Covid-19 – A pandemia não acabou: serão contabilizados mais 260 mil casos e 2,6 mil mortes até 25/9.
Por Felipe A. P. L. Costa [*].
RESUMO. – Este artigo atualiza as estatísticas mundiais a respeito da pandemia divulgadas em artigo anterior (aqui). No caso específico do Brasil, o artigo também atualiza os valores das taxas de crescimento. Entre 29/8 e 4/9, as taxas tornaram a cair e agora estão em 0,0357% (casos) e 0,0183% (mortes). A tendência é declinante. Mas a pandemia não acabou. No ritmo atual, o país irá contabilizar mais 259.381 casos e 2.632 mortes até o último domingo de setembro. Máscaras e vacinas seguem na ordem do dia.
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1. ESTATÍSTICAS MUNDIAIS: ALGUMAS CONSIDERAÇÕES.
Levando em conta as estatísticas obtidas no fim da tarde de hoje (4/9) [1], eis um resumo da situação mundial.
(A) – Em números absolutos, os 20 países mais afetados [2] estão a concentrar 74% dos casos (de um total de 604.311.278) e 70% das mortes (de um total de 6.495.163) [3].
(B) – Nesses 20 países, 420 milhões de indivíduos receberam alta, o que corresponde a 94% dos casos. Em escala global, 587 milhões de indivíduos já receberam alta.
(C) – Olhando apenas para as estatísticas das últimas quatro semanas, eis um resumo da situação: (i) em números absolutos, a lista é liderada pelo Japão, com 5,27 milhões de novos casos; (ii) entre os cinco primeiros da lista, estão ainda os seguintes países: Coreia do Sul (3,08 milhões), Estados Unidos (2,61), Alemanha (1,02) e Rússia (975 mil). O Brasil (445 mil) está agora na 10ª colocação; e (iii) a lista dos países com mais mortes segue a ser liderada pelos EUA (13,54 mil); em seguida aparecem Japão (7,34 mil), Brasil (4,32), Alemanha (2,9) e Itália (2,74).
2. ESTATÍSTICAS BRASILEIRAS: SEMANA 29/8-4/9/22.
Hoje (4/9), de acordo com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde, foram registrados em todo o país mais 2.909 casos e 15 mortes [4]. Teríamos chegado assim a um total de 34.470.776 casos e 684.369 mortes.
Na semana encerrada hoje (29/8-4/9), foram registrados 86.029 casos e 875 mortes. O número de casos foi o mais baixo desde a última semana do ano passado (27/12-2/1: 53.792). O número de mortes foi o mais baixo desde a primeira semana de junho (30/5-5/6: 552).
3. O RITMO DA PANDEMIA EM TERRAS BRASILEIRAS.
Para monitorar de perto o ritmo e o rumo da pandemia, sigo a usar como guias as taxas de crescimento no número de casos e de mortes. Ambas seguem a cair.
Vejamos os resultados mais recentes.
A taxa de crescimento no número de casos recuou de 0,0416% (22-28/8) para 0,0357% (29/8-4/9). É a mais baixa desde a última semana do ano passado (27/12-2/1: 0,0345%) (ver a figura que acompanha este artigo) [5].
A taxa de crescimento no número de mortes recuou de 0,0198% (22-28/8) para 0,0183% (29/8-4/9). É a mais baixa desde a primeira semana de junho (30/5-5/6: 0,0118%).
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FIGURA. A figura que acompanha este artigo ilustra o comportamento das médias semanais das taxas de crescimento no número de casos (pontos em azul escuro) e no número de óbitos (pontos em vermelho escuro) em todo o país (valores expressos em porcentagem), entre 12/9/2021 e 4/9/2022. (Para resultados anteriores, ver aqui.) Note que alguns pares de pontos são coincidentes ou quase isso.
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4. CODA.
A taxa de casos tornou a cair, agora pela nona semana consecutiva. A taxa de mortes recuou pela sétima semana consecutiva.
A tendência é declinante. Mas seria ingenuidade dizer (como alguns observadores já disseram) que se trata de uma tendência irreversível ou definitiva. Em outras palavras, a pandemia não acabou. Basta ver o seguinte: No ritmo atual, o país irá contabilizar mais 259.381 casos e 2.632 mortes até 25/9.
Máscaras e vacinas seguem na ordem do dia. (Lembrando que a vacina combate a doença, mas não impede o contágio. O que pode impedir o contágio, notadamente no interior de recintos fechados, é o uso correto de máscara facial.)
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NOTAS.
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[1] Como comentei em ocasiões anteriores, as estatísticas de casos e de mortes estão a seguir o painel Mapping 2019-nCov (Johns Hopkins University, EUA), enquanto as de altas estão a seguir o painel Worldometer: Coronavirus (Dadax, EUA).
[2] Os 20 primeiros países da lista podem ser arranjados em 9 grupos: (a) Entre 90 e 95 milhões de casos – Estados Unidos; (b) Entre 40 e 45 milhões – Índia; (c) Entre 30 e 35 milhões – França, Brasil e Alemanha; (d) Entre 20 e 25 milhões – Reino Unido, Coreia do Sul e Itália; (e) Entre 15 e 20 milhões – Japão, Rússia e Turquia; (f) Entre 12 e 15 milhões – Espanha; (g) Entre 10 e 12 milhões – Vietnã e Austrália; (h) Entre 8 e 10 milhões – Argentina e Países Baixos; e (i) Entre 6 e 8 milhões – Irã, México, Indonésia e Colômbia.
[3] Para detalhes e discussões a respeito do comportamento da pandemia desde março de 2020, tanto em escala mundial como nacional, ver os volumes da coletânea A pandemia e a lenta agonia de um país desgovernado, vols. 1-5 (aqui, aqui, aqui, aqui e aqui). Sobre o cálculo das taxas de crescimento, ver qualquer um dos três primeiros volumes.
[4] Esses valores, infelizmente, são subestimativas. Explico: oito unidades federativas (DF, MA, MG, MT, PE, RJ, RR e TO) não divulgaram as estatísticas de domingo (28/8). Juntas, essas oito unidades respondem por 29% dos casos e 30% das mortes registradas em todo o país. O que me leva a estimar que ao menos 1.200 casos e 6 mortes deixaram de ser informados hoje (4/9).
A situação no DF (o primeiro ou um dos primeiros a cruzar os braços aos fins de semana) é, no mínimo, intrigante. Explico: O número de mortes no DF (mas não o de casos) permanece inalterado há mais de três semanas. Enquanto o número de casos passou de 835.156 (14/8) para 837.618 (4/9), o número de mortes está em 11.825 desde a semana 8-14/8. O fim das mortes por Covid-19 seria, evidentemente, uma ótima notícia. Todavia, diante do comportamento do governo do DF ao longo dos últimos dois anos e meio (e.g., o modo como destratou as medidas de proteção e combate à pandemia), não podemos deixar de levantar suspeitas diante da situação.
[5] Para conferir os valores numéricos, ver aqui (entre 27/12/2021 e 26/6/2022) e aqui (semanas anteriores).
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