Nossa grande mídia e nossa justiça eleitoral curtem fortes emoções
por Fernando Castilho
Há um interesse mal disfarçado em colocar Pablo Marçal para administrar a maior cidade da América do Sul. Se não fosse por isso, a grande mídia não publicaria tantas notícias, artigos e comentários sobre ele, o que, sem dúvida, o promove e o destaca entre os demais candidatos.
Da mesma forma, isso explica o fato de que o “coach da montanha”, cujo partido não conta com nenhum deputado na Câmara, é sistematicamente convidado a participar de debates. Esse cenário também justifica a presença constante dessa figura bizarra em todos os debates, apesar de suas agressões verbais, uso frequente de palavrões e a completa ausência de propostas viáveis.
A Justiça Eleitoral assiste sonolenta à ascensão de alguém que, no passado, aplicava golpes em pessoas vulneráveis e está ligado ao crime organizado. Se não fosse por isso, a candidatura de Marçal já teria sido cassada.
Como sempre, nossa Justiça Eleitoral aguarda que outro candidato seja eleito no lugar de Marçal. No entanto, caso ele vença, esperará três anos para tomar uma decisão, e essa decisão, invariavelmente, será o arquivamento do caso devido ao tempo transcorrido.
Assim, permaneceremos assistindo, impotentes, a esse diário espetáculo de horrores.
Fernando Castilho é arquiteto, professor e escritor. Autor de Depois que Descemos das Árvores, Um Humano Num Pálido Ponto Azul e Dilma, a Sangria Estancada.
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