13 de junho de 2026

Gelo pode gerar eletricidade, revelam cientistas

A descoberta também pode ajudar a explicar um dos fenômenos mais impressionantes da natureza: os raios
Crédito: Inteligência Artificial/ Freepik

Um dos elementos mais comuns do planeta acaba de ganhar um novo papel no mundo da ciência. O gelo, conhecido por cobrir montanhas, formar geleiras e se espalhar pelas calotas polares, revelou uma propriedade surpreendente: a possibilidade de gerar eletricidade.

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A descoberta foi publicada na revista Nature Physics por uma equipe internacional formada por pesquisadores do Instituto Catalão de Nanociência e Nanotecnologia (ICN2), na Espanha, da Universidade Xi’an Jiaotong, na China, e da Universidade Stony Brook, nos Estados Unidos. O estudo mostrou pela primeira vez que a água congelada comum é um material flexoelétrico — capaz de produzir cargas elétricas quando submetido a deformações irregulares.

“Isso significa que o gelo não tem apenas uma maneira de gerar eletricidade, mas duas”, explicou o pesquisador Xin Wen. “Em temperaturas muito baixas, a superfície apresenta ferroeletricidade, e em temperaturas mais altas, até 0 °C, apresenta flexoeletricidade.”

Em condições extremas, abaixo de –113 °C, a superfície do gelo pode se comportar como um material ferroelétrico, adquirindo uma polarização elétrica natural reversível com a aplicação de um campo elétrico externo — como se fosse um ímã com polos que podem ser invertidos. Já em temperaturas próximas do ponto de fusão, a flexoeletricidade domina: quando o gelo é derretido, ele libera carga elétrica.

Essa propriedade coloca o gelo na mesma categoria de materiais tecnológicos de alto desempenho, como o dióxido de titânio, já utilizado em sensores e capacitores. A diferença é que, ao contrário desses compostos sintéticos, o gelo é natural, abundante e distribuído em enormes quantidades pela Terra.

Raios

A descoberta também pode ajudar a explicar um dos fenômenos mais impressionantes da natureza: os raios. Durante tempestades, partículas de gelo nas nuvens colidem e acumulam carga elétrica, mas o mecanismo exato dessa eletrificação era pouco compreendido.

“Nossas medições de placas de gelo corresponderam aos tipos de potenciais elétricos observados em tempestades”, afirmou o professor Gustau Catalán, do ICN2. Isso sugere que a flexoeletricidade seja a chave para entender como as descargas elétricas se formam nas nuvens.

Novas possibilidades

Além de resolver enigmas atmosféricos, a pesquisa abre espaço para aplicações práticas. Em teoria, as propriedades eletromecânicas do gelo poderiam ser aproveitadas em dispositivos eletrônicos, especialmente em ambientes naturalmente frios, onde o material permanece estável sem necessidade de refrigeração artificial.

Embora pareça futurista imaginar circuitos feitos de água congelada, a descoberta mostra que mesmo substâncias conhecidas há milênios ainda podem surpreender. O gelo, tão presente no cotidiano e nos ecossistemas da Terra, pode se tornar fonte de inspiração para tecnologias do futuro — e peça-chave para compreender melhor os segredos da própria natureza.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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