
Nunca as armas de guerra foram tão precisas, e nunca mataram tantos civis. O uso de Gaza como “laboratório de guerra” tem sido amplamente documentado por organizações de direitos humanos, jornalistas investigativos e especialistas em segurança.
O jornalista Antony Loewenstein, autor do livro The Palestine Laboratory, afirma que Gaza serve como um campo de testes para novas armas e sistemas de vigilância, que são posteriormente comercializados como “testados em combate” .
É mais um ponto para confirmar a prática de genocídio.
Entre as principais armas e sistemas destacam-se:
- Steel Sting (Ferrão de Aço): Um novo tipo de bomba de morteiro guiada por GPS e laser, desenvolvida pela empresa israelense Elbit Systems. Ao contrário dos óbitos convencionais, permite atingir alvos com alta precisão em áreas urbanas, danos colaterais. Desenvolvida para ataques de precisão em ambientes urbanos, a munição foi utilizada pela primeira vez em larga escala em Gaza. Fontes militares israelenses, citadas em reportagens, afirmam que o “Steel Sting” permite atingir alvos com margem de erro mínima.
- Tanques Barak: Nova geração de tanques baseada no Merkava, o Barak usa inteligência artificial para aumentar a consciência situacional dos tripulantes e para proteção ativa contra mísseis antitanque. Possui sensores avançados, realidade aumentada e um sistema de defesa “Trophy”, que detecta e intercepta projetos antes que atinjam o veículo.BBC
- Drones Spark: Parte do programa Storm Clouds, produzido por Rafael Advanced Defense Systems e Aeronautics Group. Esses drones são capazes de coleta de inteligência, apoio em combate e operação baseada em dados em tempo real. Embora um pouco detalhado publicamente, a promessa é de operações mais eficientes e precisas.BBC
- Sistemas de Inteligência Artificial: Israel também possui sistemas avançados de IA para selecionar alvos dos bombardeios de maneira automatizada. O “Habsora” é um sistema de IA que analisa vastas quantidades de dados para gerar alvos potenciais em um ritmo muito mais rápido do que analistas humanos. Segundo investigações jornalísticas, o sistema pode identificar centenas de alvos por dia, transformando a seleção de alvos em um processo quase industrial. O “Lavender”, por sua vez, é outro sistema de IA usado para identificar supostos militantes de baixo escalão, marcando-os para possíveis ataques. Críticos e especialistas em direitos humanos alertam que a dependência desses sistemas pode levar a erros fatais
- Sistemas robóticos avançados : Inclui veículos não tripulados usados especialmente para operações de engenharia de combate, como o “robdozer” (bulldozer operado à distância), permitindo que os soldados assumam áreas de alto risco.
- Algoritmos de localização : Relatos indicam o uso de algoritmos avançados para identificar a localização de líderes inimigos em tempo real, inclusive baseando-se em dados digitais de voz.
A prática do genocídio serve a dois propósitos. O primeiro, o de “limpar” Gaza, permitindo sua ocupação, um exercício explícito de genocídio. O segundo, impulsionar a indústria de defesa de Israel.
Em 2024, as exportações de defesa de Israel chegaram ao recorde histórico de US$14,8 bilhões, o quarto ano consecutivo de crescimento. Deve-se à alta demanda por tecnologias “testadas em combate”. O principal mercado foi a Europa. Atualmente, seu portfólio de pedidos chega a US$ 23 bilhões.
Leia também:
Rui Ribeiro
19 de agosto de 2025 7:45 amImpulsionar não a indústria de defesa de U$rael, mas sua indústria de agressão/ataque.
Fábio de Oliveira Ribeiro
19 de agosto de 2025 8:16 amQuando a economia financeira global entrou em colapso em 2008 duas coisas aconteceram: os países mais afetados (EUA e seus grandes e pequenos Estados vassalos na Europa) alocaram imensas quantidades de dinheiro para salvar os bancos e as seguradoras, abandonando todos os outros prejudicados à própria sorte. A ideia básica por traz dessa decisão era que existiam Bancos grandes demais para falir. Em pouco tempo, os banqueiros voltaram a fazer o que mais fazem (assomprar bolhas) com lucro e sem risco. Mas milhares de vítimas comuns da crise do subprime ainda podem ser vistas perambulando pelas ruas das cidades norte-americanas e inglesas. O empobrecimento nos países europeus também foi imenso, todavia ele foi em parte minimizado pela letalidade da pandemia entre os idosos num contexto de declínio da taxa de natalidade (algo que reduziu a pressão orçamentária com aposentadorias e pensões pagas e futuras).
A crise humanitária em Gaza segue esse mesmo paradigma. Israel é considerado “grande demais para falir”, por assim dizer. E isso explica a falência da moralidade e da ordem internacional sob os escombros de Gaza e das pilhas de cadáveres e hordas de famintos.
Assim como a Justiça nacional dos países afetados pela crise de 2008 não puniu os banqueiros que obtiveram lucro arrebentando as economias de diversos países e empurando milhões de pessoas para o desemprego e até mesmo para morar nas ruas, condendando-os a ficar sem assistência médica ou com um serviço de assistência médica precarizado, a Justiça internacional não consegue interromper ou punir o genocídio em Gaza. Nos dois casos, o Direito foi silenciado pelo lucro, as vidas das pessoas foram consideradas menos valiossas do que o dinheiro acumulado pelos banqueiros. Eles (os banqueiros) provavelmente também estão obtendo lucro com o genocídio, mas Luis Nassif deixou esse dado de fora aqui. Espero que ele remedie essa falha num próximo texto.
Antonio Uchoa Neto
19 de agosto de 2025 9:09 am“Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos que assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividirem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas públicas e todos os demais feitos das ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo real de que o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas”.
Bom, isso aí é a história da humanidade.
E eu não tenho mais fôlego nem disposição para seguir comentando essas coisas.
Apenas repito meus refrãos: “Guerra dá lucro”, ou, “antes, armas para as guerras, hoje, guerras para as armas”.
Ao vencido, nem ódio, nem compaixão – só morte e esquecimento; ao vencedor, o petróleo. E o gás natural. A hegemonia regional. O monopólio – do que quer que seja, desde que tenha valor de mercado. E alguns efeitos colaterais: a sabujice ao seu financiador. O desprezo ao ‘diferente’. E todos os chistes que acompanham esse desprezo.
Vencer uma guerra – e lucrar com ela e desfrutar seus espólios – é, provavelmente a única circunstância humana que pode transformar diferentes que se desprezam – no caso, cristãos e judeus – em irmãos inseparáveis.
E depois, não o dilúvio, mas o cinismo:
“Minha disposição é a mais pacífica. Meus desejos são: uma humilde cabana com telhado de palha, mas uma boa cama, boa comida, o leite e a manteiga mais frescos, flores na minha janela e algumas árvores finas à minha porta; e se Deus quiser completar minha felicidade, ele me concederá a alegria de ver seis ou sete de meus inimigos enforcados nessas árvores. Antes de sua morte, perdoarei, comovido em meu coração, todo o mal que me fizeram em vida. É preciso, é verdade, perdoar os inimigos — mas não antes de serem enforcados.”
Machado de Assis, Heinrich Heine. E a humanidade explicada em dois momentos.
ERNESTO VIEIRA
19 de agosto de 2025 10:08 amE com toda essa tecnologia dá pra acreditar que eles não sabiam do ataque “surpresa” do Hamas, que havia construído 3.000 foguetes em Gaza. Ninguém viu nada?
Os pagers do Hezbollah eram monitorados mas o do Hamas não?
Ou estão apenas subindo numa pilha de cadáveres israelenses para fazer a limpeza definitiva do território.
grevista
19 de agosto de 2025 2:27 pmEm tempos idos, havia, nesse blog, um comentarista chamado Junior, especialista na indústria de armas, que certamente teria boas informações a respeito do tema.
+almeida
19 de agosto de 2025 2:42 pmThe Palestine Laboratory
Entre as principais armas e sistemas destacam-se:
Steel Sting (Ferrão de Aço), Tanques Barak, Drones Spark, Sistemas de Inteligência Artificial, Sistemas robóticos avançados, Algoritmos de localização, “Limpar” Gaza.
A prática do genocídio serve a dois propósitos. O primeiro, o de “limpar” Gaza, permitindo sua ocupação, um exercício explícito de genocídio. O segundo, impulsionar a indústria de defesa de Israel.
O titulo poderia ser “Tudo por dinheiro” tal a obcessão em dominar aterra alheia e as riquezas alheia que lá repousam, sem haja interferência da ganância alucinada, da interferência fora da razão, da interferência totalmente desequilibrada e fora do controle mental e emocional.
Por conta da grande pasmaceira mundial, que indesculpavelmente assiste ao genocídio em Gaza como se estivessem em cinemas, teatros ou relaxados nas poltronas de grifes, que em vez de provocar indignação, repúdio e protestos veementes, apenas lhes causam conforto, descanso e relaxamento. Simples assim, para o bem dos 3% ou 4 % donos do mundo.
Rui Ribeiro
20 de agosto de 2025 8:15 amÉ tecnicamente possível erradicar a miséria e a ignorância no mundo?
Resposta gerada pela Gemini:
Sim, é tecnicamente possível acabar com a miséria e a ignorância no mundo, embora seja um desafio complexo e multifacetado. A erradicação da miséria requer ações coordenadas em diversas áreas, como economia, educação, saúde e políticas sociais. A erradicação da ignorância, por sua vez, está intimamente ligada ao acesso universal à educação de qualidade e à promoção do pensamento crítico.
Miséria:
Redução da pobreza extrema:
Diminuir a pobreza extrema é um objetivo alcançável, como demonstrado pela redução significativa desde 1990.
Acesso a serviços básicos:
Garantir acesso universal a serviços como saúde, saneamento, água potável e moradia digna é fundamental para reduzir a miséria.
Inclusão produtiva:
Criar oportunidades de emprego e renda para todos, especialmente para grupos vulneráveis, é crucial para a erradicação da miséria.
Políticas sociais:
Implementar políticas sociais eficazes que abordem as causas da pobreza e da desigualdade é essencial.
Ignorância:
Acesso universal à educação:
Garantir que todas as crianças e adultos tenham acesso a educação de qualidade, desde a educação básica até o ensino superior, é fundamental para combater a ignorância.
Promoção do pensamento crítico:
Ensinar as pessoas a pensar de forma crítica, analisar informações e tomar decisões informadas é crucial para o desenvolvimento intelectual e social.
Alfabetização digital:
Em um mundo cada vez mais digital, garantir que todos tenham acesso à alfabetização digital é essencial para a inclusão social e econômica.
Combate à desinformação:
É importante combater a disseminação de informações falsas e promover a educação midiática para que as pessoas possam discernir entre informações confiáveis e não confiáveis.
Desafios:
Desigualdades:
As desigualdades sociais e econômicas são um dos principais obstáculos para a erradicação da miséria e da ignorância.
Conflitos:
Conflitos armados e instabilidade política podem impedir o progresso na erradicação da pobreza e da ignorância.
Mudanças climáticas:
As mudanças climáticas podem exacerbar a pobreza e a desigualdade, especialmente em regiões vulneráveis.
Falta de vontade política:
A falta de vontade política e a falta de recursos financeiros podem dificultar a implementação de políticas públicas eficazes.
Oportunidades:
Avanços tecnológicos:
Os avanços tecnológicos podem ser utilizados para melhorar a educação, a saúde e a inclusão produtiva.
Colaboração global:
A colaboração entre países e organizações internacionais é fundamental para enfrentar os desafios da pobreza e da ignorância.
Engajamento da sociedade civil:
O envolvimento da sociedade civil, incluindo organizações não governamentais, empresas e cidadãos, é crucial para impulsionar a mudança.
A erradicação da miséria e da ignorância é um objetivo ambicioso, mas possível de alcançar. Requer um esforço conjunto de governos, organizações internacionais, setor privado e sociedade civil, com foco em ações concretas e sustentáveis.
Jaime
20 de agosto de 2025 9:57 amNenhuma análise dessa guerra é completa sem informações sobre o lado que iniciou a guerra em 7/10/2023 e a forma como luta se protegendo sob os civis e usando reféns como proteção.