5 de junho de 2026

A pachorra da Justiça, por Francisco Celso Calmon

O Brasil já carrega uma nódoa na sua história por não ter punido os agentes da ditadura militar que cometeram crimes de lesa humanidade
Atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. | Foto: Joedson Alves/Agência Brasil

A pachorra da Justiça

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por Francisco Celso Calmon

A lentidão da justiça é uma tortura coletiva. Enquanto a sociedade do bem sofre com o Bolsonaro solto e começa a duvidar da justiça, os bolsonaristas avançam em busca de uma anistia para o meliante. A lista de crimes cometidos por ele vai desde a época da caserna até os dias atuais.  Da falsidade ideológica, apologia à tortura, genocídio, ao atentado ao Estado de direito.

Não havendo um exemplar julgamento e punição, sua história vai virar um manual de como cometer crimes sem ser punido.

Anistiar golpistas seria um passaporte de imunidade para novos atentados ao Estado democrático de direito.  

O Brasil já carrega uma nódoa na sua história por não ter punido os agentes da ditadura militar que cometeram crimes de lesa humanidade, e, por serem imprescritíveis, são crimes continuados, à medida que os mortos e desparecidos políticos continuam sem justiça e as sequelas transgeracionais afetam os sobreviventes e os filhos e netos dos assassinados pelo Estado ditatorial até o presente.

A extrema-direita tem um projeto e estratégia de poder, não é a de um governo democrático, e sim a de uma contrarrevolução à democracia e implantação de uma autocracia neonazifascista, na qual o Estado e a sociedade serão militarizados e as policias, aliadas às milícias, implantarão o medo e a violência como um modo de ser normalizado. Só haverá liberdade entre os fascistas, os demais serão perseguidos via lawfare e pelas forças das armas.

Cujo resultado desejado é o de uma guerra civil, como declarado algumas vezes pelo meliante-mor, Jair Bolsonaro.

Matar os 30 mil esquerdistas é a sua obsessão.

O fascismo não está trotando, está à galope.

A letargia da Justiça favorece à extrema-direita, leva a apatia e descrença à sociedade, e anima a quadrilha bolsonarista.

Seu cronograma, se tiver como variável determinante o calendário eleitoral e as pesquisas de opinião, estará sendo míope e coalho.

Toda decisão tem risco imanente, mas a ousadia responsável é ingrediente necessário aos agentes da Justiça.

Ousar lutar, ousar vencer.

Francisco Celso Calmon, analista de TI, administrador, advogado, autor dos livros Sequestro Moral – E o PT com isso?, Combates Pela Democracia; coautor em Resistência ao Golpe de 2016 e em Uma Sentença Anunciada – o Processo Lula. Coordenador do canal Pororoca e um dos organizadores da RBMVJ.

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Francisco Celso Calmon

Francisco Celso Calmon, Analista de TI, administrador, advogado, autor dos livros Sequestro Moral – E o PT com isso?, Combates Pela Democracia, 60 anos do golpe: gerações em luta, Memórias e fantasias de um combatente; coautor em Resistência ao Golpe de 2016 e em Uma Sentença Anunciada – o Processo Lula. Coordenador do canal Pororoca e um dos organizadores da RBMVJ.

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2 Comentários
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  1. Bruno Hamú

    10 de junho de 2024 9:09 am

    Excelente texto e comentário muito pertinente. Essa demora da justiça além de ser uma tortura é inadmissível!

  2. evandro condé

    10 de junho de 2024 12:11 pm

    Deve estar brincando. A justiça brasileira é criminosa (mas dentro da lei). Citando apenas dois exemplos:
    Dentro da lei destruiu-se os discos rígidos da Odebrecht, um ato de uma normalidade assustadora;
    Acabo de ler que a PF está com 4 minutos estocados, sem saber o que fazer. Está grana foi apreendida em cofre de policial civil em operação da mesma por conta dos kit de robótica que “seguiram” para Alagoas. Como na investigação aparecia nomes de pessoas com foro privilegiado, por questões legais, a operação foi desfeita e anulada e as “provas” (conversas incriminadoras em celulares) foram apagadas.
    Mas ironia, a grana para ser reavida teria de ser comprovada a origem. O que não providenciou-se até hoje.
    Vamos rir?

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