ao patamar do qual podemos fazer frente aos desafios do capitalismo selvagem e do imperialismo predatório, para primar pela defesa da democracia através dos meios democráticos e para promover a firme construção coletiva de um futuro mais digno, sustentável e inclusivo.

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