Há um quadro complexo pela frente. A permanência da Selic em níveis elevados criou uma situação insustentável de endividamento de famílias e de empresas. No caso das famílias, o problema foi agravado pela epidemia de bets e pelas armadilhas do crédito fácil.
A guerra do Irã vai piorar a situação. De um lado, provocando aumento nos preços dos combustíveis e dos alimentos. De outro, pressionando o Copom a manter a Selic nos patamares atuais.
Ou seja, o segundo semestre, em pleno processo eleitoral, será difícil. Ainda mais com a mídia difundindo a imagem do “Flávio” amor e paz, e não acordando para os riscos flagrantes para a democracia brasileira, embutidos em sua candidatura.
É tão irracional esse exercício prematuro de antilulismo, que abre espaço para conjecturas. O que a mídia pretende? Viabilizar uma terceira via, como o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite? E quando Lula e Flávio-Paz-e-Amor forem para o 2º turno, como ficará a posição da mídia?
A polarização não é mais entre esquerda-direita, entre lulistas-bolsonaristas. É entre democracia e anarquia, civilização e barbárie. Ou alguém minimamente racional tem alguma dúvida sobre o que será o Brasil, em caso de vitória de Flávio Bolsonaro?
Ontem, nos Estados Unidos, Flávio desenvolveu um discurso plenamente alinhado com o Maga, o mais ostensivo discurso entreguista da história. Houve um pedido explícito de atenção internacional ao Brasil, menções a monitoramento externo e pressão diplomática e de entrega de terras raras, sem nenhuma contrapartida. Aliás, o mesmo fez Ronaldo Caiado, o inacreditável governador de Goiás, oferecendo as terras raras do Estado — atribuição que não cabe a nenhum governador estadual.
O discurso foi totalmente ajustado ao ambiente da CPAC, com aproximação com o trumpismo, defesa de valores da “civilização ocidental” e retórica anti-esquerda global. Um ponto indicativo do seu discurso de campanha foi apresentar o Brasil como parceiro estratégico dos EUA e potencial fornecedor de recursos e oportunidades. Em versões do discurso, chegou a dizer que o Brasil pode ser “solução” para a América. Assim como a última campanha de Milei, este será um mote de campanha: se Lula for eleito, EUA serão uma ameaça; com Flávio, serão uma oportunidade.
Seja qual for a retórica, o fato insofismável é que, antes do Maga, Flávio é um representante autêntico das milícias cariocas. Mantinha relações diretas com Adriano da Nóbrega, o chefe do escritório do crime. O Supremo Tribunal Federal já o livrou do crime das rachadinhas. Mas há uma montanha de indícios de lavagem de dinheiro que jamais mereceram a atenção da Procuradoria Geral da República.
É esse o nível de presidente que a Globo quer, que o Estadão aceita, que a Folha promove? O antilulismo tornou-se uma epidemia mortal, que ainda vai promover a destruição do país.
Por sua vez, para enfrentar essa frente complexa, cuja formação atual é de igrejas-Faria Lima-mídia-organizações criminosas que pululam em torno do bolsonarismo, Lula não pode se valer apenas do anti-bolsonarismo.
Tem que apresentar uma marca, não para o terceiro governo, que está no fim, mas para um eventual quarto governo. Uma promessa de futuro melhor, um plano de metas, um projeto de país. Precisa devolver o otimismo que marcou o país no final do seu segundo governo, quase similar ao de JK.
É hora de começar a desenhar o futuro, para não soçobrarmos como civilização e como nação.
LEIA TAMBÉM:
jo lima
31 de março de 2026 10:00 amo Nassif poderia reunir em um único bloco todos os artigos em que ele pede que Lula apresente um projeto de país. Seria o quadro Acorda, Lula! E essa eleição tem tudo pra ir pro ‘terceiro turno’, pois se Lula ganhar por uma diferença menor do que a de 22, é claro que os bolsonaristas vão tentar colocar Trump na jogada, dizendo que houve roubo, fraude. E pode ser que o agente laranja venha com tudo pra cima do país, pois com esse desastre do Irã ele vai querer garantir que o Brasil seja governado por gente que venda as fundamentais terras raras a preço de banana e que os data centers de empresas americanas disponham da nossa água como bem quiserem.
José de Almeida Bispo
31 de março de 2026 11:57 amArgos, Peloponeso, Grécia, 370 a.C..
A mídia, irresponsavelmente representando o pior da direita, continua a apostar no hardpower na destruição de Lula e do PT.
Lula, se morto vira santo; e o PT sempre existiu com outros rótulos. Sempre existirá.
O que a mídia, vocalizando a Faria Lima e admiradores pode produzir é o caos geral. Onde tudo vira combustível a ser queimado. SEM VENCEDORES.
Argos, 370 a.C.
Rabuja
31 de março de 2026 1:55 pmSou leitor antigo e admiro esta resiliência do Nassif em cobrar/esperar do Lula um pensamento de futuro, um planejamento de médio e longo prazos, etc.
O futuro do Lula e do PT é sempre apenas a próxima eleição apenas. Mas a visão de curto prazo não é uma particularidade do Lula e do PT, infelizmente a política (com letras minúsculas) brasileira é assim.
Hoje num canal mais alinhado com a esquerda ouvi que em MG está sendo considerada por uma parte do PT uma chapa Pacheco-Aécio para o governo de Minas. Chamam isso de “pragmatismo”. Depois reclamam que as pessoas não se interessam por Política.
Também precisamos ter movimentos “No Kings”.
Cidadão sem cidadania
31 de março de 2026 3:03 pmOk , vamos dizer que Lula monte algum projeto ( em 12 anos não montou nada , pela lógica não montará) mas digamos que va montar , a questão que fica é ele vai chamar o povo pra rua para apoiar o projeto? ( Se em 12 anos não chamou não chamara agora ), como fica a classe dominante civil , vai apoiar? , mas que isso hoje a classe dominante militar ela é mais americana que os americanos, como fica ? , lula vai chamar a nação para ir contra a classe dominante militar, são poucos, mas lula terá coragem? , lula nada fará como até hoje não fez , ponto .
Naldo
31 de março de 2026 3:27 pmQue mídia? A imprensa acabou, são todos banqueiros ou ligados a bancos, e o que banqueiros gostam é de lucro fácil, as custas do sangue alheio…..quem disse que se importam com a destruição do país? Pois se e6 isso que pedem fia e noite nos lixos que dirigem? Tudo as custas do sangue de um povo domesticado que espera que a ajuda ou o castigo venha do céu…..nosso destino e bastante obscuro, com certeza viraremos uma caquistocracia fundamentalista….
Paulo Dantas
31 de março de 2026 10:06 pmPara planejar algo precisa ganhar as eleições , executivo e leguslativo.
Mas …
Em 2.1.27 todos estarão preocupados com as municipais de 28 , e seguiremos patinando.
Vladmir
1 de abril de 2026 7:18 amMeu caro fico decepcionado contigo que é mineiro.
“Precisa devolver o otimismo que marcou o país no final do seu segundo governo, quase similar ao de JK.”
Pedir as pessoas para darem o que não tem é maldade.
JK teria que andar muito para trás para que o atual mandatário do país chegue próximo dele.
O atual incumbente está na política tem 40 anos prometendo um milagroso maná ao povo que nunca chega, mas que será no meu próximo governo e continuamos a viver em um país atrasado, marcando passo.
Essa é a última candidatura desse político, o melhor que se faz é abreviar o martírio do povo, não temos a necessidade de mais 4 anos de sofrimento e ilusões com promessas feitas que nunca serão cumpridas.
O país merece algo melhor.