5 de junho de 2026

O apanhador no campo do sentido – Vol.2, por Gustavo Conde

Foto: Ferdinand de Saussure

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O apanhador no campo do sentido – Vol. 2

Por Gustavo Conde

[continuação…]

Do erudito ao popular

A velharia das citações literárias e eruditas que até então subsidiavam o imaginário pretensamente técnico sobre língua humana foi relegada a um papel secundário – para não dizer, insignificante. Em outras palavras: se se quisesse entender – a sério – o que é uma língua humana seria preciso, a partir dali, buscar o falante espontâneo e real, não o escritor empolado de gabinete ou o autor consagrado das bibliotecas.

É uma mudança e tanto. Mais que uma mudança, é uma ruptura de grandes proporções. Saussure hesitou e teve muita dificuldade de se expor para romper com toda uma tradição de estudos linguísticos porque também sabia que romper com isso seria desafiar o poder acadêmico e seus nichos mais violentos.

Não admira que Saussure ele mesmo não tenha escrito seu livro demolidor. A densidade autoral ali subscrita é tanta e tão avassaladora que repeliu a fragilidade de um sujeito que era apenas um apaixonado pela língua humana. Os mensageiros de sua visionária antecipação teórica foram seus ex-alunos – que, aliás, fizeram-no de maneira talentosa e reverente.

Esse ponto será crucial para se entender o poder da fala em Lula. Porque Lula não é um erudito literato. Ele é, na verdade, muito mais do que isso.

O sujeito deixa o palco para a protagonista ‘língua’

Antes de avançar nos desdobramentos da revolução saussuriana, convém alertamos para mais alguma de suas façanhas metodológicas. Ao circunscrever a língua humana pela primeira vez na história em um campo controlado e objetivo – de forte viés científico – Saussure afiançou um corolário epistemológico igualmente devastador: ele retirou o sujeito falante de cena – que voltaria depois muito mais soberano, tecnicamente falando.

E por que ele fez isso? Para que os estudos da língua se concentrassem naquilo que interessava de fato – a língua – e não se dispersassem em subjetividades e impressionismos do pesquisador. É uma atitude assaz ousada e igualmente visionária.

Para finalizar este breve preâmbulo sobre o nascimento dos estudos contemporâneos da linguagem, é irresistível dizer aquilo que ainda não foi dito a respeito de Saussure – e especular livremente sobre sua genialidade e precisão epistemológica.

[continua…]

Aqui, os links do ensaio:

O apanhador no campo do sentido – Vol.1

O apanhador no campo do sentido – Vol.2

O apanhador no campo do sentido – Vol.3

O apanhador no campo do sentido – Vol.4

O apanhador no campo do sentido – Vol.5

O apanhador no campo do sentido – Vol.6

O apanhador no campo do sentido – Vol.7

O apanhador no campo do sentido – Vol.8

O apanhador no campo do sentido – Vol.9

O apanhador no campo do sentido – Vol.10

O apanhador no campo do sentido – Vol.11

O apanhador no campo do sentido – Vol.12

O apanhador no campo do sentido – Vol.13

 

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  1. Maria Luisa

    21 de setembro de 2018 12:58 pm

    ‘Escutem’ bem o que escreve FHC

    Li a primeira parte desse texto ontem e agora e pensei aqui com meus botões: deve ser por isso e tanto mais que Fernando Henrique Cardoso vive a remoer sua inveja e rancor por não ter sido um grande presidente da republica, muito menos um homem de Estado, como gostaria, até tentando durante seu governo varrer o varguismo para debaixo do tapete. 

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